"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos
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terça-feira, janeiro 08, 2019

Depressão... Uma doença apenas dos adultos ou também das crianças?


Depressão Infantil


Será a depressão uma doença apenas dos adultos ou também das crianças?



Inicialmente, considerava-se que era praticamente insignificante a incidência de perturbações afetivas em idades infantis. Esta situação acontecia pois os fenómenos afetivos nestas idades tornam-se difíceis de identificar, dada a dificuldade em diferenciar os fenómenos físicos, dos fenómenos psicológicos, em crianças que se encontram em desenvolvimento.

Além do mais, nenhum pai ou mãe está à espera que o seu filho adoeça do ponto de vista psicológico. Sabem à partida que o mal-estar físico é praticamente inevitável e adaptam-se facilmente à ideia de ver os filhos com dores de dentes, constipados ou com algum membro fraturado enquanto estavam a brincar na escola. Afligem-se quase sempre, assumem que dariam tudo para livrá-las daquele sofrimento, mas sobrevivem. No entanto, ninguém está preparado para reconhecer que o seu filho, ainda tão pequenino, possa sofrer de uma doença que nos habituámos a atribuir aos adultos.

De facto, muitas das situações afetivas e manifestações depressivas aparecem nas crianças e adolescentes como que mascaradas através destes tais sintomas físicos, como por exemplo, “alterações comportamentais”, de “insucessos escolares”, “crises existenciais”, "perturbações do desenvolvimento”, “consumos”, entre outros. Tais manifestações só chegam a ser diagnosticadas, muitas vezes, como verdadeiras quando, num caso extremo, o jovem ameaça a sua própria vida.

Ao contrário do que sucede na grande maioria das vezes no adolescente e no adulto, em que a depressão tem um carácter inibitório, na criança a depressão aparece com manifestações de angústia ou mesmo de agitação psicomotora, em que a criança precisa de estar em constante movimento.

Para o diagnóstico de uma perturbação afetiva, nos períodos de crescimento e desenvolvimento, deve sempre ter-se em conta uma perspetiva sistémica, como por exemplo, o contexto sóciofamiliar em que a criança e/ou o adolescente se encontram inseridos, pois, muitas vezes, o sintoma da criança é o reflexo de alguma forma de mal-estar familiar, um sinal de que alguma coisa não está bem e é a criança que se assume como a voz do problema.

Embora assuma características menos nítidas que no adulto, algumas depressões podem adquirir na criança uma expressão bastante evidente, sendo que alguns dos sintomas clínicos que nos permitem avaliar a reação depressiva na criança são os seguintes:

  •        Tristeza acentuada e duradoura, com choro fácil;
  •        Insónia ou hipersónia;
  •        Inibição psicomotora ou agitação;
  •        Isolamento e desinteresse mais ou menos aparente, aborrecimento;
  •        Sentimentos de culpabilidade e de abandono. Sentem-se mal amados, rejeitados, e o abandono dos colegas;
  •        Fobias;
  •        Fraca capacidade de encontrar satisfação, fácil desistência;
  •        Incapacidade de receber ajuda e conforto, embora haja pedido explícito;
  •     Grande angústia;
  •        Baixa de rendimento escolar e da capacidade de concentração;
  •        Auto depreciação e fraca autoestima;
  •        Sintomas físicos diversos – trata-se, em regra, de uma forma de depressão mais leve. Na idade pré-escolar, são frequentes a enurese, a encoprese, a anorexia ou bulimia. Na idade escolar, predominam, a insónia, a fadiga, as dores abdominais e a irritabilidade.


Concluindo, pode-se verificar que alguns dos sintomas que caracterizam a depressão do adulto se encontram igualmente na infância e na adolescência. Se reconhece algum destes sintomas no seu filho ou alguém próximo, não hesite em procurar ajuda. As dificuldades são reais, não podem ser atribuídas ao desenvolvimento e precisam de ser, pelo menos, avaliadas por alguém clinicamente experiente.

Uma avaliação rigorosa - realizada por um psicólogo infantil - permite imediatamente que a família se sinta ajudada e que adquira novamente o bem-estar. Se tiver alguma dúvida ou precisar de algum tipo de apoio ou aconselhamento, terei todo o gosto em recebê-lo, ou receber-vos, e ajudar-vos nesta vossa caminhada.

