"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

sábado

EDUCAR COM INTELIGÊNCIA EMOCIONAL



“A vida familiar é a nossa primeira escola para a aprendizagem emocional” Daniel Goleman “autor” da Inteligência Emocional afirma que “ neste caldeirão de intimidade aprendemos como sentir-nos a respeito de nós próprios e como os outros reagirão aos nossos sentimentos; o que pensar a respeito desses sentimentos e que escolhas temos ao nosso dispor para reagir; como ler e exprimir esperanças e medos. Esta aprendizagem emocional funciona não só através das coisas que os pais dizem e fazem directamente às crianças, mas também dos modelos com os seus próprios sentimentos e com aqueles que passam entre marido e mulher emocionais muito dotados; outros são péssimos”·

A inteligência emocional representa a capacidade de controlarem os impulsos, de aumentarem o prazer e motivarem-se a si próprios, aprendendo a interpretar os seus sentimentos e, de como os outros reagirão aos seus sentimentos, o que pensar a respeito destes sentimentos e que escolhas têm ao seu dispor para reagir, como ler e exprimir esperanças e medos.

A capacidade de lidar com os sentimentos e a consciência emocional são mais importantes que o QI para o sucesso e a felicidade em todas as vivências
A boa educação implica muito mais que o intelecto, esta requer emoção, neste sentido para as crianças terem uma boa educação é necessário que os pais ou os seus educadores os ajudem a gerir as emoções.

Esta aprendizagem emocional funciona, não só através das coisas que os educadores( Pais e educadores escolares, ou outros que fazem parte no dia a dia da criança)  dizem e fazem directamente às crianças, mas também dos modelos que oferecem no modo como lidam com os seus próprios sentimentos e com aqueles que passam nas suas relações interpessoais. Os educadores são professores emocionais essenciais no seu desenvolvimento da criança-

Com Inteligência Emocional é possível obter mais tranquilidade, harmonia no quotidiano e reduzir o nível de stress e introduzir mais disponibilidade para se divertir nas suas relações com as crianças. Ajudar as crianças a crescerem de forma responsável, auto-disciplinadas e sociavelmente melhor  preparadas.


Passos da Inteligência Emocional

O pilar da Inteligência emocional “Faça aos seus filhos/educandos o que gostava que os outros lhe fizessem a SI”
Esta regra contém os cinco princípios para educar as crianças com I.E que são:

1. Tome consciência dos seus próprios sentimentos e dos sentimentos da criança:

 

Muitas vezes as crianças com problemas comportamentais sentem também dificuldades em classificar os seus sentimentos, são capazes de confundir, por exemplo, aborrecido com enlouquecido, preocupado com triste. A partir do momento que formos capazes de 

identificar os nossos múltiplos sentimentos, as possibilidades de os controlar são muito maiores.

2. Mostre empatia e compreenda os seus pontos de vista
Quando tivermos consciência dos nossos sentimentos relacionamo-nos com empatia, que é a compreensão emocional não verbalizada das crianças. Desta forma será mais fácil perceber o que as crianças estão a sentir. Para este princípio ser eficaz será necessário ter capacidade de ouvir com atenção e de perceber os sinais de comunicação não-verbal.

3. Compreenda de forma positiva os impulsos emocionais e comportamentais

Como seres sociais estamos programados para reagir aos problemas de maneira instintiva, obtemos pouca eficiência nos resultados. Com a utilização da Inteligência Emocional, é possível aplicarmos os nossos conhecimentos sobre os nossos próprios sentimentos e os dos outros, por forma a controlar os nossos impulsos eficazmente.

4. Identifique os seus objectivos e planifique acções positivas para alcançá-los

Após a identificação dos objectivos é necessário planificar as acções com esperança e optimismo. Esta disposição contagia a nossa mente, os nossos sentimentos e o nosso corpo.
Perceber quais os melhores momentos do dia, dos educadores e da criança para alcançar os objectivos e investir nestes períodos.

