"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

sábado

As Crianças precisam de Regras para Crescer

Tal como num jogo, as regras são muito importantes em todos os aspetos da nossa vida. 

São elas que nos orientam ao longo dos vários caminhos que fomos e vamos escolhendo, ou seja, o que devemos ou não fazer, o que está certo ou errado.

É importante que os adultos enquanto pais e cuidadores reflitam sobre as regras que têm de cumprir no seu dia-a-dia e pensem no que poderia acontecer se vivêssemos num mundo sem regras e sem consequências.

Muitas vezes são as regras que definem aquilo que temos de cumprir e vão dando pistas para que cada um de nós saiba o que tem de fazer para encontrar o melhor caminho para si.

As regras são a base da disciplina, são elas que orientam a criança para que esta perceba o que se pode ou não fazer quando convivemos com os outros em sociedade, que lhe vão ensinando o que está certo e errado, e moldando o seu comportamento para que não ocorram muitas tempestades no percurso.

As estratégias a que os pais recorrem para controlar os comportamentos das crianças, podem promover ou limitar as suas capacidades de autonomia, sendo por isso essencial que não recorra a ameaças, comentários hostis, castigos severos ou gozo. Quando os pais utilizam essas estratégias, as crianças tornam-se mais dependentes e agressivas.

Para que as crianças se possam orientar é preciso que estas regras lhes sejam apresentadas segundo a regra dos 3 c’s:
Claras, bem definidas e simples (a criança deve conseguir perceber claramente o que se espera dela, que comportamentos pode ou não ter);
Constantes (não podem andar sempre a mudar);
Coerentes (devem ser aplicadas nas alturas para que estão definidas. Não devem ser aplicadas à toa, uma vezes sim e outras não, pois assim a criança não sabe o que tem de fazer. Uma vez que começamos temos que ir até ao fim e não podemos ceder).

Os adultos são responsáveis pela orientação na construção destas regras, e são eles que as vão lembrando à criança até que esta, à medida que cresce as vai aprendendo e interiorizando (até que não necessite que ninguém lhe lembre as regras). A consistência das suas respostas e a disponibilidade para ensinar a criança a gerir contrariedades vão facilitar a aprendizagem da expressão de emoções nas situações de frustração e, consequentemente a resolvê-las da forma mais adequada.

Além disso, as regras devem ser justas para que as crianças as acatem e percebam, e formuladas de forma positiva. É muito importante definir as regras de acordo com os valores da família, adaptando-as também à personalidade da criança. 

As regras não representam uma espécie de “código penal”, em que o incumprimento leva obrigatoriamente a uma punição, mas são os pais a decidir, com moderação, cada caso e as suas exceções. Algumas regras podem ser mais flexíveis, outras não, como cumprir o horário de fazer os trabalhos de casa e da hora de deitar.

Com regras firmes as crianças irão saber até onde podem ir, o que não significa obviamente que não tentem quebrar as regras e esticar os limites. No entanto, se houver dias em que o deixa fazer qualquer coisa e outros em que não deixa, ou, se primeiro diz que não e quando ele insiste muda de ideias, e diz que sim, está a baralhá-lo e ele ficará sem perceber aquilo que é aceitável.

Se pensarmos na nossa vida em geral, torna-se muito mais fácil cumprir uma regra quando tenhamos tido espaço para ser ouvidos e darmos a nossa opinião. Com as crianças é a mesma coisa. Sem perder a autoridade ou fazer muitas cedências, tente manter alguma flexibilidade, pedido à criança a sua opinião sobre qual o caminho certo a seguir. 

Por isso pode ser importante construírem as regras em conjunto e negociá-las, dando cada um a sua opinião. Para além de a envolver e fomentar a sua independência, torna a imposição de limites menos “pesada”, sendo a negociação a forma mais fácil de fazer com que as crianças aprendam a respeitar as regras. No entanto, nalgumas coisas têm mesmo de ser os pais a indicar o melhor caminho, a definir o que se pode ou não fazer, a definirem e imporem limites.


