"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos
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domingo, fevereiro 13, 2011

BULLYING ( VIOLÊNCIA ESCOLAR)

O Bullying ( Violência Escolar) é um termo de origem inglesa que descreve actos de violência física ou psicológicos praticados por um ou mais indivíduos com o objectivo de intimidar um indivíduo ou um grupo mais fraco.

 
A violência escolar ("bullying") é uma fenómeno cada vez mais frequente e visível, trazendo uma multiplicidade de consequências nas vítimas, nomeadamente em termos da sua auto-estima e até da sua saúde física e psicológica.

 
O Bullying pode surgir de duas formas: directa e indirecta, este ultimo mais enquadrado na agressão social.

 
O bullying directo é mais praticado por indivíduos do sexo masculino e o indirecto por raparigas que embora não seja muito sinalizado é mais vulgar, passando no entanto mais despercebido.

 
O bullying indirecto, mais frequente em raparigas e em crianças pequenas, manifesta-se recorrendo a várias situações, tais como, espalhar comentários pejorativos, recusa em socializar com a vítima, intimidar outras pessoas que insistam em socializar-se com a vítima, criticar modo de vida, roupa, calçado etc., levando a vítima ao isolamento social.

 
Assim, a violência escolar pode ser traduzida em comportamentos anti-sociais, delinquência, vandalismo e comportamentos de oposição, sendo definida como actos de violência física e psicológica, intencionais, repetidos e sistemáticos, ou seja, diferem dos episódios pontuais de conflito entre pares de igual estatuto ou poder, sendo praticados por um ou mais indivíduos que escolhem vítimas mais fracas ou mais novas, cuja capacidade de defesa seja diminuta em relação aos agressores.

 
O "bullying" envolve uma multiplicidade de comportamentos, tais como:

 
- actos de agressividade física

 
- agressões verbais

 
- comportamentos de manipulação social ou indirectos

 
- maus-tratos psicológicos

 
- ataques à propriedade

 
Mas será que todas as vítimas são passivas, ou seja, deixam-se submeter por estes agressores?

 
Existem dois tipos de vítimas: as que são efectivamente passivas, ou seja, inseguras, ansiosas e incapazes de se defenderem e as agressivas, de temperamento exaltado e que retaliam o ataque, ou seja, são agredidas e agridem também.

 
Quais são os principais efeitos do "bullying", sinais de alarme e como é que as vítimas podem ser ajudadas?

O bullying persistente pode ter uma multiplicidade de efeitos sobre a vítima, constituindo indubitáveis sinais de alarme, e que transmitem que algo se passa com a criança/jovem e que a mesma necessita de ajuda profissional.

 
- Efeitos sobre o indivíduo poderão incluir:

 
> Problemas gástricos 
> Dores não-especificadas 
> Medo de expressar emoções 
> Problemas relacionais 
> Abuso de drogas e álcool 
> Auto-mutilação 
> Baixa auto-estima 
> Isolamento social 
> Depressão 
> Recusa escolar 
> Diminuição do rendimento académico  

 
No entanto aquilo que queria reflectir e partilhar aqui convosco é sobre quem são estes rapazes e raparigas que agridem, e outros que se deixam intimidar e são agredidos.

 
Existem várias teorias, desde as ligadas à educação, às da vertente sociológica (baseadas em diversos estudos de campo) e até politicas, relacionadas com as directrizes governativas face á educação. Todas elas estão interligadas e quase todas têm razão.

 
Agressores e agredidos aparecem em consulta privada com regularidade, quando os pais ainda conseguem perceber que os filhos e os próprios pais têm um problema. Ambos Pedem ajuda!

 
Quem são os agressores?

 
São crianças que de alguma forma foram sujeitos ou a uma repressão severa em casa, nunca lhes sendo permitido manifestar algum tipo de agressividade (a agressividade é normativa, faz falta para a vida adulta como impulsionadora para realizar coisas) são os filhos obedientes e bonzinhos, que nunca deram problemas aos pais, mas que foram sujeitos a uma educação demasiado repressiva, ou os filhos sujeitos a grandes doses de violência, com a qual se começam a identificar e a agir sobre os outros como modelo relacional interiorizado.

 
Aqueles que nunca conseguiram manifestar discordância aos pais e revoltarem-se podem de igual forma agir a agressividade com outros como forma de libertarem a raiva contida, impossível de pensar.

 
No entanto é mais vulgar estes rapazes serem vítimas, como repetição do modelo de autoridade a que foram sujeitos. Vulgarmente aparecem em consulta rapazes entre os doze e os catorze anos, trazidos pelos pais, por outros motivos distintos daqueles que depois se vêem a verificar.

 
O pedido inicial tem a ver muitas vezes com as aprendizagens escolares insatisfatórias, sintomas de irritabilidade, destruição de objectos (portas e outros mobiliários) em momentos de raiva não contida, choro intenso sem motivo aparente, queixas seguidas da escola entre outros, recusa em ir á escola, este é o pedido dos pais, o pedido dos filhos é bem diferente, vulgarmente uma revolta muito grande com os pais por uma falta de afecto sentida (foi essa a construção mental da criança face á leitura dos acontecimentos de vida) ou queixas de agressões verbais e físicas na escola que escondem aos pais por medo e vergonha de serem mais humilhados ainda.

 
Por traz destas crianças estão quase sempre pais muito ausentes física e afectivamente que fizeram o melhor que sabiam mas que foram lidos de forma menos saudável e que propiciaram o terreno para que a depressão se instalasse. Quase sempre se encontra estruturas de personalidade depressivas em vítimas e agressores.

 
No bullying do meu ponto de vista não existem bons e maus, ambos são vitimas que necessitam de ajuda psicoterapêutica, única forma de interromper um ciclo de violência contida e agida.

 
A salvaguardar que em casos extremos de vitimização constantes o sofrimento emocional é tão intenso que poderá conduzir a actos extremos contra o próprio: o suicídio.

