"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

terça-feira

A Depressão Infantil




Ninguém está à espera que o seu filho adoeça psicologicamente. Os pais sabem que o mal-estar físico é praticamente uma inevitabilidade, adaptam-se à circunstância de ver os seus filhos com febre, cólicas, dores de dentes ou constipações. Afligem-se quase sempre, assumem que dariam tudo para livrá-las daquele sofrimento, mas sobrevivem. Aprendem a gerir a ansiedade e, de um modo geral, sentem-se mais serenos no papel de cuidadores aquando do nascimento do segundo filho.

Estes episódios de doença física são comuns a quase todas as crianças, pelo que, por maior que seja a angústia dos pais, há sempre alguém experiente por perto que transmite calma e passa a mensagem de que o mal-estar vai passar. Mas nenhum pai ou mãe está à espera que o seu filho adoeça do ponto de vista psicológico, pelo que a depressão nas crianças e jovens é muitas vezes subdiagnosticada

Em muitos casos, em particular em crianças pequenas, os sinais de alerta são pouco claros, na medida em que a depressão se manifesta de forma atípica, confundindo-se facilmente com dificuldades de outra ordem. Noutros casos os sinais estão todos lá mas os adultos ignoram-nos - não por negligência mas porque ninguém está preparado para reconhecer que o seu filho, ainda tão pequenino, possa sofrer de uma doença que nos habituámos a atribuir aos adultos
Se a criança ou adolescente chora por tudo e por nada é mais fácil supor que teve um desgosto amoroso ou está a fazer birras por um motivo fútil qualquer. Se há resistência em ir à escola é porque ele(a) passou a ser preguiçoso(a). Se o filho se mostra incapaz de dormir sozinho e salta para a cama dos adultos é porque é mimado e está com dificuldade em crescer. Se há alterações súbitas de humor e/ou irritabilidade constante é sinal de insolência ou mau-feitio. Se a criança ou adolescente se queixa porque ouve barulhos esquisitos durante a noite é porque está a querer chamar a atenção. Se há alterações do apetite é porque está com a mania das dietas. E por aí fora.

A verdade é que cada pai ou mãe ama demasiado os seus filhos para reconhecer numa fase precoce o aparecimento da doença. De um modo geral, passam-se vários meses (às vezes anos) até que os pais assumam que as dificuldades são reais, não podem ser atribuídas ao desenvolvimento e precisam de ser, pelo menos, avaliadas por alguém clinicamente experiente.

Nem todos os clínicos estarão aptos a reconhecer os sinais de depressão em crianças e adolescentes mas uma avaliação rigorosa - realizada por um psicólogo infantil - permite imediatamente que a família se sinta ajudada e que a luz comece a visualizar-se ao fundo do túnel. 

Depois do diagnóstico podem surgir outros problemas, na medida em que os pais tendem, por um lado, a querer perceber a origem da doença (e isso pode passar por atribuir culpas injustamente), e, por outro, a mostrar grande resistência à intervenção farmacológica. Compete naturalmente ao médico que acompanha a criança esclarecer os pais a respeito das vias mais seguras para promover uma recuperação rápida e sólida aos seus filhos. A ideia de que o próprio filho possa ter adoecido sem que haja qualquer evento traumático identificável associada à necessidade de tomar um antidepressivo é contranatura, assustadora, impactante. 

Mas a verdade é que a depressão é uma doença com origem multifactorial, que nem sempre está associada a uma reacção a um acontecimento específico e que, para ser tratada, depende quase sempre da combinação de medicação antidepressiva com psicoterapia. 

Quando o problema é gerido como em qualquer outra situação de doença, isto é, com informação rigorosa, confiança nos médicos e cumprimento das prescrições, a depressão é tratada e a família readquire o bem-estar.


Por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Infantil

segunda-feira

Avaliação Psicológica da Criança no âmbito de Regulação das Responsabilidades Parentais


A avaliação psicológica forense no contexto do divórcio e da regulação do exercício das responsabilidades parentais é, na maior parte dos casos, uma tarefa extremamente complexa e exigente para os profissionais envolvidos na tomada de decisão.