Nunca se esqueçam que é essencial dizer que não e colocar limites às crianças. A ausência de regras e limites poderá ser muito prejudicial ao bem-estar dos vossos filhos pois as crianças precisam de orientação para poder desenvolver a capacidade de exprimir e lidar com as emoções de forma adequada, o que lhe dá a capacidade de cooperar com os outros, lidar com a frustração e resolver conflitos.

Os problemas de comportamento surgem quando as atitudes inadequadas são permitidas, ultrapassando a fronteira do respeito e a hierarquia familiar. 

Tolerar comportamentos inadequados ou recear corrigir/castigar determinado comportamento ao pensar que a criança pode ficar traumatizada apenas dá poder ao surgir desse comportamento.

Quando a presença de um comportamento considerado difícil de lidar para os pais for tão frequente que começa a interferir com uma relação saudável pais-filhos, aconselha-se a procura de ajuda especializada onde o psicólogo pode ajudar a família a encontrar outras formas de funcionamento que promovam a modificação desses comportamentos. 

Em suma, um ambiente familiar estruturado, onde a criança sabe que existem limites e o que esperam do seu comportamento, recebendo simultaneamente carinho, amor e compreensão, facilita a aprendizagem das normas sociais e ajuda a sentir-se segura. 

Dra. Sara Lóios

Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias

quarta-feira

A Depressão Infantil


Ninguém está à espera que o seu filho adoeça psicologicamente. Os pais sabem que o mal-estar físico é praticamente uma inevitabilidade, adaptam-se à circunstância de ver os seus filhos com febre, cólicas, dores de dentes ou constipações. Afligem-se quase sempre, assumem que dariam tudo para livrá-las daquele sofrimento, mas sobrevivem. Aprendem a gerir a ansiedade e, de um modo geral, sentem-se mais serenos no papel de cuidadores aquando do nascimento do segundo filho.

Estes episódios de doença física são comuns a quase todas as crianças, pelo que, por maior que seja a angústia dos pais, há sempre alguém experiente por perto que transmite calma e passa a mensagem de que o mal-estar vai passar. Mas nenhum pai ou mãe está à espera que o seu filho adoeça do ponto de vista psicológico, pelo que a depressão nas crianças e jovens é muitas vezes subdiagnosticada. 

Em muitos casos, em particular em crianças pequenas, os sinais de alerta são pouco claros, na medida em que a depressão se manifesta de forma atípica, confundindo-se facilmente com dificuldades de outra ordem. Noutros casos os sinais estão todos lá mas os adultos ignoram-nos - não por negligência mas porque ninguém está preparado para reconhecer que o seu filho, ainda tão pequenino, possa sofrer de uma doença que nos habituámos a atribuir aos adultos. 
Se a criança ou adolescente chora por tudo e por nada é mais fácil supor que teve um desgosto amoroso ou está a fazer birras por um motivo fútil qualquer. Se há resistência em ir à escola é porque ele(a) passou a ser preguiçoso(a). Se o filho se mostra incapaz de dormir sozinho e salta para a cama dos adultos é porque é mimado e está com dificuldade em crescer. Se há alterações súbitas de humor e/ou irritabilidade constante é sinal de insolência ou mau-feitio. Se a criança ou adolescente se queixa porque ouve barulhos esquisitos durante a noite é porque está a querer chamar a atenção. Se há alterações do apetite é porque está com a mania das dietas. E por aí fora…

A verdade é que cada pai ou mãe ama demasiado os seus filhos para reconhecer numa fase precoce o aparecimento da doença. De um modo geral, passam-se vários meses (às vezes anos) até que os pais assumam que as dificuldades são reais, não podem ser atribuídas ao desenvolvimento e precisam de ser, pelo menos, avaliadas por alguém clinicamente experiente.
Nem todos os clínicos estarão aptos a reconhecer os sinais de depressão em crianças e adolescentes mas uma avaliação rigorosa - realizada por um psicólogo infantil - permite imediatamente que a família se sinta ajudada e que a luz comece a visualizar-se ao fundo do túnel. 
Depois do diagnóstico podem surgir outros problemas, na medida em que os pais tendem, por um lado, a querer perceber a origem da doença (e isso pode passar por atribuir culpas injustamente), e, por outro, a mostrar grande resistência à intervenção farmacológica. Compete naturalmente ao médico que acompanha a criança esclarecer os pais a respeito das vias mais seguras para promover uma recuperação rápida e sólida aos seus filhos. A ideia de que o próprio filho possa ter adoecido sem que haja qualquer evento traumático identificável associada à necessidade de tomar um antidepressivo é contranatura, assustadora, impactante. 
Mas a verdade é que a depressão é uma doença com origem multifactorial, que nem sempre está associada a uma reação a um acontecimento específico e que, para ser tratada, depende quase sempre da combinação de medicação antidepressiva com psicoterapia. 