 
Em 2002 na Inglaterra Hamed Nastoh, suicidou-se depois de ser vítima de bullying continuado, sem nunca ter revelado aos pais o que lhe sucedia na escola.

 
Se pensarmos que por cada criança que passa por uma psicoterapia o numero de pessoas que é beneficiada (família e sociedade) e o ciclo geracional que é possível ser interrompido talvez seja fácil de imaginar o dinheiro que o estado poupa em internamentos, prisões, medicamentos, e outras repercussões sociais que se alastram por contactos interpessoais.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

HIPERACTIVIDADE E DÉFICE DE ATENÇÃO

Hiperactividade
Principais Características
A Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) é caracterizada por um padrão persistente de falta de atenção e/ou impulsividade-hiperactividade, com uma intensidade que é mais frequente e grave que o observado habitualmente nas crianças com um nível de desenvolvimento semelhante.

Alguns dos sintomas relacionados com a hiperactividade e a falta de atenção ocorrem e causam interferências muito importantes no funcionamento da criança em casa, na escola ou na sua vida social.
Estes problemas surgem devido ao facto da criança não conseguir dar atenção suficiente aos promenores ou porque comete erros por descuido nas tarefas que tem para fazer.
Os trabalhos são muitas vezes desordenados, descuidados e feitos sem reflexão.
Esta dificuldade em manter a atenção em tarefas ou actividades lúdicas acaba por causar dificuldades na criança para persistir nas tarefas até as terminar.
Parece que estão a pensar noutra coisa qualquer, como se não tivessem ouvido aquilo que acabou de se lhes dizer. Podem inclusive fazer mudanças de uma actividade para outra, ou começar uma tarefa, mudar para outra e ainda dedicar-se a uma terceira antes de completar qualquer uma das anteriores.

As crianças com PHDA têm muita dificuldade em seguir instruções, em terminar os trabalhos escolares ou os deveres, em organizar tarefas ou actividades.As tarefas que requerem a manutenção de um esforço mental são sentidas como desagradáveis e marcadamente aversivas. Por consequência, estas crianças evitam ou sentem repugnância em envolver-se em tarefas que requeiram um esforço mental mantido ou que impliquem exigências de organização ou de concentração.

Os hábitos de trabalho podem ser desorganizados e com frequência perdem, tratam com negligência ou deterioram objectos necessários às actividades.

As crianças com PHDA são facilmente distraídas por estímulos irrelevantes e interrompem as tarefas que estão a realizar para prestarem atenção a ruídos ou factos triviais que são facilmente ignorados pelos outros, como por exemplo, o buzinar de um carro ou uma conversa de fundo.
Esquecem-se muitas vezes das actividades quotidianas, como por exemplo, das datas ou de trazer o almoço.

Nas situações sociais, a falta de atenção pode manifestar-se por mudanças na conversa, não prestar atenção aos outros, não manter um raciocínio na conversa e não seguir os pormenores ou as regras dos jogos.


Comportamentos Típicos na HiperactividadeA criança com hiperactividade pode manifestar os seguintes comportamentos:
  • estar inquieta ou mover-se quando está sentada
  • não ficar sentada quando se espera que o faça
  • correr ou saltar excessivamente em situações em que é inadequado fazê-lo
  • ter dificuldades em brincar ou dedicar-se tranquilamente à brincadeira
  • andar e agir como se estivesse ligada a um motor
  • falar em excesso


Hiperactividade na Idade Pré-Escolar
As crianças com PHDA mais jovens e em idade pré-escolar diferem das crianças activas por estarem constantemente a andar e a mexer em tudo. Precipitam-se para qualquer lado, saem de casa entes de vestirem o casaco, sobem e saltam sobre os móveis, correm por toda a casa, têm dificuldade em participar em actividades sedentárias de grupo nas classes pré-escolares, como por exemplo, ouvir uma história.



Hiperactividade na Idade Escolar
As crianças em idade escolar revelam comportamentos semelhantes às crianças mais jovens. Têm dificuldade em estar sentadas, levantam-se constantemente, mexem-se nas cadeiras, ficam sentadas na borda das cadeiras. Transportam objectos de um lado para o outro, batem palmas e estão a mexer constantemente os pés e as pernas. Levantam-se da mesa durante as refeições, quando estão a ver televisão ou quando estão a fazer os trabalhos escolares.
Falam em excesso e fazem muito barulho durante as actividades tranquilas.



Hiperactividade na Adolescência e Idade AdultaNos adolescentes e adultos, os sintomas tomam a forma de sentimentos de inquietação e dificuldade para se dedicarem a actividades sedentárias tranquilas.

A impulsividade manisfesta-se pela impaciência, dificuldade para adiar respostas, precipitação das respostas antes que as perguntas tenham acabado, dificuldade em esperar pela sua vez, interromper ou interferir com os outros ao ponto de provocarem problemas em situações sociais, escolares ou laborais.
As outras pessoas queixam-se de não conseguirem interromper o seu discurso incessante. As outras pessoas queixam-se ainda dos comentários desadequados, de não ouvirem as regras que lhes são transmitidas, de iniciarem um conversa em momentos inoportunos ou de interromperem excessivamente os outros.
Pode também verificar-se que interferem ou agarram nos objectos que não lhes pertencem, mexem nas coisas que não é suposto mexer e fazem palhaçadas.



É frequente a Hiperactividade?Estima-se que 3% a 7% das crianças em idade escolar sofrem de PHDA, sendo que este problema afecta mais os meninos que as meninas.

As famílias devem estabelecer rotinas e regras bem definidas e consequências claras aplicadas de imediato.
Apesar do desgaste físico e emocional que uma criança com PHDA promove nos pais, as famílias não devem esquecer que a interiorização de regras é tanto feita com o castigo (por exemplo, zangar, obrigar) quanto é com o reforço positivo (por exemplo, brincar, mimar, acarinhar, abraçar).