Dr.ª Sara Loios
Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias
Cédula Profissional nº 20837 

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Como sobreviver à própria família?

Acontece, por vezes, que existam dificuldades familiares na resolução dos desafios quotidianos, o que pode levar a que surjam conflitos entre os vários membros. Quando esta situação acontece, torna-se importante consultar um profissional para que se evite um agravar da situação. Pode até pensar que com o tempo a situação acabará por acalmar, no entanto, se o problema de base não for corretamente resolvido, mais tarde, o problema acaba por surgir novamente. 

Para se compreender o funcionamento de uma determinada família, devemos ter em consideração que vários foram e são os desafios que esta enfrenta ao longo do seu desenvolvimento. E será, essencialmente, a forma como cada família resolve e enfrenta estes mesmos desafios que irá permitir o seu crescimento e adaptação.

Quando em contexto de consulta uma família nos traz um determinado problema, vários são os pontos aos quais devemos ter atenção, nomeadamente a forma como ocorre a comunicação entre os seus membros, a vinculação, a intimidade e muito importante, os limites que existem entre as diferentes hierarquias de uma família. Essencialmente, o que caracteriza e delimita estas hierarquias são os papéis, funções, normas e estatutos desempenhados por cada elemento - numa família podemos encontrar fundamentalmente quatro pequenos grupos: Individual; Conjugal; Parental e Fraternal.

Em primeiro lugar, antes de membro de uma família, todos nós somos pessoas! Pessoas individuais com papéis e funções nos vários contextos por onde vamos passando no nosso dia-a-dia. Somos o aluno, o trabalhador, o amigo, o colega de trabalho… e obviamente que aquilo que somos em determinado contexto influencia de forma dinâmica todos os outros pelos quais vamos passando.

Num segundo momento temos o casal, composto por marido e mulher. O apoio e a adaptação entre os dois são aspetos essenciais ao seu bom funcionamento. Uma das funções do casal em relação à restante família é exatamente o desenvolvimento de limites e fronteiras que protejam o casal da intrusão de outros elementos (p.e. família de origem de cada um dos elementos do casal ou os filhos).

Num momento posterior, surgem então os Pais! Neste momento o casal começa a assumir funções executivas como a educação e proteção dos seus filhos. É a partir das interações pais-filhos que as crianças aprendem o sentido de autoridade, a forma de negociar e de lidar com o conflito no contexto de uma relação vertical. Embora composto habitualmente pelas mesmas pessoas, importa termos presente que antes de ser pai e mãe, o casal é composto pelo marido e pela mulher e dai a importância do estabelecer de limites entre estas hierarquias.

No final da hierarquia, temos os filhos/irmãos. Este pode ser considerado um lugar de socialização e de experimentação de papéis. É neste contexto que as crianças desenvolvem as suas capacidades relacionais, experimentando o apoio mútuo, a competição, o conflito e a negociação.

O facto de cada uma das hierarquias ter funções diferentes, mas ao mesmo tempo se encontrarem intimamente relacionadas, torna essencial que se encontrem definidos limites/fronteiras claras entre elas, como se de linhas divisórias se tratasse. Estes limites são, no fundo, regras que definem quem participa em cada hierarquia e como o faz, tendo como objetivo proteger a diferenciação dos seus membros.

No fundo, evitar que surjam crianças com poder sobre os pais ou até mesmo sobre os irmãos, alianças entre crianças e um dos elementos paternos contra o outro elemento. Pais que desviam sempre o conflito com os filhos para o parceiro, relações excessivas entre um dos pais com os filhos, elementos da família sem qualquer tipo de individualidade, sem espaço para si, influenciando de forma negativa todo o seu comportamento e forma de estar. Todas estas situações são pequenos exemplos de como os limites não se encontram bem definidos entre as hierarquias.

É muito importante que cada um saiba qual o seu papel, tarefas e sobretudo, até onde pode ir. O casal deverá manter um espaço seu, diferente do espaço que tem enquanto pais. A negociação de todas as questões associadas à educação dos filhos deverá ser tida sempre enquanto pais e não enquanto casal.