Quando o problema é gerido como em qualquer outra situação de doença, isto é, com informação rigorosa, confiança nos médicos e cumprimento das prescrições, a depressão é tratada e a família readquire o bem-estar.


Por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Infantil

Hiperativo ou Irrequieto?







A Irrequietude Motora designa uma atividade marcada por uma quantidade excessiva de movimentos, sem ter necessariamente uma implicação de patologia.

A Hiperactividade aplica-se a diversos tipos de comportamento mal organizado, onde domina uma combinação de irrequietude e desatenção, inadequada para a idade, com grande intensidade e gravidade dos sintomas.

Na Hiperactividade a criança dificilmente conseguirá ter (mesmo que pequenos) momentos de atenção e concentração, não pára para brincar ou realizar outras atividades, tem problemas graves no sono, e muita dificuldade em parar.

A Criança Irrequieta embora com grande atividade consegue alguns momentos de tranquilidade, consegue descansar, consegue parar quando as atividades lhe interessam.

Como defende João dos Santos, a irrequietude seria uma forma de reação contra a ansiedade, e surge, muitas vezes de um fundo de depressão. A criança, incapaz de pensar o sofrimento, utiliza o comportamento como forma de descarga. Age em vez de pensar. O sintoma psicomotor inicial seria o sinal de uma tentativa de adaptação ao que exigem dela, um pedido de atenção ao seu sofrimento.

A instabilidade tem sempre a ver com uma espécie de fuga para a frente. Há qualquer coisa que leva a criança a não poder estar quieta, calada, silenciosa, a evitar pensar nos fantasmas mais ligados à realidade anterior.

A instabilidade seria, de algum modo, a procura da “estabilidade” de uma idade anterior, “ e, portanto, uma tentativa de “cura” da ansiedade a que conduz a insegurança” (João dos Santos, 2002). São as marcas desse vivido precoce que perseguem a criança no seu interior, não lhe permitindo qualquer descanso (segurança).

Convém como tal e numa primeira intervenção fazer um diagnóstico correto: se Hiperactivo ou Irrequieto.

A terapêutica essencial a instituir nas crianças irrequietas e/ou Hiperactivas deverá consistir numa perspetiva sistémica, ou seja, em todas os sistemas em que a criança se encontra inserida (na criança, na família, e na escola). A intervenção deve incidir sobretudo na família e escola, que deverão garantir à criança estabilidade e segurança.

Com a família, importa sobretudo modular a relação pais-filhos, tornando-a menos inquieta, ajudando os pais a acalmarem-se e a lidar de forma mais tranquila, que naturalmente os deixa bastante exaustos, ajudando-os na construção de uma relação mais organizadora e afetivamente mais rica e contentora.

A escola deverá ajudar a criança a pensar melhor, criando situações de aprendizagem serenas e interessantes.

O tratamento/ acompanhamento destas crianças deve ser regular, contínuo e a longo prazo.

Medicar ou não medicar as crianças com Hiperatividade Infantil???
De acordo com Pedro Strecht assistimos, hoje em dia, a um aumento de crianças desnecessariamente medicadas. Mais medicadas, não necessariamente melhor tratadas, porque ficará por perceber é que a hiperatividade e défice de atenção são meros sinais e sintomas. Corre-se o risco de tratar sintomas ou doenças e esquecer crianças ou doentes.

A principal tarefa perante uma criança hiperactiva é sempre compreender a origem, o porquê, os significados latentes, desses mesmos sintomas. Medicar sem compreender é como pôr a chupeta a um bebé sem perceber porque chora. Não é melhor ver porque chora? Se é fome ou cólicas intestinais?
Voltando à nossa questão: A prescrição da medicação deve ser bastante moderada, devido aos riscos que lhes estão associados.