Para controlar melhor as estratégias é importante registar os seus resultados.
Ajudar a criança a ter consciência do que significa um objectivo por meio de analogias, fazendo-a perceber a sua importância neste processo.

5.Utilize as competências sociais positivas nos seus relacionamentos

Para os educadores e as crianças terem um relacionamento interpessoal eficaz, é necessário, comunicar e saber resolver problemas. Para comunicarmos é fundamental, saber ouvir e também temos de ser capazes de nos expressar com objectividade.

Competências relacionadas com o saber fazer parte de um grupo, e que contribuem para termos uma participação mais efectiva dentro dos grupos e que quando os membros do grupo utilizam estas capacidades estes funcionam melhor, tais como: aprender a ouvir os outros com atenção; saber esperar a vez; harmonizar os sentimentos; obter consensos e expressar com clareza os nossos pontos de vista.

Competências sociais como a capacidade de resolver problemas interpessoais e efectuar escolhas adequadas, pensadas e responsáveis, assim como em arranjar alternativas construtivas quando surgem obstáculos no relacionamento com os outros. 



 E NÃO SE ESQUEÇAA vida familiar é a nossa primeira escola para a aprendizagem emocional" 


Cuide de si e da sua familia!


Por Dra. Maria Carvalho Pereira, Psicóloga Infantil

segunda-feira

Só Amor não basta! .....As crianças precisam de disciplina!


A seguir ao Amor, a Disciplina é a segunda dádiva mais importante que os pais devem dar à criança. (Brazelton, 1996).


A palavra "disciplina" deriva de "discípulo
" e tanto uma quanto outra palavra, tem origem no termo latino para pupilo que, por sua vez, significa instruir, educar treinar, dando ideia de modelagem total de carácter.
Assim, a palavra disciplina, além de significar, em sentido académico, matéria, aula, cadeira ou cátedra, também é utilizada para indicar, em educação, a disposição dos alunos em seguir os ensinamentos e as regras de comportamento.

Então o que é disciplinar ?

Disciplinar significa “ensinar”, e não castigar.
Logo, a interiorização de regras passa por ensinar a criança.


As provocações das crianças, as birras, as mordidelas, mexer no, que não pode, mandar coisas ao chão, comportamentos violentos, entre outros, são a forma que as crianças encontram para que os pais lhe digam:


• Quais são os seus limites;
• O que ela pode ou não fazer,
• Compreender dentro de si o que está bem e o que não está bem;

As crianças sentem que precisam de disciplina e tentam abusar, para obrigarem os pais a impor limites.

O que são regras? O que é a disciplina ?


 As Regras são normas de conduta em sociedade ( utilização de espaços, boas maneiras, respeito pelos pertences dos outros etc.)
 A Disciplina tem a ver com a imposição de limites, internos primeiro e depois externos.

A Disciplina começa ao nascer, ou antes (quando a criança ainda está no útero depende dos hábitos da mãe) e está intimamente ligado com a aprendizagem das regras sociais (quem não tem limites não tem regras).

O que são limites?
Algo que não é visível ( está implícito) mas que determina o que pode ser feito e o que não pode. Define até onde a criança pode ir.
Os limites vão sendo construído internamente nos interditos (aquilo que não é dito) dos pais.
Ao estabelecerem durante os primeiros anos de vida da criança limites firmes, mas carinhosos, os pais ajudam-na a formar os padrões internos de que irá necessitar ao logo da vida.

Se não são disciplinadas, as crianças começam a ficar “mimadas”.

Objectivos da disciplina
Ajudar a criança a aprender o auto controlo:
  • Reconhecer os próprios impulsos: Como são desencadeados como podem magoar os outros e como os controlar.
  • Reconhecer os seus sentimentos e aquilo que lhes está subjacente: Identifica-los, expressa-los ou mantê-los escondidos, caso seja necessário.
  • Compreender os sentimentos dos outros: compreender as suas causas, preocupar-se com aquilo que os outros sentem e reconhecer o efeito que os seus actos tem sobre os outros.
    Ajuda a criança a desenvolver um sentido de justiça e a motivação para se comportar de forma justa.
O altruísmo: a descoberta da alegria de dar, e até de fazer sacrifícios por outros seres humanos.