O pedido de um relatório forense para avaliação psicológica pode chegar até ao psicólogo através do tribunal, advogado, ou de um dos progenitores.
O processo de avaliação psicológica  para regulação de responsabilidades parentais, baseia-se na observação das dinâmicas familiares o que permite analisar o grau de proximidade, conforto, linguagem corporal e verbal, qualidade da interação e comunicação; avaliação psicológica da criança de forma não invasiva; entrevista clínica aos progenitores; conversar/entrevistar professores e outras figuras significativas. 
Por exemplo, no caso de a mãe ou o pai ou ambos terem uma nova relação ou filhos, estes devem ser incluídos na observação das dinâmicas familiares, pois a criança irá estar em contato com os novos membros e é importante o psicólogo compreender qual o seu papel e como se sente na relação.
O objetivo é o técnico conhecer as dinâmicas familiares, as necessidades e desejos da criança, e quais os pontos fortes e as dificuldades de cada progenitor no envolvimento com a criança. Podendo dar o seu parecer acerca da regulação das responsabilidades parentais e aconselhar os pais se necessário a ter aconselhamento parental e/ou psicoterapia.

É importante que os pais não instruam ou influenciem a criança no que esta deve dizer ao técnico, não lhe criem expectativas do que poderá advir das intervenções, não há necessidade e devem permitir que a criança se sinta livre para se exprimir e ser honesta. 
Independentemente de quem faz o pedido, ambos os progenitores são contactados para participarem na avaliação, e é muito importante para o psicólogo escutar ambas as partes e poder observar a relação destes com os menores.

Um relatório que consista apenas na avaliação de uma das partes perde alguma da sua consistência, mas a recusa da outra parte também poderá ser relevante e dar indicadores ao psicólogo e magistrados.
Os relatórios forenses realizados pelo psicólogo serão elaborados com total imparcialidade, com responsabilidade ética e deontológica por parte do deste, tendo em conta, apenas, o superior interesse do(s) menor(es).
Significa isto, que independentemente de quem nos procura o nosso parecer irá sempre de encontro às necessidades manifestadas pela criança e não dos pais.

A importância dada pelos magistrados ao trabalho pericial forense, concretamente no que concerne à avaliação psicológica dos filhos e progenitores e das dinâmicas familiares, quando estão em causa questões que se prendem com a residência das crianças e com o regime de visitas é fulcral neste processo.

Por Dra. Catarina Policarpo, Psicóloga Clínica, Mediadora Familiar.

domingo

Como podem os pais ajudar para minimizar o sofrimento da criança face ao divórcio ?

As crianças beneficiam de uma coparentalidade positiva 

A Parentalidade Positiva define-se como um “comportamento parental baseado no melhor interesse da criança e que assegura a satisfação das principais necessidades das crianças e a sua capacitação, sem violência, proporcionando-lhe o reconhecimento e a orientação necessários, o que implica a fixação de limites ao seu comportamento, para possibilitar o seu pleno desenvolvimento”. (Recomendação do Conselho da Europa, Lisboa 2006)

 Quais os alicerces de uma boa parentalidade?

 Um dos grandes desafios que se apresentam aos pais, na situação de separação ou divórcio, é a relação que se estabelece entre eles no que concerne à educação e vida dos filhos.

Saber comunicar, organizar horários para dividir os tempos com os filhos, que regras e limites aplicar, a melhor forma de os acompanharem sem atropelos um ao outro, sempre atentos à satisfação das necessidades das crianças, serão seguramente alicerces para uma boa parentalidade.

O fim da relação conjugal não tem de significar o fim da relação parental, sendo apenas necessário encontrar e partilhar estratégias para que as coisas funcionem. É prioritário, no sentido do bem-estar dos filhos, que os pais, apesar do turbilhão de emoções por que possam estar a passar, procurem reorganizar-se emocional e mentalmente, cientes de que as crianças só têm a beneficiar se assim for.

As crianças adaptam-se facilmente a novas situações, mas é necessário proporcionar-lhes um ambiente seguro e estável, fazendo-as sentir amadas e protegidas por ambos os pais. 

 As nossas recomendações

 Pais e mães consideram que os filhos devem passar o tempo que têm disponível com eles e menos com os cuidadores externos, mas é igualmente importante que a criança partilhe também o seu tempo com membros da família alargada (avós. tios, primos) sem que isto seja visto como negativo para a mãe/pai. Toda a família que, antes do divórcio, mantinha contato com a criança e com quem esta desenvolvia uma relação afectiva, deve continuar presente na sua vida por constituir um valioso apoio.