Taylor (1986, cit. por Salgueiro, 2002) num estudo que realizou, com crianças hiperativas observou que os psicofármacos podem ter efeitos secundários importantes em certas crianças, tais como:
·        Atraso no crescimento e perda de apetite (mais frequentes)
·        Crises convulsivas, taquicardia, hipertensão, agravamento de tiques, estados disfóricos (menos frequentes)
Desta forma,  a medicação pode ser prescrita de forma bem moderada, supervisionada regularmente, nas seguintes condições:
·        Quando a criança corre risco de exclusão escolar ou familiar em virtude do seu comportamento
·        Quando existe um desafio cognitivo imediato, com risco de retenção para a criança, ou quando esta não consegue aprender devido à falta de atenção.
Porém, sempre, e em simultâneo, a criança deve seguir um tratamento psicoterapêutico.


Se precisar de ajuda contacte-nos!!

Dra. Sara Lóios,
Psicóloga de Crianças, Adolescentes e Famílias

sexta-feira

Ingresso Escolar Antecipado para o 1º ciclo. Quando Faz Sentido?





O que é o Estudo de Maturidade da Criança para Ingresso antecipado na escola ?

É um estudo que permite aferir do estado das várias competências emocionais e cognitivas das crianças que são necessárias ao processo de aprendizagem com que ela se irá deparar na escola. Este estudo é realizado por um conjunto de testes psicológicos, validados cientificamente, e que serão passados à criança, por um psicólogo. Após a avaliação o psicologo poderá dizer aos pais se a criança tem a maturidade quer psicológica quer emocional necessária, para integrar o 1º ciclo antecipadamente. 

 Quais as crianças que devem fazer esta avaliação?

Esta avaliação é adequada para situações em que a criança pode entrar para o ensino primário antes da idade estipulada por lei.
Este estudo é particularmente importante para crianças que fazem os 6 anos apenas em Janeiro e Fevereiro, não podendo por isso entrar nesse ano na escola, com implicações negativas muitas vezes, para a criança face à perda do seu grupo de amigos, para além do atraso de um ano lectivo no seu percurso escolar, sem necessidade para que isso aconteça.

Como se processa legalmente o pedido de Ingresso antecipado na escola?

a)                 Os Requerimentos devem ser dirigidos, até ao dia 15 de Maio de 2016, ao Director do Agrupamento de Escolas ou Escola não Agrupada, caso os Pais ou Encarregado de Educação pretendam que o seu educando frequente um estabelecimento da rede pública, ou ao Director Regional de Educação respectivo, caso pretendam que aquele frequente um estabelecimento da rede privada ou cooperativa;

b) Reportar-se a crianças que atinjam os 6 anos de idade, no ano civil seguinte àquele em que os respectivos Pais ou Encarregado de Educação pretendem o seu ingresso no 1º CEB;

c)Estar fundamentado e instruído com um relatório de avaliação psicopedagógica da criança, elaborado por serviços especializados ou por especialistas da área da psicologia ou do desenvolvimento, devidamente identificados.

Sem prejuízo do constante nas alíneas anteriores, a aceitação da matrícula depende sempre da existência de vaga.

Se este é o caso do seu filho ou se tem dúvidas, contacte-nos ! 


A Directora Clínica do Crescer
M. Jesus Candeias

segunda-feira

Hiperativo ou Irrequieto?

A Irrequietude Motora designa uma actividade marcada, com uma quantidade excessiva de movimentos, sem ter uma implicação de patologia;

A Hiperactividade, aplica-se a diversos tipos de comportamento mal organizado, onde domina uma combinação de irrequietude e desatenção, inadequada para a idade, com grande intensidade e gravidade dos sintomas.

Na Hiperactividade a criança dificilmente conseguirá ter ( mesmo que pequenos) momentos de atenção e concentração, não pára para brincar ou outras actividades, tem problemas graves no sono, e muita dificuldade em parar.

A Criança Irrequieta embora com grande actividade consegue alguns momentos de tranquilidade, consegue descansar, consegue parar quando as actividades lhe interessam.


