"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

sábado, junho 04, 2016

As Crianças precisam de Regras para Crescer

Tal como num jogo, as regras são muito importantes em todos os aspetos da nossa vida. 

São elas que nos orientam ao longo dos vários caminhos que fomos e vamos escolhendo, ou seja, o que devemos ou não fazer, o que está certo ou errado.

É importante que os adultos enquanto pais e cuidadores reflitam sobre as regras que têm de cumprir no seu dia-a-dia e pensem no que poderia acontecer se vivêssemos num mundo sem regras e sem consequências.

Muitas vezes são as regras que definem aquilo que temos de cumprir e vão dando pistas para que cada um de nós saiba o que tem de fazer para encontrar o melhor caminho para si.

As regras são a base da disciplina, são elas que orientam a criança para que esta perceba o que se pode ou não fazer quando convivemos com os outros em sociedade, que lhe vão ensinando o que está certo e errado, e moldando o seu comportamento para que não ocorram muitas tempestades no percurso.

As estratégias a que os pais recorrem para controlar os comportamentos das crianças, podem promover ou limitar as suas capacidades de autonomia, sendo por isso essencial que não recorra a ameaças, comentários hostis, castigos severos ou gozo. Quando os pais utilizam essas estratégias, as crianças tornam-se mais dependentes e agressivas.

Para que as crianças se possam orientar é preciso que estas regras lhes sejam apresentadas segundo a regra dos 3 c’s:
Claras, bem definidas e simples (a criança deve conseguir perceber claramente o que se espera dela, que comportamentos pode ou não ter);
Constantes (não podem andar sempre a mudar);
Coerentes (devem ser aplicadas nas alturas para que estão definidas. Não devem ser aplicadas à toa, uma vezes sim e outras não, pois assim a criança não sabe o que tem de fazer. Uma vez que começamos temos que ir até ao fim e não podemos ceder).

Os adultos são responsáveis pela orientação na construção destas regras, e são eles que as vão lembrando à criança até que esta, à medida que cresce as vai aprendendo e interiorizando (até que não necessite que ninguém lhe lembre as regras). A consistência das suas respostas e a disponibilidade para ensinar a criança a gerir contrariedades vão facilitar a aprendizagem da expressão de emoções nas situações de frustração e, consequentemente a resolvê-las da forma mais adequada.

Além disso, as regras devem ser justas para que as crianças as acatem e percebam, e formuladas de forma positiva. É muito importante definir as regras de acordo com os valores da família, adaptando-as também à personalidade da criança. 

As regras não representam uma espécie de “código penal”, em que o incumprimento leva obrigatoriamente a uma punição, mas são os pais a decidir, com moderação, cada caso e as suas exceções. Algumas regras podem ser mais flexíveis, outras não, como cumprir o horário de fazer os trabalhos de casa e da hora de deitar.

Com regras firmes as crianças irão saber até onde podem ir, o que não significa obviamente que não tentem quebrar as regras e esticar os limites. No entanto, se houver dias em que o deixa fazer qualquer coisa e outros em que não deixa, ou, se primeiro diz que não e quando ele insiste muda de ideias, e diz que sim, está a baralhá-lo e ele ficará sem perceber aquilo que é aceitável.

Se pensarmos na nossa vida em geral, torna-se muito mais fácil cumprir uma regra quando tenhamos tido espaço para ser ouvidos e darmos a nossa opinião. Com as crianças é a mesma coisa. Sem perder a autoridade ou fazer muitas cedências, tente manter alguma flexibilidade, pedido à criança a sua opinião sobre qual o caminho certo a seguir. 

Por isso pode ser importante construírem as regras em conjunto e negociá-las, dando cada um a sua opinião. Para além de a envolver e fomentar a sua independência, torna a imposição de limites menos “pesada”, sendo a negociação a forma mais fácil de fazer com que as crianças aprendam a respeitar as regras. No entanto, nalgumas coisas têm mesmo de ser os pais a indicar o melhor caminho, a definir o que se pode ou não fazer, a definirem e imporem limites.