Importa também reter que se pretendemos uma parentalidade positiva, não é permitido o progenitor/família denegrir a imagem do outro perante a criança.

 A comunicação e a cooperação são fundamentais para o planeamento e organização de actividades, bem como a existência de regras e limites, o que transmite maior segurança à criança, que está constantemente a testá-los.

Embora cada progenitor possua uma forma de educar (mais rígida, mais flexível, ponderada), na medida em que todos somos diferentes, é importante que procurem definir que crenças e valores pretendem, em conjunto, transmitir aos seus filhos, delineando assim o percurso a seguir.

As ordens não devem ser contraditórias, sendo fundamental a coordenação entre pai e mãe, que devem também estar cientes da importância do elogio à criança tanto quanto da responsabilização pelo não cumprimento da ordem.

Realçando de novo o papel da comunicação, há situações que exigem mais do que um simples sms. Por exemplo, se acontece que no fim de semana, que cabe à mãe, esta tem que trabalhar, deve contatar o pai diretamente, explicando o problema na expectativa da sua resolução (caso ele esteja disponível) ou, não o estando, de ter de procurar outra alternativa segura. São situações deste tipo que não podem ser encaradas como má vontade, por parte do outro, sob pena de se entrar em desnecessários conflitos.

Para os filhos, é muito salutar verem os pais felizes, sendo essa uma forte razão para o estarem também.

Cada pai/mãe deve dar o seu melhor e procurar respeitar a opinião do outro, mesmo que não concorde, pois esta a trabalhar na construção de valores e princípios que transmite aos filhos.

 É importante que cada progenitor tenha consciência que o outro é um bem precioso na vida dos seus filhos e que contribui para o seu desenvolvimento e crescimento.

Podemos sempre pensar que somos melhor que o outro, mas o que importa interiorizar, acima de tudo, é que a criança precisa dos dois e vai absorver os conhecimentos, os saberes e as experiências diferentes de cada um, enriquecendo com a diversidade.

Outro aspeto a focar é permitir que a criança leve consigo os seus pertences, se sentir necessidade, para a casa do pai ou da mãe, independentemente de quem os comprou. Será para ela mais confortável e dar-lhe-á um sentimento de maior segurança.

A planificação parental deve ser reajustada sempre que surjam alterações das necessidades, horários e mudanças familiares. As crianças devem ter tanto tempo de rotina estruturado como tempo livre com cada um deles, pai ou mãe.

O que provoca maior dor nas crianças não é propriamente o divórcio, mas sim os conflitos e discussões entre os pais que devem sempre ser evitados na sua presença.

O nosso conselho...

Sabendo que o exercício da parentalidade é uma experiência gratificante, mas também muito exigente e envolvente, quando os pais tomam a decisão de se separar/divorciar e se confrontam com dificuldades de comunicação, mas querendo, ainda assim, partilhar uma parentalidade positiva de forma a protegerem os seus filhos, podem recorrer à ajuda de um profissional, de um mediador familiar ou de um psicólogo que possa ajustar um plano de parentalidade às características dos progenitores, da criança e dos familiares e ainda a outros suportes em casos de contextos sociais e económicos difíceis.

A coparentalidade, exercida de forma positiva, ao envolver apoio e comprometimento mútuo, pode influenciar directamente a ligação pais/criança, criando vínculos mais fortes.

Por Dra. Catarina Policarpo, Psicóloga clínica e Mediadora familiar.

A importância dos pais no desenvolvimento dos filhos...

quarta-feira

Obsessões e Compulsões na Infância : do Normal ao Patológico..



“Um, dois, três, quatro, cinco, seis” – diz a criança no carro a contar as árvores ou postes que vão passando.

É habitual e até normal as crianças apresentarem, ao longo do crescimento, algumas obsessões. No entanto, com o desenvolvimento psicológico é espectável que esses pensamentos obsessivos e intrusivos desapareçam.