Como defende João dos Santos, a irrequietude seria uma forma de reacção contra a ansiedade, e surge, muitas vezes de um fundo de depressão.

A criança, incapaz de pensar o sofrimento, utiliza o comportamento como forma de descarga. Age em vez de pensar.

O sintoma psicomotor inicial seria o sinal de uma tentativa de adaptação ao que exigem dela, um pedido de atenção ao seu sofrimento.

A instabilidade tem sempre a ver com uma espécie de fuga para a frente. Há qualquer coisa que leva a criança a não poder estar quieta, calada, silenciosa, a evitar pensar nos fantasmas mais ligados à realidade anterior.

A instabilidade seria, de algum modo, a procura da “estabilidade” de uma idade anterior, “ e, portanto, uma tentativa de “cura” da ansiedade a que conduz a insegurança”(João dos Santos, 2002)

São as marcas desse vivido precoce que perseguem a criança no seu interior, não lhe permitindo qualquer descanso (segurança).

Convém como tal e numa primeira intervenção fazer um diagnóstico correcto se Hiperactivo ou Irrequieto.

A terapêutica essencial a instituir nas crianças irrequietas e/ou Hiperactivas deverá consistir numa perspectiva sistémica, ou seja, em todas os sistemas em que a criança se encontra inserida (na criança, na família, e na escola).

A intervenção deve incidir sobretudo na família e escola, que deverão garantir à criança estabilidade e segurança.

Com a família, importa sobretudo modular a relação pais-filhos, tornando-a menos inquieta, ajudando os pais a acalmarem-se e a lidar de forma mais tranquila, que naturalmente os deixa bastante exaustos, ajudando-os na construção de uma relação mais organizadora e afectivamente mais rica e contentora.

A escola deverá ajudar a criança a pensar melhor, criando situações de aprendizagem serenas e interessantes.

O tratamento/ acompanhamento destas crianças deve ser regular, contínuo e a longo prazo.

Medicar ou não medicar as crianças com  Hiperactividade Infantil????

De acordo com Pedro Strecht assistimos, hoje em dia, a um aumento de crianças desnecessariamente medicadas.

Mais medicadas, não, necessariamente, melhor tratadas, porque ficará por perceber é que a hiperactividade e défice de atenção são meros sinais e sintomas.
Corre-se o risco de tratar sintomas ou doenças e esquecer crianças ou doentes.

A principal tarefa perante uma criança hiperactiva é sempre compreender a origem, o porquê, os significados latentes, desses mesmos sintomas.

Medicar sem compreender é como pôr a chupeta a um bebé sem perceber porque chora.
Não é melhor ver porque chora? Se é fome ou cólicas intestinais?
Voltando à nossa questão: A prescrição da medicação deve ser bastante moderada, devido aos riscos que lhes estão associados.

Taylor ( 1986, cit. por Salgueiro, 2002) num estudo que realizou, com crianças hiperactivas observou que os psicofármacos podem ter efeitos secundários importantes em certas crianças, tais como:
  • Atraso no crescimento e perda de apetite (mais frequentes)
  • Crises convulsivas, taquicardia, hipertensão, agravamento de tiques, estados disfóricos (menos frequentes).
Desta forma,  a medicação pode ser prescrita de forma bem moderada, supervisionada regularmente, nas seguintes condições:
  • Quando a criança corre risco de exclusão escolar ou familiar em virtude do seu comportamento.
  • Quando existe um desafio cognitivo imediato, com risco de retenção para a criança, ou quando esta não consegue aprender devido à falta de atenção.
Porém, sempre, e em simultâneo, a criança deve seguir um tratamento psicoterapêutico.

“Por detrás do que se vê, existe qualquer coisa de mais profundo, menos fácil, um lado lunar, mas infinitamente mais bonito e poético do que a própria vida afinal.
Esquecê-lo é ignorar. Descobri-lo é dar.
Como quem entende os silêncios do que não é dito.
Como quem sabe o que se estrutura para além de uma fachada.
Fala através de ti, com o pedaço de criança que ainda tiveres vivo, e verás o que elas te dizem. Também aí as crianças só falam do que estivermos preparados para ouvir.
Talvez por isto se vejam cada vez mais crianças a quem é colocado o rótulo de hiperactividade com défice de atenção." (Strech, 2005)

Se precisar de ajuda contacte-nos!!