NO CRESCER -Centro de Intervenção psicologica a psicoterapia para este problema, visa reduzir a frequência dos comportamentos inadequados e aumentar a frequência dos comportamentos desejáveis nas crianças. Tem ainda como objectivo ajudar os pais a lidar com esta situação, seja fornecendo dicas para a implementação de regras, seja através de ouvir o seu cansaço e encorajar para o seguimento de uma educação que se oferece difícil.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

HIPERACTIVO OU IRREQUIETO

A Irrequietude Motora designa uma actividade marcada, com uma quantidade excessiva de movimentos, sem ter uma implicação de patologia;
A Hiperactividade, aplica-se a diversos tipos de comportamento mal organizado, onde domina uma combinação de irrequietude e desatenção, inadequada para a idade, com grande intensidade e gravidade dos sintomas. Na Hiperactividade a criança dificilmente conseguirá ter ( mesmo que pequenos) momentos de atenção e concentração, não pára para brincar ou outras actividades, tem problemas graves no sono, e muita dificuldade em parar.
A Criança Irrequieta embora com grande actividade consegue alguns momentos de tranquilidade, consegue descansar, consegue parar quando as actividades lhe interessam.


Como defende João dos Santos, a irrequietude seria uma forma de reacção contra a ansiedade, e surge, muitas vezes de um fundo de depressão.
A criança, incapaz de pensar o sofrimento, utiliza o comportamento como forma de descarga. Age em vez de pensar.
O sintoma psicomotor inicial seria o sinal de uma tentativa de adaptação ao que exigem dela, um pedido de atenção ao seu sofrimento.
A instabilidade tem sempre a ver com uma espécie de fuga para a frente. Há qualquer coisa que leva a criança a não poder estar quieta, calada, silenciosa, a evitar pensar nos fantasmas mais ligados à realidade anterior.
A instabilidade seria, de algum modo, a procura da “estabilidade” de uma idade anterior, “ e, portanto, uma tentativa de “cura” da ansiedade a que conduz a insegurança”(João dos Santos, 2002)
São as marcas desse vivido precoce que perseguem a criança no seu interior, não lhe permitindo qualquer descanso (segurança).
Convém coomo tal e numa primeira intervenção fazer um diagnóstico correcto se Hiperactivo ou Irrequieto.

A terapêutica essencial a instituir nas crianças irrequietas e/ou Hiperactivas deverá consistir numa perspectiva sistémica, ou seja, em todas os sistemas em que a criança se encontra inserida (na criança, na família, e na escola).

A intervenção deve incidir sobretudo na família e escola, que deverão garantir à criança estabilidade e segurança.
Com a família, importa sobretudo modular a relação pais-filhos, tornando-a menos inquieta, ajudando os pais a acalmarem-se e a lidar de forma mais tranquila, que naturalmente os deixa bastante exaustos, ajudando-os na construção de uma relação mais organizadora e afectivamente mais rica e contentora.
A escola deverá ajudar a criança a pensar melhor, criando situações de aprendizagem serenas e interessantes.

O tratamento/ acompanhamento destas crianças deve ser regular, contínuo e a longo prazo.
O tratamento farmacológico na Hiperactividade Infantil????
De acordo com Pedro Strecht assistimos, hoje em dia, a um aumento de crianças desnecessariamente medicadas.
Mais medicadas, não, necessariamente, melhor tratadas, porque ficará por perceber é que a hiperactividade e défice de atenção são meros sinais e sintomas.
Corre-se o risco de tratar sintomas ou doenças e esquecer crianças ou doentes.
A principal tarefa perante uma criança hiperactiva é sempre compreender a origem, o porquê, os significados latentes, desses mesmos sintomas.
Medicar sem compreender é como pôr a chupeta a um bebé sem perceber porque chora.
Não é melhor ver porque chora? Se é fome ou cólicas intestinais?
Voltando à nossa questão: A prescrição da medicação deve ser bastante moderada, devido aos riscos que lhes estão associados.

Taylor ( 1986, cit. por Salgueiro, 2002) num estudo que realizou, com crianças hiperactivas observou que os psicofármacos podem ter efeitos secundários importantes em certas crianças, tais como:
  • Atraso no crescimento e perda de apetite (mais frequentes)
  • Crises convulsivas, taquicardia, hipertensão, agravamento de tiques, estados disfóricos (menos frequentes).
Desta forma,  a medicação pode ser prescrita de forma bem moderada, supervisionada regularmente, nas seguintes condições:
  • Quando a criança corre risco de exclusão escolar ou familiar em virtude do seu comportamento.
  • Quando existe um desafio cognitivo imediato, com risco de retenção para a criança, ou quando esta não consegue aprender devido à falta de atenção.
Porém, sempre, e em simultâneo, a criança deve seguir um tratamento psicoterapêutico.

“Por detrás do que se vê, existe qualquer coisa de mais profundo, menos fácil, um lado lunar, mas infinitamente mais bonito e poético do que a própria vida afinal.
Esquecê-lo é ignorar. Descobri-lo é dar.
Como quem entende os silêncios do que não é dito.
Como quem sabe o que se estrutura para além de uma fachada.
Fala através de ti, com o pedaço de criança que ainda tiveres vivo, e verás o que elas te dizem. Também aí as crianças só falam do que estivermos preparados para ouvir.
Talvez por isto se vejam cada vez mais crianças a quem é colocado o rótulo de hiperactividade com défice de atenção." (Strech, 2005)

AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NA INFÂNCIA


O termo "dificuldades de aprendizagem" (D.A), segundo o National Joint Committee on Learning Disabilities, pode ser definido como um grupo heterogéneo de desordens de diversas índoles, manifestadas por problemas significativos em termos da aquisição e uso das capacidades de fala, escrita, leitura, raciocínio e matemática.


A origem desta problemática pode residir em:

  • Factores emocionais e /ou
  • Factores  neurológicos,
 Que comprometem significativamente o processo de aprendizagem da criança.