Como as crianças têm, normalmente, uma enorme dificuldade em relatar e descrever sensações, emoções e/ou sintomas, muitas vezes as suas as atitudes obsessivas e/ou compulsivas podem ser mal entendidas pelos pais, os quais tentam corrigir com chamadas de atenção, castigos ou agressões.

É importante, então, compreender do que se trata quando se fala de Perturbação Obsessiva-Compulsiva da Personalidade.

A obsessão é caracterizada pelo perfeccionismo, pela preocupação excessiva com detalhes, regras, listas, ordens, organização ou horários, entre outros. É comum que esta se desenvolva antes das obsessões ou, até mesmo, que exista sem obsessões (no caso das crianças). E há diversas formas de se mostrar. Por exemplo:
  • Ideias obsessivas de Dúvida - dificuldade em acreditar que determinada tarefa foi feita da forma certa. Ex: Nestes casos, os cadernos das crianças têm muitos sinais de borracha por terem apagado e escrito muitas vezes a mesma palavra
  • Ideias obsessivas de Sujidade e Contaminação – estão relacionadas com temas como pó, sangue, doenças. A criança pode ter ideias obsessivas quanto à sua auto-estima, achando-se suja por exemplo.
Por sua vez, a compulsão, é um comportamento sistemático, repetitivo e intencional que surge, muitas vezes, devido à ansiedade causada pela obsessão ou para evitar que alguma situação que assusta a criança realmente ocorra. Por exemplo: “se eu não bater na madeira 3 vezes, alguém de minha família vai ficar doente”... “se eu não rezar 2 vezes essa oração, o monstro mau aparece debaixo da cama”...

 As compulsões mais comuns são:
  • Limpeza e descontaminação - como por exemplo, lavar mãos, roupas, objectos pessoais repetidamente

  • Verificação - diz respeito à necessidade absurda de testar, conferir ou examinar repetidamente as coisas para conferir que ficou bem feito. Por exemplo, voltar inúmeras vezes para confirmar se a porta está fechada, a luz apagada, a janela fechada, a gaveta fechada, etc.  
  • Repetir ou tocar - muito comum também, uma vez que a própria característica das compulsões é a repetição. Acender e apagar a luz diversas vezes para aliviar a ansiedade da dúvida de ter deixado acesa .
33 a 50% das pessoas referem que o início da perturbação ocorreu na infância ou adolescência pelo que é preciso estar atento quando um pequeno grau de obsessões não só se mantém como, diversas vezes, aumenta e domina o dia-a-dia da criança, colocando-a num enorme sofrimento pois, por vezes, o inicio é repentino e muito claro para as pessoas em redor; outras vezes é insidioso e pouco óbvio.

 Outro sinal que poderá ser valioso para os pais diz respeito ao rendimento escolar. Este, por norma, tende a diminuir como consequência da menor capacidade de concentração da criança, que se encontra dominada e assaltada por outros pensamentos que não aqueles que dizem respeito à aprendizagem.

 Acima de tudo, independentemente das diversas características que a Perturbação Obsessivo-Compulsiva pode ter e apresentar, é fundamental compreender se o bem-estar da criança está a ser posto em causa pois, muitas vezes, a criança, devido às obsessões e/ou compulsões, sofre internamente, muitas vezes de forma silenciosa, e nestes casos é importante procurar ajuda especializada.

A intervenção precoce nestes casos pode evitar a consolidação de funcionamentos muito angustiantes para a criança.

 É fundamental nunca esquecer que, a infância, apesar de repleta de contos infantis com finais felizes, salas de brinquedos e muita inocência pode, naturalmente, ser contaminada por dúvidas, medos, receios e/ou angústias. Que são válidas e legitimas e que devem ser ouvidas e tratadas para que a criança e os pais consigam dar um nome ao sofrimento que não entendem e reconhecem. 

sexta-feira

Fobia Escolar


O Início do ano lectivo está aí e o retorno ou a entrada na escola nem sempre é calma e tranquila para todas as crianças.


Há sempre algum nervosimo e ansiedade no retorno, pode mesmo para alguns atingir niveis muito elevados de ansiedade e angustia com uma recusa total à escola: a Fobia escolar

A Fobia escolar afecta, cerca de 5% de crianças do jardim de infância, e cerca de 2% de crianças do ensino básico registando-se uma maior incidência de fobia escolar no primeiro ano lectivo da criança.