Dra. Sara Lóios, 

Psicóloga de Crianças, Adolescentes e Famílias

domingo

Fobia Escolar


O Início do ano lectivo está aí e o retorno ou a entrada na escola nem sempre é calma e tranquila para todas as crianças.

Há sempre algum nervosimo e ansiedade no retorno, pode mesmo para alguns atingir níveis muito elevados de ansiedade e angustia com uma recusa total à escola: a Fobia escolar

A Fobia escolar afecta, cerca de 5% de crianças do jardim-de-infância, e cerca de 2% de crianças do ensino básico registando-se uma maior incidência de fobia escolar no primeiro ano lectivo da criança.

No entanto não é raro que a fobia escolar apareça no, 2º ciclo, ou secundário ou até mesmo na entrada da faculdade, pois como referido estas manifestações estão muito associadas a “ansiedade face ao desconhecido” e as mudanças de ciclo escolar, são sempre algo muito significativas para a criança e /ou adolescente.

O que caracteriza uma fobia escolar? 
A Fobia escolar é um medo exacerbado que a criança sente em ir para a escola. É uma perturbação da ansiedade e tem tratamento.

Numa situação típica de fobia escolar, a criança/jovem logo de manhã acorda com queixumes de dor de barriga associado por vezes a vómitos, diarreias, dor de cabeça, com intensificação do sintoma à medida que se aproxima a hora de ir para a escola, com verbalização do tipo “…não quero ir para a escola…” ou por vezes na véspera poderá surgir a questão “…amanhã é dia de ir para a escola?...” Despertando nos próprios pais alguma ansiedade na busca de melhor lidar com a situação e não deitar tudo a perder.

Na Fobia escolar da criança está, quase sempre, latente uma grande “ansiedade de separação” dos seus pais e do mundo que lhe é familiar e no qual se sente protegido.
Estas crianças geralmente, apresentam também, dificuldades em dormir sozinhas, medo de ir para casa de amigos, entre outras relutâncias em se distanciar das pessoas com as quais passa a maior parte do tempo.

Esta fobia escolar ou recusa ansiosa escolar é mais frequente no primeiro ano lectivo da vida da criança. Na fobia escolar, a criança fala da escola sempre com medo, negativismo e pode chorar para não ir.

Até se transformar na ‘segunda casa’, a escola representa um mundo desconhecido.
Na escola, é muito comum, que a criança se afaste dos colegas, se isole, não brinque, já que se sente muito mal lá dentro.

Além da manifestação explícita de não querer ir à escola, a fobia escolar pode atingir sintomas tais como: choro frequente, suores frios ou tremores, diarreia, vómitos, medo de ficar sozinha, medo de algo abstracto, incapacidade de enfrentar o problema sozinha, perda do apetite, voltar a urinar na cama, insónias, pesadelos, entre outros.

A fobia é um problema que difere completamente de preguiça ou má vontade, e do absentismo. Os próprios pais percebem isso no comportamento da criança. Também é diferente da recusa esporádica em ir à escola, especialmente após as férias.

No caso da fobia, as crianças regressam a casa, apresentam ansiedade com sintomas psicossomáticos, enquanto que os absentistas não vão para casa, não sentem ansiedade, nem sintomas. Nas fobias as crianças têm um perfil caracterizado por serem conscienciosas, perfeccionistas e bem comportadas, enquanto que os absentistas manifestam comportamentos desajustados ou delinquentes. Esta distinção é importante que seja feita, para um modo de abordar e intervir adequado pelos próprios pais.

Geralmente, as crianças que desenvolvem essa ansiedade e medo incontroláveis são boas alunas e não perdem rendimento escolar.

Quando o problema surge é essencial que a equipa da escola saiba o que está acontecendo, pois, muitas vezes, uma figura de confiança do aluno deve acompanhá-lo e permanecer por um determinado período no ambiente escolar, até que ele desenvolva autoconfiança. Os próprios coordenadores podem, por vezes, desempenhar este papel, ao ficarem mais próximos deste aluno, encorajando-o a ponto de se sentir bem na sala de aula.