 Estas dificuldades de aprendizagem subdividem-se em diversas áreas específicas, nomeadamente:

  • académica (é a mais comum; a criança/jovem pode apresentar dificuldades na área da matemática e/ou da leitura/escrita) e
  •  organizacional (dificuldades em cumprir tarefas com sequência, ou seja, a criança/jovem tem dificuldade em realizar uma tarefa com princípio, meio e fim),
  • socio-emocional (dificuldade no cumprimentos de normas sociais, por exemplo).
  • visuo-espacial (dificuldades na percepção da cor, na leitura de "b/d" e "p/q", realizando reversões, por exemplo),
  • auditivo-linguística (dificuldades na compreensão de instruções, sem comprometimento a nível físico, nomeadamente surdez, que pode ir de um grau ligeiro a um grau severo),
  •  motora (problemas na coordenação global ou fina, por exemplo, a nível da escrita),

Algumas Características das Crianças com Dificuldades de Aprendizagem

  • Problemas perceptivo-motores ;
  • Instabilidade emocional (explosões emocionais súbitas sem causa obvia);
  • Défices gerais de coordenação (trapalhão e coordenação motora pobre)
  • Desordens de atenção (pequenos períodos de atenção, distractibilidade, perseveração) 
  • Impulsividade;
  • Desordens da memória e do pensamento ;
  • Dificuldades de aprendizagem” específicas (leitura, escrita, soletração e aritmética);
  • Desordens da audição e da fala;
  • Sinais neurológicos difusos, como irregularidades electroencefalográficas
  • Agitação Motora excessiva
  • entre outros…
 As Dificuldades de aprendizagem podem dividir-se em :

  
• Primárias ou Naturais
Que tem origem numa Lesão ou mutação congénita, ao nível do Sistema Nervoso Central que impossibilita por si só o acesso e desenvolvimento de estruturas que possibilitam as aprendizagens. Estas lesões ou mutações podem ocorrer na formação do feto durante a gravidez, no parto ou nos primeiros tempos de vida da criança.
• Secundárias ou adquiridas
As que têm Alterações estruturais, mentais, emocionais ou neurológicas que se repercutem nos processos de aquisição, construção e desenvolvimento das funções cognitivas, resultantes de factores ambientais, educacionais, entre outros.

Quanto às Causas das Dificuldades de Aprendizagem elas podem ser de origem :

• Orgânicas,

• Educacionais,

• Ambientais


  •  Causas Orgânicas:
As áreas do cérebro cuja maturação se processa em último lugar são responsáveis pelas capacidades cognitivas e pelo raciocínio académico e são susceptíveis de lesão devido à influência de vários factores durante os períodos da gravidez, parto e infância.

Nesse sentido, as desordens neurológicas interferem com a recepção, integração ou expressão de informação, caracterizando-se, em geral, por uma discrepância acentuada entre o potencial estimado do aluno e a sua realização escolar.

  • Causas Educacionais
 Quando reflectem uma incapacidade para a aprendizagem da leitura, da escrita, do cálculo ou para a aquisição de aptidões sociais. No entanto, tal pode acontecer devido a práticas escolares que, ao não se adaptarem às capacidades específicas e aos estilos de aprendizagem da criança, lhe suscitam “bloqueios” que podem criar problemas de aprendizagem.
  •   Causas Ambientais e Emocionais
 Quando há factores ambientais que contribuem para o aparecimento de dificuldades de aprendizagem em crianças tidas como "normais" ou para o agravamento das áreas fracas que elas possuem, considerando-os como " forças, condições ou estímulos externos" que colidem com a criança afectando-lhe a sua capacidade de realização escolar:

  •  Problemas Emocionais
  • Problemas familiares
  •  Intolerância à frustração
  • Carências socio-económic
  • Falta de estimulação
  •  Crises Desenvolvimentais:
                Crianças deprimidas, ansiosas, inseguras;

                Conflitos com alguns colegas, professores ou auxiliares

                Testar limites dos adultos

                Certificar-se dos afectos/sentimentos queos adultos próximos nutrem pela criança.

  

Importa referir que cerca 80 % dos casos de crianças e jovens referenciados com dificuldades de aprendizagem , são de origem Emocional e Educacional e portanto, passiveis de serem trabalhadas e minizados as suas consequências.


 Por vezes os alunos são sinalizados como tendo dificuldades de aprendizagem, porque simplesmente não acompanham o ritmo de aprendizagem dos restantes alunos, destabilizam a aula, são irrequietos, e centram-se em tarefas que muitas vezes são desadequadas.

Por tudo isto, antes de uma criança ou jovem seja referenciada ou “Rotulada” como tendo dificuldades de aprendizagem, o que também pode ter consequências emocionais graves para a criança, é necessária uma avaliação rigorosa por técnicos especializados em avaliação psicológica, concretamente por psicólogos, permitindo, deste modo, averiguar quais são as reais dificuldades da criança, qual a origem deste défice, que tipo de intervenção poderá ser feita para ajudá-la quer na escola quer em casa quer com o terapeuta.


Quanto mais cedo esta avaliação for realizada, maiores as possibilidades de a criança ultrapassar e desenvolver algumas competências que podem estar comprometidas.

Quando precocemente identificadas e trabalhadas, e porque o cérebro da criança ainda é muito maleável, consegue-se facilmente minorar ou até mesmo ultrapassar essas limitações e evitar marcas irreversíveis para o futuro da criança.

Se este é o caso do seu filho, não espere muito mais. Contacte um técnico especializado.

Conte comigo!

A importância das relações familiares na vivência da adolescência


EU, UMA PESSOA ÚNICA E COM GRANDES POSSIBILIDADES

Estás à porta (ou talvez já tenhas entrado) de uma nova etapa da tua vida em que ocorrem importantes alterações e que te irá conduzir da infância ao estado adulto. É a adolescência. Trata-se de uma etapa muito importante na construção da pessoa, na qual desempenham um papel muito importante as relações que estabeleces com os teus amigos e amigas, com a tua família, com os teus professores.