No entanto não é raro que a fobia escolar apareça no, 2º ciclo, ou secundário ou até mesmo na entrada da faculdade, pois como referido estas manifestações estão muito associadas a “ansiedade face ao desconhecido” e as mudanças de ciclo escolar, são sempre algo muito significativas para a criança e /ou adolescente.

O que caracteriza uma fobia escolar? 

A Fobia escolar é um medo exacerbado que a criança sente em ir para a escola.
A Fobia escolar é uma perturbaçao da ansiedade e tem tratamento.

Numa situação típica de fobia escolar, a criança/jovem logo de manhã acorda com queixumes de dor de barriga associado por vezes a vómitos, diarreias, dor de cabeça, com intensificação do sintoma à medida que se aproxima a hora de ir para a escola, com verbalização do tipo “…não quero ir para a escola…” ou por vezes na véspera poderá surgir a questão “…amanhã é dia de ir para a escola?...” Despertando nos próprios pais alguma ansiedade na busca de melhor lidar com a situação e não deitar tudo a perder.

Na Fobia escolar da criança está, quase sempre, latente uma grande “ansiedade de separação” dos seus pais e do mundo que lhe é familiar e no qual se sente protegido.
Estas crianças geralmente, apresentam também, dificuldades em dormir sozinhas, medo de ir para casa de amigos, entre outras relutâncias em se distanciar das pessoas com as quais passa a maior parte do tempo.

Esta fobia escolar ou recusa ansiosa escolar é mais frequente no primeiro ano lectivo da vida da criança. Na fobia escolar, a criança fala da escola sempre com medo, negativismo e pode chorar para não ir.

Até se transformar na ‘segunda casa’, a escola representa um mundo desconhecido. Por isso, nos primeiros dias de aula, os sintomas podem ser mais intensos porque a criança se vê às cinco minutos parece uma eternidade.

Na escola, é muito comum, que a criança se afaste dos colegas, se isole, não brinque, já que se sente muito mal lá dentro.

Além da manifestação explícita de não querer ir à escola, a fobia escolar pode atingir sintomas tais como :choro frequente, suores frios ou tremores, diarreia, vómitos, medo de ficar sozinha, medo de algo abstracto, incapacidade de enfrentar o problema sozinha, perda do apetite, voltar a urinar na cama, insónias, pesadelos, entre outros.

A fobia é um problema que difere completamente de preguiça ou má vontade, e do absentismo. Os próprios pais percebem isso no comportamento da criança. Também é diferente da recusa esporádica em ir à escola, especialmente após as férias.

No caso da fobia, as crianças regressam a casa, apresentam ansiedade com sintomas psicossomáticos, enquanto que os absentistas não vão para casa, não sentem ansiedade, nem sintomas. Enquanto que nas fobias as crianças têm um perfil caracterizado por serem conscienciosas, perfeccionistas e bem comportadas, nos absentistas manifestam comportamentos desajustados ou delinquentes. Esta distinção é importante que seja feita, para um modo de abordar e intervir adequado pelos próprios pais.

Geralmente, as crianças que desenvolvem essa ansiedade e medo incontroláveis são boas alunas e não perdem rendimento escolar.

Quando o problema surge é essencial que a equipa da escola saiba o que está acontecendo, pois, muitas vezes, uma figura de confiança do aluno deve acompanhá-lo e permanecer por um determinado período no ambiente escolar, até que ele desenvolva autoconfiança. Os próprios coordenadores podem, por vezes, desempenhar este papel, ao ficarem mais próximos deste aluno, encorajando-o a ponto de se sentir bem na sala de aula.

O que pode estar na origem deste tipo de fobia?
Os motivos que levam a criança a desenvolver fobia escolar podem ser vários ou uma associação deles. Dentre eles estão a predisposição biológica (genética), a mudança de escola, professor severo, conflito com colegas, o temperamento da criança, a vulnerabilidade à acção do ambiente familiar( mudança de casa, divórcio dos pais, morte de um familiar, conflitos familiares), e até mesmo a preocupação excessiva de alguns pais com a separação dos seus filhos.

Os sintomas da fobia escolar estão fortemente associados ao tipo de relação da criança com seus pais, desde o nascimento até a idade pré-escolar.