A maior parte dos conflitos e dificuldades que vão surgido nas famílias encontram-se muitas vezes relacionadas com a fusão destes limites. A família acaba por não ter recursos suficientes para identificar o foco do problema e neste caso, torna-se importante recorrer a ajuda especializada no sentido de reencontrar o equilíbrio familiar, através da Terapia Familiar.

É na família que as crianças aprendem a interagir, podendo-se considerar um espaço onde começam por viver relações afetivas profundas, constituindo-se deste modo uma importante base da vida social. 

Dr.ª Sara Loios
Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias
Cédula Profissional nº 020837

segunda-feira, setembro 04, 2017

A Depressão Infantil


Ninguém está à espera que o seu filho adoeça psicologicamente. Os pais sabem que o mal-estar físico é praticamente uma inevitabilidade, adaptam-se à circunstância de ver os seus filhos com febre, cólicas, dores de dentes ou constipações. Afligem-se quase sempre, assumem que dariam tudo para livrá-las daquele sofrimento, mas sobrevivem. Aprendem a gerir a ansiedade e, de um modo geral, sentem-se mais serenos no papel de cuidadores aquando do nascimento do segundo filho.

Estes episódios de doença física são comuns a quase todas as crianças, pelo que, por maior que seja a angústia dos pais, há sempre alguém experiente por perto que transmite calma e passa a mensagem de que o mal-estar vai passar. Mas nenhum pai ou mãe está à espera que o seu filho adoeça do ponto de vista psicológico, pelo que a depressão nas crianças e jovens é muitas vezes subdiagnosticada. 

Em muitos casos, em particular em crianças pequenas, os sinais de alerta são pouco claros, na medida em que a depressão se manifesta de forma atípica, confundindo-se facilmente com dificuldades de outra ordem. Noutros casos os sinais estão todos lá mas os adultos ignoram-nos - não por negligência mas porque ninguém está preparado para reconhecer que o seu filho, ainda tão pequenino, possa sofrer de uma doença que nos habituámos a atribuir aos adultos. 
Se a criança ou adolescente chora por tudo e por nada é mais fácil supor que teve um desgosto amoroso ou está a fazer birras por um motivo fútil qualquer. Se há resistência em ir à escola é porque ele(a) passou a ser preguiçoso(a). Se o filho se mostra incapaz de dormir sozinho e salta para a cama dos adultos é porque é mimado e está com dificuldade em crescer. Se há alterações súbitas de humor e/ou irritabilidade constante é sinal de insolência ou mau-feitio. Se a criança ou adolescente se queixa porque ouve barulhos esquisitos durante a noite é porque está a querer chamar a atenção. Se há alterações do apetite é porque está com a mania das dietas. E por aí fora…

A verdade é que cada pai ou mãe ama demasiado os seus filhos para reconhecer numa fase precoce o aparecimento da doença. De um modo geral, passam-se vários meses (às vezes anos) até que os pais assumam que as dificuldades são reais, não podem ser atribuídas ao desenvolvimento e precisam de ser, pelo menos, avaliadas por alguém clinicamente experiente.
Nem todos os clínicos estarão aptos a reconhecer os sinais de depressão em crianças e adolescentes mas uma avaliação rigorosa - realizada por um psicólogo infantil - permite imediatamente que a família se sinta ajudada e que a luz comece a visualizar-se ao fundo do túnel. 
Depois do diagnóstico podem surgir outros problemas, na medida em que os pais tendem, por um lado, a querer perceber a origem da doença (e isso pode passar por atribuir culpas injustamente), e, por outro, a mostrar grande resistência à intervenção farmacológica. Compete naturalmente ao médico que acompanha a criança esclarecer os pais a respeito das vias mais seguras para promover uma recuperação rápida e sólida aos seus filhos. A ideia de que o próprio filho possa ter adoecido sem que haja qualquer evento traumático identificável associada à necessidade de tomar um antidepressivo é contranatura, assustadora, impactante. 
Mas a verdade é que a depressão é uma doença com origem multifactorial, que nem sempre está associada a uma reação a um acontecimento específico e que, para ser tratada, depende quase sempre da combinação de medicação antidepressiva com psicoterapia. 

Quando o problema é gerido como em qualquer outra situação de doença, isto é, com informação rigorosa, confiança nos médicos e cumprimento das prescrições, a depressão é tratada e a família readquire o bem-estar.