Nunca se esqueçam que é essencial dizer que não e colocar limites às crianças. A ausência de regras e limites poderá ser muito prejudicial ao bem-estar dos vossos filhos pois as crianças precisam de orientação para poder desenvolver a capacidade de exprimir e lidar com as emoções de forma adequada, o que lhe dá a capacidade de cooperar com os outros, lidar com a frustração e resolver conflitos.

Os problemas de comportamento surgem quando as atitudes inadequadas são permitidas, ultrapassando a fronteira do respeito e a hierarquia familiar. 

Tolerar comportamentos inadequados ou recear corrigir/castigar determinado comportamento ao pensar que a criança pode ficar traumatizada apenas dá poder ao surgir desse comportamento.

Quando a presença de um comportamento considerado difícil de lidar para os pais for tão frequente que começa a interferir com uma relação saudável pais-filhos, aconselha-se a procura de ajuda especializada onde o psicólogo pode ajudar a família a encontrar outras formas de funcionamento que promovam a modificação desses comportamentos. 

Em suma, um ambiente familiar estruturado, onde a criança sabe que existem limites e o que esperam do seu comportamento, recebendo simultaneamente carinho, amor e compreensão, facilita a aprendizagem das normas sociais e ajuda a sentir-se segura. 

Dra. Sara Lóios

Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias

quarta-feira, maio 11, 2016

Hiperativo ou Irrequieto?







A Irrequietude Motora designa uma atividade marcada por uma quantidade excessiva de movimentos, sem ter necessariamente uma implicação de patologia.

A Hiperactividade aplica-se a diversos tipos de comportamento mal organizado, onde domina uma combinação de irrequietude e desatenção, inadequada para a idade, com grande intensidade e gravidade dos sintomas.

Na Hiperactividade a criança dificilmente conseguirá ter (mesmo que pequenos) momentos de atenção e concentração, não pára para brincar ou realizar outras atividades, tem problemas graves no sono, e muita dificuldade em parar.

A Criança Irrequieta embora com grande atividade consegue alguns momentos de tranquilidade, consegue descansar, consegue parar quando as atividades lhe interessam.

Como defende João dos Santos, a irrequietude seria uma forma de reação contra a ansiedade, e surge, muitas vezes de um fundo de depressão. A criança, incapaz de pensar o sofrimento, utiliza o comportamento como forma de descarga. Age em vez de pensar. O sintoma psicomotor inicial seria o sinal de uma tentativa de adaptação ao que exigem dela, um pedido de atenção ao seu sofrimento.

A instabilidade tem sempre a ver com uma espécie de fuga para a frente. Há qualquer coisa que leva a criança a não poder estar quieta, calada, silenciosa, a evitar pensar nos fantasmas mais ligados à realidade anterior.

A instabilidade seria, de algum modo, a procura da “estabilidade” de uma idade anterior, “ e, portanto, uma tentativa de “cura” da ansiedade a que conduz a insegurança” (João dos Santos, 2002). São as marcas desse vivido precoce que perseguem a criança no seu interior, não lhe permitindo qualquer descanso (segurança).

Convém como tal e numa primeira intervenção fazer um diagnóstico correto: se Hiperactivo ou Irrequieto.

A terapêutica essencial a instituir nas crianças irrequietas e/ou Hiperactivas deverá consistir numa perspetiva sistémica, ou seja, em todas os sistemas em que a criança se encontra inserida (na criança, na família, e na escola). A intervenção deve incidir sobretudo na família e escola, que deverão garantir à criança estabilidade e segurança.

Com a família, importa sobretudo modular a relação pais-filhos, tornando-a menos inquieta, ajudando os pais a acalmarem-se e a lidar de forma mais tranquila, que naturalmente os deixa bastante exaustos, ajudando-os na construção de uma relação mais organizadora e afetivamente mais rica e contentora.

A escola deverá ajudar a criança a pensar melhor, criando situações de aprendizagem serenas e interessantes.

O tratamento/ acompanhamento destas crianças deve ser regular, contínuo e a longo prazo.