Algumas sugestões para lidar com as provocações da criança….
• Dê-lhe outros modelos ou ideias de como se pode comportar;
• As regras devem ser adaptadas ao desenvolvimento da criança;
• Os pais devem ter em conta a sensibilidade da criança;
• Os pais devem tentar não interferir quando os filhos estão com outras crianças

Algumas Dicas para lidar com uma birra…Afastem-se, mas apenas por um breve período;
Passada a crise, abracem-na e acarinhem-na e expliquem-lhe porque é que isso foi necessário;
Digam-lhe como é que se deveria comportar na situação;
O castigo físico tem grandes desvantagens

Mas, a mais importante de todas as regras….

Nunca se esqueça de Elogiar o seu filho quando ele não se está a comportar mal e dizer-lhe o quanto se orgulha dele.
A Disciplina é fundamental na educação da criança e se não for feita na infância, a sua posterior aquisição será mais difícil.
 Sem elas os desafios dos anos futuros serão ainda mais difíceis.

Se sente que neste momento está em dificuldades com o seu filho e não consegue controlar a situação, peça ajuda a um psicólogo! 

Uma intervenção precoce pode corrigir atempadamente a formação de “pequenos ditadores” e restabelecer o equilíbrio e o desenvolvimento saudável da criança e da própria familia!
Conte connosco!

Por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga clínica e Psicoterapeuta Infantil.

Adolescência em família.




 É comum que, durante a etapa da adolescência, surjam mudanças significativas nas relações familiares. 
Em muitos casos, essas mudanças fazem-se acompanhar de um aumento de conflitos entre pais e filhos.

É sabido que a adolescência é uma fase de grande intensidade emocional, na qual a identidade se vai, progressivamente, consolidando. 

Uma das primeiras manifestações deste processo é a necessidade, por parte do adolescente, de se “afastar” da sua família de origem e envolver-se, de forma mais profunda, com o seu grupo de pares. O “afastamento” do jovem é muitas vezes sentido, por parte dos pais, como “rebeldia sem motivos aparentes”. Os pais poderão sentir-se particularmente lesados quando julgam que criaram uma boa base relacional, de confiança, que não deveria “provocar” este tipo de comportamento da parte do/a seu/sua filho/a.

No entanto, a adolescência traz consigo a necessidade de questionar, de descobrir, de redireccionar. 
Passa a haver a necessidade de rever as regras, os valores e até as crenças familiares.  
Um/a filho/a mais instável e irritado/a pode tão somente estar a manifestar, à sua maneira, a necessidade de diferenciação das figuras parentais, em busca da sua própria identidade.
É comum os jovens manifestarem ataques de raiva, isolarem-se em quartos fechados, buscarem apoio nos avós ou começarem a apresentar comportamentos desafiadores ou de risco.

Os adolescentes desafiam o sistema familiar porque essa é a natureza do desenvolvimento
A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do reequilíbrio emocional. 
O adolescente ainda não é adulto, pelo que necessita de contar ainda com uma família que lhe garanta as necessidades de afecto, de segurança e de estrutura. 
A clareza das regras e limites é essencial para assegurar estes 3 grandes pilares da vida do adolescente.

No entanto, torna-se necessário apostar num aumento da flexibilidade das fronteiras e na forma de expressar a autoridade dos pais/cuidadores, de forma a manter a harmonia familiar. 
Famílias com fronteiras mais flexíveis permitem que o adolescente se vá experimentando em diferentes territórios, aproximando-se quando se sente inseguro e afastando-se quando necessita de testar a sua independência.

Para garantir a solidez das relações intra-familiares, neste contexto, são necessários esforços de todos os membros da família, até encontrar novos padrões de convivência, adaptados a esta etapa do ciclo vital.