Por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Infantil

sexta-feira, setembro 13, 2013

Fobia Escolar


O Início do ano lectivo está aí e o retorno ou a entrada na escola nem sempre é calma e tranquila para todas as crianças.


Há sempre algum nervosimo e ansiedade no retorno, pode mesmo para alguns atingir niveis muito elevados de ansiedade e angustia com uma recusa total à escola: a Fobia escolar

A Fobia escolar afecta, cerca de 5% de crianças do jardim de infância, e cerca de 2% de crianças do ensino básico registando-se uma maior incidência de fobia escolar no primeiro ano lectivo da criança.


No entanto não é raro que a fobia escolar apareça no, 2º ciclo, ou secundário ou até mesmo na entrada da faculdade, pois como referido estas manifestações estão muito associadas a “ansiedade face ao desconhecido” e as mudanças de ciclo escolar, são sempre algo muito significativas para a criança e /ou adolescente.

O que caracteriza uma fobia escolar? 

A Fobia escolar é um medo exacerbado que a criança sente em ir para a escola.
A Fobia escolar é uma perturbaçao da ansiedade e tem tratamento.

Numa situação típica de fobia escolar, a criança/jovem logo de manhã acorda com queixumes de dor de barriga associado por vezes a vómitos, diarreias, dor de cabeça, com intensificação do sintoma à medida que se aproxima a hora de ir para a escola, com verbalização do tipo “…não quero ir para a escola…” ou por vezes na véspera poderá surgir a questão “…amanhã é dia de ir para a escola?...” Despertando nos próprios pais alguma ansiedade na busca de melhor lidar com a situação e não deitar tudo a perder.

Na Fobia escolar da criança está, quase sempre, latente uma grande “ansiedade de separação” dos seus pais e do mundo que lhe é familiar e no qual se sente protegido.
Estas crianças geralmente, apresentam também, dificuldades em dormir sozinhas, medo de ir para casa de amigos, entre outras relutâncias em se distanciar das pessoas com as quais passa a maior parte do tempo.

Esta fobia escolar ou recusa ansiosa escolar é mais frequente no primeiro ano lectivo da vida da criança. Na fobia escolar, a criança fala da escola sempre com medo, negativismo e pode chorar para não ir.

Até se transformar na ‘segunda casa’, a escola representa um mundo desconhecido. Por isso, nos primeiros dias de aula, os sintomas podem ser mais intensos porque a criança se vê às cinco minutos parece uma eternidade.

Na escola, é muito comum, que a criança se afaste dos colegas, se isole, não brinque, já que se sente muito mal lá dentro.

Além da manifestação explícita de não querer ir à escola, a fobia escolar pode atingir sintomas tais como :choro frequente, suores frios ou tremores, diarreia, vómitos, medo de ficar sozinha, medo de algo abstracto, incapacidade de enfrentar o problema sozinha, perda do apetite, voltar a urinar na cama, insónias, pesadelos, entre outros.

A fobia é um problema que difere completamente de preguiça ou má vontade, e do absentismo. Os próprios pais percebem isso no comportamento da criança. Também é diferente da recusa esporádica em ir à escola, especialmente após as férias.

No caso da fobia, as crianças regressam a casa, apresentam ansiedade com sintomas psicossomáticos, enquanto que os absentistas não vão para casa, não sentem ansiedade, nem sintomas. Enquanto que nas fobias as crianças têm um perfil caracterizado por serem conscienciosas, perfeccionistas e bem comportadas, nos absentistas manifestam comportamentos desajustados ou delinquentes. Esta distinção é importante que seja feita, para um modo de abordar e intervir adequado pelos próprios pais.

Geralmente, as crianças que desenvolvem essa ansiedade e medo incontroláveis são boas alunas e não perdem rendimento escolar.

Quando o problema surge é essencial que a equipa da escola saiba o que está acontecendo, pois, muitas vezes, uma figura de confiança do aluno deve acompanhá-lo e permanecer por um determinado período no ambiente escolar, até que ele desenvolva autoconfiança. Os próprios coordenadores podem, por vezes, desempenhar este papel, ao ficarem mais próximos deste aluno, encorajando-o a ponto de se sentir bem na sala de aula.