Todas estas alterações também afectam as pessoas adultas que te rodeiam: dizem que já és crescido, mas continuam a tratar-te como se não o fosses. Às vezes estas pessoas adultas não sabem como tratar-te: pensa que os adultos deixaram para trás há muitos anos a sua própria adolescência. Tem paciência e confia neles: gostam de ti e querem ajudar-te.

Por vezes, irão haver dificuldades (que nova etapa não as tem ) "angústias", inseguranças, confusões...; mas não te esqueças que ao mesmo tempo será uma época muito estimulante, de grandes progressos, de crescimento físico e intelectual de novas e maravilhosas experiências.

«Trata-se de um conjunto de anos vitais, sem um limite preciso e com o encargo social oculto de te dedicares a ser adolescente». (Jaime Funes).

Os adolescentes são muito influenciados pelas suas famílias ainda que, por vezes, nalgumas circunstâncias estes laços possam ser abalados.

Estudos feitos nas últimas décadas têm mostrado, de forma consistente, que existe menos conflito entre os adolescentes e suas famílias do que se acreditava previamente. Estes estudos referem que o conflito está presente em apenas 15 % a 25 % das famílias.

A ocorrência destes conflitos está relacionada sobretudo com as rotinas familiares, o estabelecimento de horas de entrada em casa, namoros, notas escolares, aparência física e hábitos alimentares. As investigações feitas nesta área indicaram igualmente que o conflito entre pais e adolescentes acerca dos valores económicos, religiosos, sociais e políticos são relativamente raros.

Os pais continuam, hoje, a influenciar os seus filhos adolescentes não só nas suas crenças mas também ao nível do seu comportamento. Contudo, mães e pais influenciam os adolescentes de maneira diferente.

Parecem existir, pois, diferenças consideráveis entre o comportamento e o papel das mães e dos pais nas relações familiares com os filhos adolescentes.

Assim, os pais tendem a encorajar o desenvolvimento intelectual e frequentemente envolvem-se em actividades de resolução de problemas e discussão dentro da família. Como consequência, quer rapazes quer raparigas discutem ideias com os pais.

O envolvimento dos adolescentes com as mães é mais complexo. Mães e adolescentes interagem no que diz respeito por exemplo às responsabilidades nas tarefas domésticas, trabalhos escolares, disciplina dentro e fora de casa e actividades de lazer. Estas áreas podem resultar em maiores conflitos entre as mães e os seus filhos adolescentes contudo, tendem a criar maior proximidade entre mães/filhos de que entre pais/filhos.

As dinâmicas familiares bem como as alianças dentro da família desempenham também um papel importante, dado que estes elementos começam a moldar o comportamento da pessoa mesmo antes da adolescência.

Muito embora as alianças entre os vários membros da família sejam naturais e saudáveis, é importante que o pai e a mãe se mantenham unidos e que mantenham laços distintos com os seus filhos.

Os pais necessitam de trabalhar juntos para criarem e disciplinarem os filhos. Ou seja, uma relação estreita de um pai com um filho que exclua o outro pai pode perturbar o desenvolvimento do adolescente na medida em que o pai excluído perde estatuto enquanto agente socializador e figura de autoridade.

Os problemas podem surgir também de outro tipo de desequilíbrios como seja a ausência de um dos pais devido a divórcio ou separação.

Ambos os progenitores devem ter uma participação activa na criação de dinâmicas familiares que promovam o crescimento harmonioso dos seus filhos adolescentes, ou seja, deve existir coerência entre as práticas educativas dos pais.

Numa altura em que um adolescente está a testar novos papéis e está a lutar para atingir uma nova identidade, a autoridade parental pode ser seriamente posta à prova quando em casa existe apenas um dos pais.

Podemos referir, em jeito de conclusão, e corroborando as opiniões do Dr. Daniel Sampaio as famílias se adaptam melhor aos adolescentes se forem capazes de negociar as mudanças de uma forma racional, que tome em consideração as necessidades e desejos de cada um.

A coesão familiar pode ser preservada quando os pais e adolescentes estão capazes de se verem como iguais numa relação reciprocidade.

 Por outro lado, uma comunicação aberta os vários membros da família, em que cada um possa falar acerca das suas preocupações/desejos sem fricção, ajuda igualmente a manter a coesão familiar.

Quando existem dificuldades nesta interacção familiar e pais filhos não conseguem comunicar, a orientação profissional de um psicólogo pode ajudar nesse processo, e se necessário for, encaminhar o próprio adolescente para uma psicoterapia.

Nesse caso, o adolescente receberá uma escuta profissional contextualizada por um espaço seguro onde ele possa expressar suas emoções, desejos, curiosidades, dúvidas e fantasias, características dessa fase da vida.

Procurar uma orientação adequada é um dever dos pais, pois são espelhos fundamentais na educação dos filhos e responsáveis por lhes proporcionar a segurança emocional que necessitam.

A adolescência pode ser um momento difícil para pais e filhos.... as duas partes envolvidas não devem esquecer que: “Todas as pessoas gostam de saber que são amadas e admiradas, apesar dos defeitos que possam ter!”

O respeito e a negociação constituem a base de todos os relacionamentos, e são indispensáveis em qualquer idade. Pense nisso!

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

As Saídas à noite na Adolescência

Um dos problemas mais preocupantes para pais e educadores na educação dos jovens são as saídas à noite.

Como refere o Prof. Eduardo Sá, infelizmente os filhos não vêem com livro de instruções, e também não há receitas, porque cada pai, cada filho e cada relação pai-filho é única e complexa, pelo que educar é uma arte cada vez mais difícil para todos os pais.

Mães e pais vivem preocupados com isso e sem saberem muito bem que atitude tomar: deixo ir, ou não deixo? Marco horas para estar em casa ou não? Tem treze anos e quer sair à noite, deixo? – Claro que estas respostas não são fáceis e temos sempre que analisar situação a situação.

As experiências da noite chegam aos jovens cada vez mais cedo, e quando não existe em casa um ambiente seguro ao nível dos afectos e dos limites então estão criadas as condições para que corram grandes riscos por não se saberem defender.