Porém, é interessante salientar que duas ou mais crianças que recebem a mesma educação, tanto escolar quanto familiar, (filhas dos mesmos pais), não significa necessariamente que todas irão desenvolver fobia escolar.

A fobia escolar também pode ter origem em agressões verbais ou físicas de que a criança foi vítima na escola ( ou seja, ser vítima de bullying).

Em que é que difere de uma ansiedade normal no regresso às aulas?

O primeiro ou primeiros dias desencadeiam naturalmente algum nervosismo, perante a ideia de novos professores, nova turma, nova escola ou simplesmente a mudança de rotina das férias para as aulas, até os mais calmos poderão ficar afectados nas primeiras semanas de aulas.

Outros casos existem em que a ansiedade normal pode dar lugar a medos mais significativos. As fobias ocorrem com frequência nas crianças e por vezes desaparecem espontaneamente, sinal que a criança conseguiu ultrapassar os seus receios.
No caso específico da fobia escolar, enquanto perturbação emocional que desencadeia uma resposta fóbica face à escola, inicialmente não deverá ser motivo de alarme, de um modo tranquilo os pais deverão sempre incentivar e encarar com optimismo a hora de ir para a escola, sem forçar bruscamente mas persistir no cumprimento da assiduidade escolar.
Caso este comportamento persista para além de dois meses, será importante procurar outro tipo de suporte de modo a evitar o agravamento da situação, mesmo na futura vida escolar e social da criança/jovem.
O que podem os pais fazer para ajudar os filhos com fobia escolar?
È muito importante que os pais, não ridicularizarem ou subestimem os medos da criança, pelo contrário, devem mostrar compreensão.

Porém, também devem facilitar que a criança se afaste da escola. No momento de ir para escola os pais devem ser firmes, mas respeitar a limitação de seus filhos, pois para eles já é muito difícil estar com esta dificuldade.

È importante Incentivar a criança a ir à escola, nunca obrigá-la e tentar tranquilizá-la, que no fim do dia volta a estar com os pais. Por vezes os pais poderão mesmo ter de permanecer durante alguns periodos na escoal para ajudar a criança a tranquilizar-se.
Manter o máximo de diálogo com a criança
Ajudar a criança a encontrar o meio de superar o obstáculo
Fazer com que os amigos sejam elementos importantes na inserção na escola.

Se os sintomas persistirem para além de dois meses, e em casos mais críticos, os pais devem encaminhar o filho para psicoterapia.O tratamento da criança com fobia escolar deve ser abrangente: é necessária a participação efectiva da escola, dos pais e do psicólogo. Essa interacção, entre todos e esse envolvimento é que vão fazer com que a criança supere a fobia.


É fundamental que os pais fiquem atentos quanto à procura de profissionais especializados ( psicólogos ou psicoterapeutas) dado que esta fobia pode ocasionar um afastamento da escola, fracasso e repetência escolar, vergonha de enfrentar novamente os colegas, entre outros factores.

Todos estas consequências reduzem a auto-estima da criança, com consequências para o resto de sua vida. Além disso, a tendência de uma criança com fobia escolar, se não for ajudada a ultrapassar a situação, é que desenvolva outros medos, como, por exemplo, de elevador, animais, escuro, etc. Enfim, os danos são grandes quando se adia o tratamento.


Procurar ajuda, ouvir as diretrizes dos profissionais envolvidos e poder dividir as dificuldades que possam encontrar no tratamento de seu filho, contribuirá efetivamente na maravilhosa tarefa de ser pai e mãe e no desenvolvimento de uma criança feliz.

sábado

Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais



Os resultados das investigações psicológicas apoiam a possibilidade de co-adopção por parte de casais homossexuais, uma vez que não encontram diferenças relativamente ao impacto da orientação sexual no desenvolvimento da criança e nas competências parentais.

As dúvidas, perguntas e receios que se colocam sobre as capacidades parentais e o desenvolvimento psicológico das crianças e adolescentes que crescem numa família homoparental têm sido respondidos por 
inúmeras investigações científicas realizadas em diversos países. Este amplo corpo de evidências científicas pode contribuir para informar e esclarecer o debate teórico, político e legal acerca da co-adopção.