O que pode estar na origem deste tipo de fobia?
Os motivos que levam a criança a desenvolver fobia escolar podem ser vários ou uma associação deles. Dentre eles estão a predisposição biológica (genética), a mudança de escola, professor severo, conflito com colegas, o temperamento da criança, a vulnerabilidade à acção do ambiente familiar( mudança de casa, divórcio dos pais, morte de um familiar, conflitos familiares), e até mesmo a preocupação excessiva de alguns pais com a separação dos seus filhos.

Os sintomas da fobia escolar estão fortemente associados ao tipo de relação da criança com seus pais, desde o nascimento até a idade pré-escolar.

Porém, é interessante salientar que duas ou mais crianças que recebem a mesma educação, tanto escolar quanto familiar, (filhas dos mesmos pais), não significa necessariamente que todas irão desenvolver fobia escolar.

A fobia escolar também pode ter origem em agressões verbais ou físicas de que a criança foi vítima na escola ( ou seja, ser vítima de bullying).

Em que é que difere de uma ansiedade normal no regresso às aulas?

O primeiro ou primeiros dias desencadeiam naturalmente algum nervosismo, perante a ideia de novos professores, nova turma, nova escola ou simplesmente a mudança de rotina das férias para as aulas, até os mais calmos poderão ficar afectados nas primeiras semanas de aulas.

Outros casos existem em que a ansiedade normal pode dar lugar a medos mais significativos. As fobias ocorrem com frequência nas crianças e por vezes desaparecem espontaneamente, sinal que a criança conseguiu ultrapassar os seus receios.
No caso específico da fobia escolar, enquanto perturbação emocional que desencadeia uma resposta fóbica face à escola, inicialmente não deverá ser motivo de alarme, de um modo tranquilo os pais deverão sempre incentivar e encarar com optimismo a hora de ir para a escola, sem forçar bruscamente mas persistir no cumprimento da assiduidade escolar.
Caso este comportamento persista para além de dois meses, será importante procurar outro tipo de suporte de modo a evitar o agravamento da situação, mesmo na futura vida escolar e social da criança/jovem.
O que podem os pais fazer para ajudar os filhos com fobia escolar?
È muito importante que os pais, não ridicularizarem ou subestimem os medos da criança, pelo contrário, devem mostrar compreensão.

Porém, também devem facilitar que a criança se afaste da escola. No momento de ir para escola os pais devem ser firmes, mas respeitar a limitação de seus filhos, pois para eles já é muito difícil estar com esta dificuldade.

È importante Incentivar a criança a ir à escola, nunca obrigá-la e tentar tranquilizá-la, que no fim do dia volta a estar com os pais. Por vezes os pais poderão mesmo ter de permanecer durante alguns periodos na escoal para ajudar a criança a tranquilizar-se.
Manter o máximo de diálogo com a criança
Ajudar a criança a encontrar o meio de superar o obstáculo
Fazer com que os amigos sejam elementos importantes na inserção na escola.

Se os sintomas persistirem para além de dois meses, e em casos mais críticos, os pais devem encaminhar o filho para psicoterapia.O tratamento da criança com fobia escolar deve ser abrangente: é necessária a participação efectiva da escola, dos pais e do psicólogo. Essa interacção, entre todos e esse envolvimento é que vão fazer com que a criança supere a fobia.


É fundamental que os pais fiquem atentos quanto à procura de profissionais especializados ( psicólogos ou psicoterapeutas) dado que esta fobia pode ocasionar um afastamento da escola, fracasso e repetência escolar, vergonha de enfrentar novamente os colegas, entre outros factores.

Todos estas consequências reduzem a auto-estima da criança, com consequências para o resto de sua vida. Além disso, a tendência de uma criança com fobia escolar, se não for ajudada a ultrapassar a situação, é que desenvolva outros medos, como, por exemplo, de elevador, animais, escuro, etc. Enfim, os danos são grandes quando se adia o tratamento.


Procurar ajuda, ouvir as diretrizes dos profissionais envolvidos e poder dividir as dificuldades que possam encontrar no tratamento de seu filho, contribuirá efetivamente na maravilhosa tarefa de ser pai e mãe e no desenvolvimento de uma criança feliz.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Só Amor não basta! .....As crianças precisam de disciplina!