É cada vez mais frequente vermos jovens que começam a sair aos 11/12 anos e “alguns” adultos adultos a aceitarem isto como normal. Na minha opinião e o que tenho constatado na prática clínica é que os adolescentes entre os 11 e os 15 anos não estão capazes ao nível afectivo e cognitivo de saber enfrentar uma noite cheio de oportunidades de enveredar por comportamentos de risco (álcool, “charros” ou “curtes”).

O álcool, as “ curtes” e os “charros” farão com que possam cair nas mãos de depravados habituados a frequentarem estes ambientes como predadores, pois tratam-se de predadores narcísicos, tipo D. Juan, ou pessoas ainda mais perturbadas ( pedófilos etc.) que podem inclusive molestar fisicamente estes jovens.

Assim , nestas idades, se saírem devem ir acompanhados de alguém de confiança, pais ou outros, mas sempre com adultos e não com irmãos mais velhos.

A noite é símbolo de libertação. Por isso, quase todos os adolescentes sonham com as saídas nocturnas e as noitadas com os amigos chegam cada vez mais cedo.

Grande parte dos pais, infelizmente, não sabe dizer que não com medo de traumatizar a criança, ou porque se projecta no filho e recorda a sua adolescência provavelmente muito castradora, logo deixam fazer aos filhos tudo o que os seus pais não lhe deixaram.

No entanto como se costuma dizer “ nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, devem os pais encontrar um meio-termo se o adolescente já tem 15 ou 16 anos.

Se tem 14 devem deixar sair de vez em quando mas com companhia adulta de confiança. Porque não os pais?

Antes dessa idade então o não deve ser redundante e firme. Podem crer que por mais que os vossos filhos lhes digam que todos saem menos eles, que isso já não se usa, que os tempos são outros, lhe estão a fazer um enorme favor e até aos próprios pais. Um dia o adolescente quando já tiver mais maturidade e mais experiência vai entender.

No entanto estes limites devem sempre ser conversados e explicados.

A “introdução” ao mundo da noite deve ser feita pelos pais. Não sei se o leitor já observou alguma vez um bando (digo bando, porque costumam ser muitos) de adolescentes que não tem mais de 12 anos, na noite a caírem de bêbados e a fazerem distúrbios? É um espectáculo horroroso, parecem órfãos.
Onde estão os pais? Será que dormem descansados? O que vai destas gerações em que divertimento passa por beberem até caírem de bêbados e que é impossível divertirem-se sem beberem. Estas gerações são o futuro. Não será todos assim, obviamente, mas estamos a criar gerações de gente vazia de pensamento.

Para o futuro mundial, não me parece muito bom, especialmente em Portugal que estamos numa crise social e económica grave, ao nível da educação, afectos, e de valores.

São estas crianças que anos mais tarde não conseguem ser interventivas ao nível social, porque o pensamento ficou atrofiado, perpetuando um ciclo que temos que interromper.

Creio que ainda podemos inverter estas situações, especialmente com muito amor e firmeza da parte dos pais, mas tenho consciência que é muito difícil quando o álcool é vendido sem regra e sem consciência, senão como é que se explica que miúdos de onze doze anos caiam de bêbados nos passeios dos bares?

A intervenção de pais, educadores sociais, médicos, psicólogos e professores em acções concertadas seriam desejáveis para que os jovens entendessem que podem divertir-se sem beberem.

As estatísticas dos bancos de urgência registam largas centenas de jovens em estados de etilismo agudo nas épocas festivas.

Por outro lado, vigiar, controlar, exigir que não saiam de casa, só irá alimentar ainda mais, a rebeldia própria da adolescência.

Na minha opinião o combate ao consumo de álcool e a regulação das saídas à noite não passa tanto por fazer marcação cerrada (embora seja necessária) mas também por apostar na educação (a grande obreira da nações, mas não como está neste momento) e apoio a pais e alunos na área psicológica numa intervenção imediata e no terreno.

Muitas vezes os pais, eles próprios muito frágeis, não sabem e não conseguem actuar com os filhos, mas também não sabem onde se hão-de dirigir para procurar ajuda.

É responsabilidade da família perceber o limite entre o saudável e o patológico nas atitudes dos filhos, e quando perceberem que “algo não está bem” que não estão a conseguir comunicar com os vossos filhos, então pedir ajuda é fundamental.

Os pais precisam de ajudar os filhos a organizar o seu mundo interno.

Procurar uma orientação adequada é um dever dos pais, pois são espelhos fundamentais na educação dos filhos e responsáveis por lhes proporcionar a segurança emocional que necessitam.

Por vezes basta um aconselhamento pedagógico/ terapêutico aos pais para que fiquem mais aptos a lidarem com estas situações. Infelizmente são ainda muito poucos os que procuram ajuda.


A orientação profissional de um psicólogo pode ajudar nesse processo, e se necessário for, encaminhar o próprio adolescente para uma psicoterapia.

A adolescência é um momento difícil para pais e filhos.... as duas partes envolvidas não devem esquecer que: “Todas as pessoas gostam de saber que são amadas e admiradas, apesar dos defeitos que possam ter!”

O respeito e a negociação constituem a base de todos os relacionamentos, e são indispensáveis em qualquer idade. Pense nisso!

Algumas regras de Ouro para lidar com Adolescência

Os pais são espelhos fundamentais na educação dos filhos e responsáveis por lhes proporcionar a segurança emocional que necessitam.


A adolescência pode ser um momento difícil para pais e filhos.... as duas partes envolvidas não devem esquecer que: “Todas as pessoas gostam de saber que são amadas e admiradas, apesar dos defeitos que possam ter!”

Como já referi num post anterior, infelizmente não existem receitas para educar, porque cada filho e cada família são únicos e têm características, também elas, únicas!