O que pode estar na origem deste tipo de fobia?
Os motivos que levam a criança a desenvolver fobia escolar podem ser vários ou uma associação deles. Dentre eles estão a predisposição biológica (genética), a mudança de escola, professor severo, conflito com colegas, o temperamento da criança, a vulnerabilidade à ação do ambiente familiar (mudança de casa, divórcio dos pais, morte de um familiar, conflitos familiares), e até mesmo a preocupação excessiva de alguns pais com a separação dos seus filhos.

Os sintomas da fobia escolar estão fortemente associados ao tipo de relação da criança com seus pais, desde o nascimento até a idade pré-escolar.

Porém, é interessante salientar que duas ou mais crianças que recebem a mesma educação, tanto escolar quanto familiar, (filhas dos mesmos pais), não significa necessariamente que todas irão desenvolver fobia escolar.

A fobia escolar também pode ter origem em agressões verbais ou físicas de que a criança foi vítima na escola (ou seja, ser vítima de bullying).

Em que é que difere de uma ansiedade normal no regresso às aulas?
O primeiro ou primeiros dias desencadeiam naturalmente algum nervosismo, perante a ideia de novos professores, nova turma, nova escola ou simplesmente a mudança de rotina das férias para as aulas, até os mais calmos poderão ficar afectados nas primeiras semanas de aulas.

Outros casos existem em que a ansiedade normal pode dar lugar a medos mais significativos. As fobias ocorrem com frequência nas crianças e por vezes desaparecem espontaneamente, sinal que a criança conseguiu ultrapassar os seus receios.
No caso específico da fobia escolar, enquanto perturbação emocional que desencadeia uma resposta fóbica face à escola, inicialmente não deverá ser motivo de alarme, de um modo tranquilo os pais deverão sempre incentivar e encarar com optimismo a hora de ir para a escola, sem forçar bruscamente mas persistir no cumprimento da assiduidade escolar.
Caso este comportamento persista para além de dois meses, será importante procurar outro tipo de suporte de modo a evitar o agravamento da situação, mesmo na futura vida escolar e social da criança/jovem.

O que podem os pais fazer para ajudar os filhos com fobia escolar?
È muito importante que os pais, não ridicularizarem ou subestimem os medos da criança, pelo contrário, devem mostrar compreensão.

Porém, também devem facilitar que a criança se afaste da escola. No momento de ir para escola os pais devem ser firmes, mas respeitar a limitação de seus filhos, pois para eles já é muito difícil estar com esta dificuldade.

È importante Incentivar a criança a ir à escola, nunca obrigá-la e tentar tranquilizá-la, que no fim do dia volta a estar com os pais. Por vezes os pais poderão mesmo ter de permanecer durante alguns períodos na escola para ajudar a criança a tranquilizar-se; Manter o máximo de diálogo com a criança; Ajudar a criança a encontrar o meio de superar o obstáculo e fazer com que os amigos sejam elementos importantes na inserção na escola.

Se os sintomas persistirem para além de dois meses, e em casos mais críticos, os pais devem encaminhar o filho para psicoterapia. O tratamento da criança com fobia escolar deve ser abrangente: é necessária a participação efetiva da escola, dos pais e do psicólogo. Essa interação, entre todos e esse envolvimento é que vão fazer com que a criança supere a fobia.

É fundamental que os pais fiquem atentos quanto à procura de profissionais especializados (psicólogos ou psicoterapeutas) dado que esta fobia pode ocasionar um afastamento da escola, fracasso e repetência escolar, vergonha de enfrentar novamente os colegas, entre outros fatores.

Todos estas consequências reduzem a auto-estima da criança, com consequências para o resto de sua vida. Além disso, a tendência de uma criança com fobia escolar, se não for ajudada a ultrapassar a situação, é que desenvolva outros medos, como, por exemplo, de elevador, animais, escuro, etc. Enfim, os danos são grandes quando se adia o tratamento.


Procurar ajuda, ouvir as diretrizes dos profissionais envolvidos e poder dividir as dificuldades que possam encontrar no tratamento de seu filho, contribuirá efetivamente na maravilhosa tarefa de ser pai e mãe e no desenvolvimento de uma criança feliz.