A seguir ao Amor, a Disciplina é a segunda dádiva mais importante que os pais devem dar à criança. (Brazelton, 1996).


A palavra "disciplina" deriva de "discípulo
" e tanto uma quanto outra palavra, tem origem no termo latino para pupilo que, por sua vez, significa instruir, educar treinar, dando ideia de modelagem total de carácter.
Assim, a palavra disciplina, além de significar, em sentido académico, matéria, aula, cadeira ou cátedra, também é utilizada para indicar, em educação, a disposição dos alunos em seguir os ensinamentos e as regras de comportamento.

Então o que é disciplinar ?

Disciplinar significa “ensinar”, e não castigar.
Logo, a interiorização de regras passa por ensinar a criança.


As provocações das crianças, as birras, as mordidelas, mexer no, que não pode, mandar coisas ao chão, comportamentos violentos, entre outros, são a forma que as crianças encontram para que os pais lhe digam:


• Quais são os seus limites;
• O que ela pode ou não fazer,
• Compreender dentro de si o que está bem e o que não está bem;

As crianças sentem que precisam de disciplina e tentam abusar, para obrigarem os pais a impor limites.

O que são regras? O que é a disciplina ?


• As Regras são normas de conduta em sociedade ( utilização de espaços, boas maneiras, respeito pelos pertences dos outros etc.)
• A Disciplina tem a ver com a imposição de limites, internos primeiro e depois externos.

A Disciplina começa ao nascer, ou antes (quando a criança ainda está no útero depende dos hábitos da mãe) e está intimamente ligado com a aprendizagem das regras sociais (quem não tem limites não tem regras).

O que são limites?
•Algo que não é visível ( está implícito) mas que determina o que pode ser feito e o que não pode. Define até onde a criança pode ir.
Os limites vão sendo construído internamente nos interditos (aquilo que não é dito) dos pais.
Ao estabelecerem durante os primeiros anos de vida da criança limites firmes, mas carinhosos, os pais ajudam-na a formar os padrões internos de que irá necessitar ao logo da vida.

Se não são disciplinadas, as crianças começam a ficar “mimadas”.

Objectivos da disciplina
•Ajudar a criança a aprender o auto controlo:
  • Reconhecer os próprios impulsos: Como são desencadeados como podem magoar os outros e como os controlar.
  • Reconhecer os seus sentimentos e aquilo que lhes está subjacente: Identifica-los, expressa-los ou mantê-los escondidos, caso seja necessário.
  • Compreender os sentimentos dos outros: compreender as suas causas, preocupar-se com aquilo que os outros sentem e reconhecer o efeito que os seus actos tem sobre os outros.
    Ajuda a criança a desenvolver um sentido de justiça e a motivação para se comportar de forma justa.
O altruísmo: a descoberta da alegria de dar, e até de fazer sacrifícios por outros seres humanos.


Algumas sugestões para lidar com as provocações da criança….
• Dê-lhe outros modelos ou ideias de como se pode comportar;
• As regras devem ser adaptadas ao desenvolvimento da criança;
• Os pais devem ter em conta a sensibilidade da criança;
• Os pais devem tentar não interferir quando os filhos estão com outras crianças

Algumas Dicas para lidar com uma birra…Afastem-se, mas apenas por um breve período;
Passada a crise, abracem-na e acarinhem-na e expliquem-lhe porque é que isso foi necessário;
Digam-lhe como é que se deveria comportar na situação;
O castigo físico tem grandes desvantagens

Mas, a mais importante de todas as regras….

Nunca se esqueça de Elogiar o seu filho quando ele não se está a comportar mal e dizer-lhe o quanto se orgulha dele.
A Disciplina é fundamental na educação da criança e se não for feita na infância, a sua posterior aquisição será mais difícil.
 Sem elas os desafios dos anos futuros serão ainda mais difíceis.

Se sente que neste momento está em dificuldades com o seu filho e não consegue controlar a situação, peça ajuda a um psicólogo! 

Uma intervenção precoce pode corrigir atempadamente a formação de “pequenos ditadores” e restabelecer o equilíbrio e o desenvolvimento saudável da criança e da própria familia!
Conte connosco!

Por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga clínica e Psicoterapeuta Infantil.

domingo, outubro 02, 2011

Obsessões e Compulsões nas crianças: Normal ou Patológico?