Porém, e porque são muitas as solicitações que tenho tido de alguns pais, e inspirando-me um pouco no trabalho da prof.ª Helena Fonseca, deixo-vos hoje com algumas sugestões que na minha opinião são fundamentais para o desenvolvimento de uma adolescência saudável:


1. Escute o seu filho. Esteja sempre disponível para o diálogo. Quando algo corre mal, escute sempre primeiro o que ele tem para dizer, ouça a sua versão, antes de partir para acusações e julgamentos, mesmo que lhe pareça evidente.

2. Seja afectuoso. Não se iniba de lhe demonstrar afecto, desde que não o embarace demasiado junto dos amigos.

3. Envolva-se na vida do seu filho e acompanhe os seus estudos. O seu envolvimento é tão ou mais importante do que na infância. Não há qualquer razão para que não participe activamente na vida do seu filho adolescente. Porém, respeitando sempre as suas escolhas e decisões, alertando eventualmente para os prós e contras de cada decisão, mas sem impor a sua opinião.

4. Procure conhecer os amigos dos seus filhos. Só assim poderá compreender melhor os seus completamentos. Mas não critique nem julgue as suas escolhas. Ensine-o a distinguir o bem do mal e a decidir sempre por ele próprio.

5. Eduque com firmeza. Defina limites e estabeleça regras claras e adequadas.

6. Evite controlar e gerir demasiado. A autonomia é essencial para que o adolescente cresça bem. Dê espaço para que aprenda a ter confiança em si mesmo e a decidir sem lhe pedir opinião por tudo e por nada.

7. Oriente o seu filho nas decisões mais difíceis. Ele ainda não está suficientemente preparado para planear, estabelecer prioridades, organizar o pensamento, gerir os impulsos e ponderar todas as consequências dos seus actos.

8. Cultive expectativas positivas em relação ao seu filho. Mas seja realista: não tenha expectativas nem demasiado elevadas, nem demasiado baixas.

9. Ajude o seu filho a ser um cidadão consciente e responsável. Desenvolva nele o respeito por todas as pessoas, independentemente da sua raça, estatuto ou religião.

10. Ame incondicionalmente o seu filho, sobretudo quando ele comete erros.

E deixo-vos com uma frase, que uma adolescente, um dia na praia, escreveu na sua T-shirt, e que representa o que qualquer adolescente precisa quando está em crise ou em sofrimento: UM COLO, UM PORTO SEGURO!


“ QUANDO EU NÃO MEREÇO, ME AME, PORQUE É QUANDO EU MAIS PRECISO!”

Enurese ( quando o Xixi na Cama não Pára...)


O fazer chichi na cama tem um nome técnico: enurese nocturna.

O termo deriva a palavra grega “ fazer água”.

As crianças mais novas levam algum tempo até conseguirem controlar os esfíncteres de dia e cerca de um ano depois consegue fazê-lo de noite.

Esse controle ocorre aos dois, três anos de idade mas se for até aos cinco anos não é considerado problemático porque as crianças não se desenvolvem todas ao mesmo tempo, há diferenças entre elas.

É normal que as crianças molhem a cama de vez em quando, especialmente quando são mais novas.

Fazer chichi na cama uma vez ou outra não é considerado um problema.

A enurese só é vista como uma dificuldade a ser tratada quando a criança tem mais de cinco anos, faz chichi na cama duas ou mais vezes por semana durante pelo menos três meses.

A enurese pode ser causada por uma doença orgânica como espinha bífida, diabetes ou bexiga neurogênica: nesses casos, as escapadas de xixi são classificadas como incontinência urinária.

Porém, as causas da enurese nem sempre são fisiológicas mas sim psicológicas ao contrário do que a comunidade médica faz acreditar aos pais.

Factores como a ansiedade e o stress, dificuldades emocionais na criança estão na origem da enurese nocturna.

A incapacidade da criança conter a angustia faz com que não controle os esfíncteres deixando fluir de uma forma simbólica aquilo que não consegue conter.

Mães e pais ansiosos contribuem para a ansiedade dos filhos que pode levar à enurese mais tarde.

Muitas vezes também funciona como chamada de atenção para uma mãe pouco atenta, ou de retaliação para pais autoritários, críticos ou muito exigentes, para com os deveres e obrigações da criança, em que esta incapaz de gerir as emoções, à noite, altura em que está mais descontraído, acaba por libertar a sua angústia através do Xixi.

A forma como os pais reagem à situação é muito importante!Muitos pais, como forma de tentarem corrigir a situação, através do castigo e da punição, ou da repreensão verbal, por vezes muito dura, aumentam ainda mais a ansiedade da criança, que leva ainda a mais descontrolo durante a noite!
Também não voltem a pôr fraldas, como uma solução prática para o problema, além de ser jovealtamente humilhante para a criança , adia o problema!
Já me chegaram ao consultório jovens com 15 anos a usar fraldas durante a noite porque foi a solução encontrada pelos pais para um menino que apresentava enurese desde sempre, o que foi traumático e humilhante para este jovem.

É fundamental que os pais percebam, que a enurese nocturna, caso não exista nenhum problema fisiológico, é sintomas de uma criança que não está bem emocionalmente, está em sofrimento e precisa de ajuda psicológica.
Não se trata de perguiça ou desleixo da criança.

As crianças, não conseguem por si só resolver este problema, precisam ser ajudadas em termos psicológicos!

Quando mais precoce for a intervenção, mais rápido e fácil o problema se resolverá.

O meu conselho é se até aos 6 anos a criança não consegue controlar os esfinteres nocurnos, dirija-se a um psicólogo e peça uma avaliação psicológica para ver o que se passa.

Grande parte dos problemas de enurese resolvem-se, com sucesso, com algum tempo de psicoterapia, levando ao bem-estar da criança e da família.

Se for este o caso do seu filho, não hesite! Contacte-me!

Depressão Infantil


Embora estejamos cada vez mais familiarizados com o tema da depressão, raramente ouvimos falar de crianças deprimidas. Mas isso não significa que esses casos não existam.