É natural que, havendo mais irmãos na mesma fase adolescente, se sintam algumas oscilações ao nível dos afectos, da solidariedade, da rivalidade e da hostilidade. 
As experiências partilhadas entre irmãos são consideradas as primeiras e mais intensas entre pares. Ao contrário da relação com os pais, espera-se que exista um nível hierárquico similar entre os irmãos. Num grupo de iguais, os irmãos aprendem a dividir o espaço e as regras familiares, que são a base das suas futuras relações.
 Quando os irmãos adolescentes se prestam a aceitar as transformações inerentes à etapa que estão a passar, a relação entre eles vai assumindo características cada vez mais positivas e menos conflituosas.

A mais-valia da terapia familiar, neste contexto, é possibilitar que os conflitos e as dificuldades sentidas com a transição para a vida adulta (quer por parte dos pais/cuidadores quer por parte dos/as filhos/as), se vão diluindo, à medida que se fortalece a comunicação, o crescimento pessoal e se redefine um modo de estar em família que seja capacitador e potenciador de soluções. 


Por Dora Rebelo, Terapeuta Familiar

sábado

O que é a Psicoterapia Cognitiva -Comportamental?



1.      A Terapia Cognitivo-Comportamental: modelo de resposta emocional
A Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma forma de psicoterapia que se baseia no pressuposto de que os problemas emocionais e comportamentais do individuo surgem na sequência de uma percepção distorcida ou disfuncional dos acontecimentos diários, influenciando assim o afecto e o comportamento humano. É aqui de salientar, que esta terapia não diz às pessoas como elas devem pensar, sentir ou agir numa situação problemática. Antes, ajuda o individuo a aceitar de uma forma mais saudável e calma um determinado problema pessoal. Desta forma, não só o individuo se sente melhor, como mais facilmente consegue utilizar os seus recursos, energia, inteligência e conhecimentos para resolver o problema.

2.      A boa relação terapêutica é importante mas não o foco
Para ajudar o seu cliente, o terapeuta procura entender como é que perante um problema o individuo se: comporta (o que a pessoa faz e como o faz), as suas cognições (o que a pessoa pensa e sente) e as condições ambientais (como se estrutura e organiza o ambiente no qual a pessoa vive). Á medida que se vai compreendendo como é que estes três factores interagem entre si, o terapeuta elabora um plano de intervenção para modificar ou corrigir a distorção ou disfuncionalidade que provocam sofrimento ao individuo.

3.      Esforço colaborativo entre terapeuta e cliente
Para conseguirem chegar a um perfeito entendimento do individuo o terapeuta geralmente faz perguntas (método socrático). O terapeuta também incentiva os indivíduos a se questionarem a si mesmos, como: “como é que eu sei que as pessoas se estavam a rir de mim?” “Elas podiam estar a rir-se de outra coisa qualquer que não eu”.

4.      Terapia estruturada e directiva
Os terapeutas cognitivo-comportamentais têm uma agenda própria para cada sessão. Em cada uma determinados conceitos acerca da problemática são ensinados e debatidos. Não esquecer que esta terapia se centra nos objectivos dos pacientes. Nós não dizemos aos indivíduos quais é que são os seus objectivos o que “deve” ser ou o que “deve” tolerar. Somos directivos no sentido em que mostramos aos indivíduos a forma de pensar e agir de forma a atingirem aquilo que pretendem. Resumindo, os terapeutas cognitivo-comportamentais não dizem aos indivíduos o que fazer, em vez disso eles ensinam como fazer.


5.      Terapia baseada num modelo educacional
Esta terapia baseia-se na suposição científica que a maioria das reacções emocionais e comportamentais é aprendida. Portanto o objectivo da terapia é ajudar as pessoas a desaprender as suas reacções indesejadas.
A ênfase educacional desta terapia tem um benefício adicional – que leva a resultados a longo prazo.

 6. O Método indutivo
O método indutivo encoraja-nos a olhar para os nossos pensamentos como hipóteses ou suposições que podem ser questionados e testados. Se descobrirmos que nossas hipóteses estão incorrectas (porque temos novas informações), então podemos mudar o nosso pensamento para estar em sintonia com a situação como realmente é.