As conclusões a que estes estudos chegaram resumem-se facilmente: as crianças e adolescentes de famílias homoparentais não diferem significativamente das crianças e adolescentes de famílias 
heteroparentais no seu bem-estar, assim como em nenhuma dimensão do desenvolvimento psicológico, emocional, cognitivo, social e sexual.

Um desenvolvimento saudável não depende da orientação sexual dos pais, mas sim da qualidade da relação entre pais e filhos e dos vínculos de afecto seguros que se estabelecem entre eles.


Não existe fundamentação científica para afirmar que os pais homossexuais não são bons pais com base na sua orientação sexual. Pelo contrário, aquilo que as evidências científicas acumuladas sugerem é que os homossexuais, tal como os heterossexuais, possuem as competências parentais necessárias para educar uma criança, podendo oferecer-lhe um contexto familiar afectuoso, saudável e potenciador do seu desenvolvimento.

Estes resultados, replicados e consistentes em inúmeros estudos, permitiram alcançar um consenso na comunidade científica: a orientação sexual parental e a configuração familiar homoparental não parecem ser 
um factor determinante do desenvolvimento infantil nem da competência parental.

O que é universal quando se fala de parentalidade é que as crianças precisam de ser protegidas, cuidadas e educadas. A instituição do parentesco, que não decorre apenas da biologia, deve ser fundamentada em princípios como o cuidado, o amor, a protecção e a responsabilização na criação das crianças (Almeida, 2006).

Desta forma, as evidências científicas sugerem que as decisões importantes sobre a vida das crianças e adolescentes sejam tomadas com base na qualidade das suas relações com os pais e não com base na orientação sexual dos mesmos. 

A continuidade afectiva deve ser o valor fundamental a preservar, dando às crianças o direito de saber que as suas relações com os pais (ou com os indivíduos que desempenham essas funções parentais) são estáveis e legalmente reconhecidas.

Fonte: Ordem dos Psicólogos Portugueses (2013). Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais. Lisboa.

segunda-feira

Ingresso escolar antecipado para o 1º ciclo?? Quando faz sentido???


      
O que é o Estudo de Maturidade da Criança para Ingresso antecipado na escola ?
É um estudo que permite aferir do estado das várias competências emocionais e cognitivas das crianças que são necessárias ao processo de aprendizagem com que ela se irá deparar na escola. Este estudo é realizado por um conjunto de testes psicológicos, validados cientificamente, e que serão passados à criança, por um psicólogo. Após a avaliação o psicologo poderá dizer aos pais se a criança tem a maturidade quer psicológica quer emocional necessária, para integrar o 1º ciclo antecipadamente. 

 Quais as crianças que devem fazer esta avaliação?

Esta avaliação é adequada para situações em que a criança pode entrar para o ensino primário antes da idade estipulada por lei.
Este estudo é particularmente importante para crianças que fazem os 6 anos apenas em Janeiro e Fevereiro, não podendo por isso entrar nesse ano na escola, com implicações negativas muitas vezes, para a criança face à perda do seu grupo de amigos, para além do atraso de um ano lectivo no seu percurso escolar, sem necessidade para que isso aconteça.

Como se processa legalmente o pedido de Ingresso antecipado na escola?

a)                 Os Requerimentos devem ser dirigidos, até ao dia 31 de Maio de 2013, ao Director do Agrupamento de Escolas ou Escola não Agrupada, caso os Pais ou Encarregado de Educação pretendam que o seu educando frequente um estabelecimento da rede pública, ou ao Director Regional de Educação respectivo, caso pretendam que aquele frequente um estabelecimento da rede privada ou cooperativa;

b) Reportar-se a crianças que atinjam os 6 anos de idade, no ano civil seguinte àquele em que os respectivos Pais ou Encarregado de Educação pretendem o seu ingresso no 1º CEB;

c)Estar fundamentado e instruído com um relatório de avaliação psicopedagógica da criança, elaborado por serviços especializados ou por especialistas da área da psicologia ou do desenvolvimento, devidamente identificados.

Sem prejuízo do constante nas alíneas anteriores, a aceitação da matrícula depende sempre da existência de vaga.


A Directora Clínica do Crescer
M. Jesus Candeias