Estima-se que esta perturbação atinja 4 a 8% das crianças e sabe-se que esta incidência tende a subir na adolescência.
A depressão infantil ocorre, em 20% dos casos, em crianças na faixa etária entre 9 e 17 anos, e é causada geralmente, por dificuldades de relacionamentos com a própria família, na escola ou em outros locais que frequentam.
Mas o número mais alarmante diz respeito ao facto de esta ser uma realidade que tende a passar despercebida aos olhos de 70% dos pais.
“Como é que isso é possível?”, perguntar-me-ão. Apesar de algumas crianças manifestarem a sua depressão através dos sintomas clássicos (tristeza, pessimismo, ansiedade, etc.), a maioria fá-lo de forma atípica, o que dificulta o diagnóstico.

Assim, na maior parte dos casos, as alterações mais visíveis tendem a confundir-se com rebeldia: irritabilidade, agressividade, hiperactividade e/ou diminuição do rendimento escolar.

Esta manifestação atípica impede muitos pais de perceberem a origem dos problemas e, assim, darem uma resposta eficaz.

O grito de alerta tende a surgir aquando do aparecimento de alterações menos expectáveis, como o medo da morte (conversas recorrentes sobre o tema), sentimentos de culpa e de inutilidade e retrocessos, como a encoprese ou a enurese (defecar ou urinar na roupa ou na cama).

É necessário que nos consciencializemos de que a depressão infantil existe e pode ser grave! Infelizmente, nem todas as crianças são felizes e despreocupadas!!


Tentando clarificar melhor os Sintomas que podem servir de alerta aos pais…


Como já referi, a depressão não se manifesta do mesmo modo, de acordo com a idade da criança, assim poderíamos tentar agrupar os sintomas mais específicos, de acordo com a idade, da seguinte forma:


Feto: Os fetos podem deprimir, é verdade! Tudo pode começar bem cedo! Isto pode acontecer, devido por exemplo, à ansiedade maternal na gravidez, pelo atraso no desenvolvimento fetal ou após o nascimento, entre outros factores.

Primeira Infância (0 a 2 anos): a depressão nos bebés manifesta-se por, uma recusa acentuada da criança em alimentar-se; um atraso no crescimento, no desenvolvimento psicomotor, da linguagem; perturbação do sono e afecções somáticas (A criança que está muitas vezes doente, faz febres, gripes, viroses com muita frequência!)

Idade pré-escolar (2 a 6 anos): nesta fase a perturbação depressiva, manifesta-se mais por distúrbios de humor (grandes birras, ou grande euforia momentânea substituída rapidamente por grande tristeza e apatia) distúrbio vegetativo (em que a criança não sabe nem gosta de brincar, isola-se muito e fica muito parada no seu canto. Não se interessa por nada). 
Nesta fase pode ainda verificar-se comportamentos regressivos a todos os níveis, nomeadamente a nível esfincteriano (podem voltar a fazer cocó e chichi nas cuecas ou na cama), motor e de linguagem.

Idade Escolar (6 a 12 anos): Entre os seis e os oito anos, o quadro depressivo caracteriza-se por tristeza prolongada, ansiedade de separação (a criança que não quer deixar a mãe para ir para a escola) e sintomas psicossomáticos ( dores de cabeça, dores de barriga, diarreias, febres) .
As crianças com mais de oito anos, expressam os seus sentimentos depressivos através de baixa auto-estima, ideias auto- depreciatórias, sintomas psicossomáticos, baixa de energia,desinteresse e desespero.
A depressão manifesta-se muitas vezes através das dificuldades escolares, ao nível da ansiedade, do desinteresse, das dificuldades da concentração intelectual e dos problemas de comportamento, para além dos problemas alimentares e de sono. Podem também surgir queixas psicossomáticas. Pode ainda verificar-se um aumento agressiviadde, grande irritabilidade, com envolvimento da criança em conflitos com os pares.
Um outro sintoma que pode ocultar também uma depressão é a “hiperactividade”,as crianças muito irrequietas, que não conseguem manter um mínimo de atenção nem de concentração.

Prevenção

Em vez de prevenção, podia estar escrito amor.
Os pais são os melhores actores na prevenção da depressão infantil, dando-lhes o seu amor e carinho, bem como compreensão e amparo e transmissão de confiança.

Tratamento

Como podem os pais ajudar….
Numa primeira fase, o papel dos pais passa por tentar perceber e empatizar com as dificuldades da criança, mesmo que estas pareçam insignificantes. Por exemplo, a mudança de casa ou de escola acarreta mais medos e angústias do que os adultos possam imaginar. Deve existir um ambiente de confiança, propício a que a criança se sinta à vontade para explorar as suas dificuldades. Os pais devem incentivar a criança a falar e entender os seus receios.

Quando recorrer ao psicólogo…


É pois importante que os pais estejam atentos às ALTERAÇÕES REPENTINAS do comportamento e do humor dos filhos.

Se estas alterações se prolongarem por mais de duas semanas, sem que haja uma causa identificável, é importante pedir ajuda de um Psicólogo ou Psicoterapeuta.
Tal como acontece noutras circunstâncias, os pais podem sentir-se incapazes de dar resposta a este tipo de problemas, pelo que a intervenção de um especialista passa a ser imprescindível.
No entanto é importante salientar que as crianças, pelo facto de ainda estarem em desenvolvimento são mais flexíveis, permeáveis, e aderem muito bem à psicoterapia o que permite uma evolução muito rápida no tratamento e um elevado grau de confiança no sucesso da intervenção.

A Psicoterapia com crianças é diferente da psicoterapia com adultos. A Psicoterapia com crianças inclui conselhos educativos e explicações; recurso aos jogos, às brincadeiras e ao desenho; a atitude do psicoterapeuta é mais participativa.
Com as crianças o ritmo das sessões variável, de acordo com a tolerância da criança.
Na Psicoterapia com crianças é muitas vezes necessário o envolvimento dos
pais na terapia
, pelo que além do trabalho com a criança é necessário também algumas sessões com os pais.