“Um, dois, três, quatro, cinco, seis” – diz a criança no carro a contar as árvores ou postes que vão passando.
É habitual e até normal as crianças apresentarem, ao longo do crescimento, algumas obsessões. No entanto, com o desenvolvimento psicológico é espectável que esses pensamentos obsessivos e intrusivos desapareçam.
Como as crianças têm, normalmente, uma enorme dificuldade em relatar e descrever sensações, emoções e/ou sintomas, muitas vezes as suas as atitudes obsessivas e/ou compulsivas podem ser mal entendidas pelos pais, os quais tentam corrigir com chamadas de atenção, castigos ou agressões.
É importante, então, compreender do que se trata quando se fala de Perturbação Obsessiva-Compulsiva da Personalidade.
A obsessão é caracterizada pelo perfeccionismo, pela preocupação excessiva com detalhes, regras, listas, ordens, organização ou horários, entre outros. É comum que esta se desenvolva antes das obsessões ou, até mesmo, que exista sem obsessões (no caso das crianças). E há diversas formas de se mostrar. Por exemplo:
  • Ideias obsessivas de Dúvida - dificuldade em acreditar que determinada tarefa foi feita da forma certa. Ex: Nestes casos, os cadernos das crianças têm muitos sinais de borracha por terem apagado e escrito muitas vezes a mesma palavra
  • Ideias obsessivas de Sujidade e Contaminação – estão relacionadas com temas como pó, sangue, doenças. A criança pode ter ideias obsessivas quanto à sua auto-estima, achando-se suja por exemplo.
Por sua vez, a compulsão, é um comportamento sistemático, repetitivo e intencional que surge, muitas vezes, devido à ansiedade causada pela obsessão ou para evitar que alguma situação que assusta a criança realmente ocorra. Por exemplo:  “se eu não bater na madeira 3 vezes, alguém de minha família vai ficar doente”... “se eu não rezar 2 vezes essa oração, o monstro mau aparece debaixo da cama”...
As compulsões mais comuns são:
  • Limpeza e descontaminação - como por exemplo, lavar mãos, roupas, objectos  pessoais repetidamente
  • Verificação - diz respeito à necessidade absurda de testar, conferir ou examinar repetidamente as coisas para conferir que ficou bem feito. Por exemplo, voltar inúmeras vezes para confirmar se a porta está fechada, a luz apagada, a janela fechada, a gaveta fechada, etc.
  • Repetir ou tocar - muito comum também, uma vez que a própria característica das compulsões é a repetição. Acender e apagar a luz diversas vezes para aliviar a ansiedade da dúvida de ter deixado acesa
33 a 50% das pessoas referem que o início da perturbação ocorreu na infância ou adolescência pelo que é preciso estar atento quando um pequeno grau de obsessões não só se mantém como, diversas vezes, aumenta e domina o dia-a-dia da criança, colocando-a num enorme sofrimento pois, por vezes, o inicio é repentino e muito claro para as pessoas em redor; outras vezes é insidioso e pouco óbvio.

Outro sinal que poderá ser valioso para os pais diz respeito ao rendimento escolar. Este, por norma, tende a diminuir como consequência da menor capacidade de concentração da criança, que se encontra dominada e assaltada por outros pensamentos que não aqueles que dizem respeito à aprendizagem.
Acima de tudo, independentemente das diversas características que a Perturbação Obsessivo-Compulsiva pode ter e apresentar, é fundamental compreender se o bem-estar da criança está a ser posto em causa pois, muitas vezes, a criança, devido às obsessões e/ou compulsões, sofre internamente, muitas vezes de forma silenciosa, e nestes casos é importante procurar ajuda especializada. A intervenção precoce nestes casos pode evitar a consolidação de funcionamentos muito angustiantes para a criança.

É fundamental nunca esquecer que, a infância, apesar de repleta de contos infantis com finais felizes, salas de brinquedos e muita inocência pode, naturalmente, ser contaminada por dúvidas, medos, receios e/ou angústias. Que são válidas e legitimas e que devem ser ouvidas e tratadas para que a criança e os pais consigam dar um nome ao sofrimento que não entendem e reconhecem.

Por Maria de Noronha, Psicóloga Clínica.