7.Trabalho-de-casa: uma característica central
A realização e concretização de objectivos poderia levar muito tempo se o individuo pensasse sobre as técnicas e temas que aprende durante apenas uma hora, duração de uma sessão de terapia. É por isso que os terapeutas cognitivo-comportamentais atribuem tarefas de leitura e encorajam os indivíduos a praticar em casa as técnicas aprendidas. 

A Terapia cognitivo-comportamental é uma terapia de resposta breve, focada no problema, e se manifesta bastante eficaz num leque diverso de problemas, quer em adultos, quer em crianças. 

Por Dra. Carolina Mesquita

domingo

Adolescência em família.



 É comum que, durante a etapa da adolescência, surjam mudanças significativas nas relações familiares. 
Em muitos casos, essas mudanças fazem-se acompanhar de um aumento de conflitos entre pais e filhos.

É sabido que a adolescência é uma fase de grande intensidade emocional, na qual a identidade se vai, progressivamente, consolidando. 

Uma das primeiras manifestações deste processo é a necessidade, por parte do adolescente, de se “afastar” da sua família de origem e envolver-se, de forma mais profunda, com o seu grupo de pares. O “afastamento” do jovem é muitas vezes sentido, por parte dos pais, como “rebeldia sem motivos aparentes”. Os pais poderão sentir-se particularmente lesados quando julgam que criaram uma boa base relacional, de confiança, que não deveria “provocar” este tipo de comportamento da parte do/a seu/sua filho/a.

No entanto, a adolescência traz consigo a necessidade de questionar, de descobrir, de redireccionar. 
Passa a haver a necessidade de rever as regras, os valores e até as crenças familiares.  
Um/a filho/a mais instável e irritado/a pode tão somente estar a manifestar, à sua maneira, a necessidade de diferenciação das figuras parentais, em busca da sua própria identidade.
É comum os jovens manifestarem ataques de raiva, isolarem-se em quartos fechados, buscarem apoio nos avós ou começarem a apresentar comportamentos desafiadores ou de risco.

Os adolescentes desafiam o sistema familiar porque essa é a natureza do desenvolvimento
A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do reequilíbrio emocional. 
O adolescente ainda não é adulto, pelo que necessita de contar ainda com uma família que lhe garanta as necessidades de afecto, de segurança e de estrutura. 
A clareza das regras e limites é essencial para assegurar estes 3 grandes pilares da vida do adolescente.

No entanto, torna-se necessário apostar num aumento da flexibilidade das fronteiras e na forma de expressar a autoridade dos pais/cuidadores, de forma a manter a harmonia familiar. 
Famílias com fronteiras mais flexíveis permitem que o adolescente se vá experimentando em diferentes territórios, aproximando-se quando se sente inseguro e afastando-se quando necessita de testar a sua independência.

Para garantir a solidez das relações intra-familiares, neste contexto, são necessários esforços de todos os membros da família, até encontrar novos padrões de convivência, adaptados a esta etapa do ciclo vital.

É natural que, havendo mais irmãos na mesma fase adolescente, se sintam algumas oscilações ao nível dos afectos, da solidariedade, da rivalidade e da hostilidade. 
As experiências partilhadas entre irmãos são consideradas as primeiras e mais intensas entre pares. Ao contrário da relação com os pais, espera-se que exista um nível hierárquico similar entre os irmãos. Num grupo de iguais, os irmãos aprendem a dividir o espaço e as regras familiares, que são a base das suas futuras relações.
 Quando os irmãos adolescentes se prestam a aceitar as transformações inerentes à etapa que estão a passar, a relação entre eles vai assumindo características cada vez mais positivas e menos conflituosas.

A mais-valia da terapia familiar, neste contexto, é possibilitar que os conflitos e as dificuldades sentidas com a transição para a vida adulta (quer por parte dos pais/cuidadores quer por parte dos/as filhos/as), se vão diluindo, à medida que se fortalece a comunicação, o crescimento pessoal e se redefine um modo de estar em família que seja capacitador e potenciador de soluções. 


Por Dora Rebelo, Terapeuta Familiar