Medicar ou não medicar as crianças com Hiperatividade Infantil???
De acordo com Pedro Strecht assistimos, hoje em dia, a um aumento de crianças desnecessariamente medicadas. Mais medicadas, não necessariamente melhor tratadas, porque ficará por perceber é que a hiperatividade e défice de atenção são meros sinais e sintomas. Corre-se o risco de tratar sintomas ou doenças e esquecer crianças ou doentes.

A principal tarefa perante uma criança hiperactiva é sempre compreender a origem, o porquê, os significados latentes, desses mesmos sintomas. Medicar sem compreender é como pôr a chupeta a um bebé sem perceber porque chora. Não é melhor ver porque chora? Se é fome ou cólicas intestinais?
Voltando à nossa questão: A prescrição da medicação deve ser bastante moderada, devido aos riscos que lhes estão associados.

Taylor (1986, cit. por Salgueiro, 2002) num estudo que realizou, com crianças hiperativas observou que os psicofármacos podem ter efeitos secundários importantes em certas crianças, tais como:
·        Atraso no crescimento e perda de apetite (mais frequentes)
·        Crises convulsivas, taquicardia, hipertensão, agravamento de tiques, estados disfóricos (menos frequentes)
Desta forma,  a medicação pode ser prescrita de forma bem moderada, supervisionada regularmente, nas seguintes condições:
·        Quando a criança corre risco de exclusão escolar ou familiar em virtude do seu comportamento
·        Quando existe um desafio cognitivo imediato, com risco de retenção para a criança, ou quando esta não consegue aprender devido à falta de atenção.
Porém, sempre, e em simultâneo, a criança deve seguir um tratamento psicoterapêutico.


Se precisar de ajuda contacte-nos!!

Dra. Sara Lóios,
Psicóloga de Crianças, Adolescentes e Famílias

sexta-feira, abril 08, 2016

Ingresso Escolar Antecipado para o 1º ciclo. Quando Faz Sentido?





O que é o Estudo de Maturidade da Criança para Ingresso antecipado na escola ?

É um estudo que permite aferir do estado das várias competências emocionais e cognitivas das crianças que são necessárias ao processo de aprendizagem com que ela se irá deparar na escola. Este estudo é realizado por um conjunto de testes psicológicos, validados cientificamente, e que serão passados à criança, por um psicólogo. Após a avaliação o psicologo poderá dizer aos pais se a criança tem a maturidade quer psicológica quer emocional necessária, para integrar o 1º ciclo antecipadamente. 

 Quais as crianças que devem fazer esta avaliação?

Esta avaliação é adequada para situações em que a criança pode entrar para o ensino primário antes da idade estipulada por lei.
Este estudo é particularmente importante para crianças que fazem os 6 anos apenas em Janeiro e Fevereiro, não podendo por isso entrar nesse ano na escola, com implicações negativas muitas vezes, para a criança face à perda do seu grupo de amigos, para além do atraso de um ano lectivo no seu percurso escolar, sem necessidade para que isso aconteça.

Como se processa legalmente o pedido de Ingresso antecipado na escola?

a)                 Os Requerimentos devem ser dirigidos, até ao dia 15 de Maio de 2016, ao Director do Agrupamento de Escolas ou Escola não Agrupada, caso os Pais ou Encarregado de Educação pretendam que o seu educando frequente um estabelecimento da rede pública, ou ao Director Regional de Educação respectivo, caso pretendam que aquele frequente um estabelecimento da rede privada ou cooperativa;

b) Reportar-se a crianças que atinjam os 6 anos de idade, no ano civil seguinte àquele em que os respectivos Pais ou Encarregado de Educação pretendem o seu ingresso no 1º CEB;

c)Estar fundamentado e instruído com um relatório de avaliação psicopedagógica da criança, elaborado por serviços especializados ou por especialistas da área da psicologia ou do desenvolvimento, devidamente identificados.

Sem prejuízo do constante nas alíneas anteriores, a aceitação da matrícula depende sempre da existência de vaga.

Se este é o caso do seu filho ou se tem dúvidas, contacte-nos ! 


A Directora Clínica do Crescer
M. Jesus Candeias