"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

segunda-feira, março 18, 2019

A Orientação Vocacional na Adolescência


E agora? Que curso escolher?


- A Orientação Vocacional na Adolescência - 


Escolher um curso e saber qual a profissão que melhor se adapta à vocação pessoal, são decisões fundamentais na nossa vida. Grande parte da nossa realização pessoal está na profissão que vamos exercer na vida adulta. Por tudo isto, mas sobretudo por estarem num momento de intensas modificações físicas e psicológicas, é perfeitamente natural que os adolescentes se sintam inseguros e com muitas dúvidas perante um momento de escolha, tão importante como este, pelo que o processo de escolha pode ser marcado por ansiedade e medos em relação ao futuro.

Neste sentido, a Orientação Vocacional propõe-se a auxiliar os jovens a lidar melhor com esses sentimentos, promovendo o autoconhecimento e reflexão sobre a escolha profissional.

A orientação vocacional deve ser compreendida como um processo que envolve diversas atividades e instrumentos de avaliação específicos, com intenção de compreender os interesses profissionais, aptidões, valores e características de personalidade de cada um, facilitando, desta forma, a tomada de decisão em relação ao futuro.

Fases do processo de avaliação em orientação:
1.     Recolha de informação escolar, pessoal e familiar;
2.     Avaliação de valores e características de personalidade;
3.     Avaliação diagnóstica de aptidões e interesses;
4.     Estabelecimento de objetivos e das próximas decisões.
Desta forma, o jovem irá sentir-se mais seguro na hora de tomar uma decisão, tendo em conta que será uma decisão profundamente refletida, mas sobretudo fundamentada nas suas características pessoais, interesses e aptidões, sempre tendo em conta os seus desejos e objetivos para o seu próprio futuro.

Se o seu filho está indeciso em relação à área de estudos a escolher ou não tem a certeza sobre o percurso a fazer quando terminar o ensino secundário, podemos ajudá-lo neste momento de indecisão, aconselhando-o e direcionando-o no seu percurso pessoal, académico ou profissional.

Se precisar de ajuda, contacte-nos! 


Dr.ª Sara Loios
Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias
Cédula Profissional nº 20837

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Ansiedade de Separação

"Pai, Mãe... Não me deixem sozinho"


- A Ansiedade de Separação - 



O facto da infância e da adolescência serem períodos caracterizados por grandes e impactantes mudanças físicas e psicológicas, torna natural que as crianças e jovens experimentem diferentes níveis de stress face a todos os novos desafios que estas novas mudanças acarretam. No entanto, algumas destas crianças e jovens não são capazes de atingir um ajustamento psicossocial saudável, podendo apresentar diferentes perturbações ou sintomatologias, como a ansiedade, que podem influenciar o seu desenvolvimento e funcionamento nos vários contextos onde se encontram inseridas, nomeadamente familiar, escolar e social.

Para a maioria das crianças e dos adolescentes, a ansiedade é uma experiência comum, funcional e transitória, através do qual o nosso organismo se adapta normalmente às diversas situações. No entanto, esta ansiedade pode aumentar de intensidade e tornar-se, muitas vezes, exagerada ou desproporcional em relação ao estímulo, interferindo na qualidade de vida ou desempenho diário da criança ou jovem.

No que diz respeito à frequência das perturbações ansiosas nestas faixas etárias, o Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS) abrange aproximadamente metade dos casos ansiedade, revelando ser a manifestação ansiosa mais frequente.

De acordo com a literatura, o transtorno de ansiedade de separação é caraterizado por  uma ansiedade excessiva em relação ao afastamento dos pais ou outros cuidadores, que persiste, no mínimo, por quatro semanas, causando sofrimento intenso e prejuízos significativos em diferentes áreas da vida da criança ou jovem. Quando a criança percebe que os seus pais têm de se ir embora, são comuns algumas manifestações físicas, tais como dor abdominal, dor de cabeça, náuseas e vómitos. 

Quando estamos na presença do transtorno de ansiedade de separação, estas vivências intensificam-se drasticamente e expressam-se em situações onde o afastamento não justifica a intensidade do comportamento ansioso.

A origem do transtorno de ansiedade de separação é complexa. Diferentes estudos demonstram que tanto fatores biológicos, como ambientais desempenham determinada influência, como por exemplo:

Genéticos: crianças com pais ansiosos têm uma maior probabilidade de apresentar um transtorno de ansiedade;

Psicológicos: Dificuldade ao nível do reconhecimento e gestão das próprias emoções, interferindo na capacidade que a criança ou jovem acredita ter para lidar com as ameaças percebidas;

Relacionados com a família: baixo afeto e envolvimento entre pais e filhos; comportamentos parentais que desencorajam a autonomia da criança; pais superprotetores, vinculação insegura (sobretudo com a mãe); divergência parental; separação ou divórcio; gravidez da mãe ou nascimento de um irmão; doença física ou psicológica de algum dos pais.

No entanto, na maioria dos casos, a perturbação desenvolve-se após alguma situação de stress, tipicamente uma perda, a morte de um familiar ou de um animal de estimação, de uma doença da criança ou de um familiar, de uma alteração no ambiente da criança, como uma mudança de escola ou para uma nova casa.

Algumas características:

- Sentem-se pouco à vontade quando se deslocam sozinhas, afastando-se de casa ou de lugares familiares;
- Podem recusar-se a dormir em casa de amigos, a fazer recados ou a ir à escola;
- Podem ser incapazes de permanecer sozinhas num quarto;
- Podem apresentar um comportamento “adesivo”, seguindo os pais para todo o lado;
- São comuns queixas físicas como dores de cabeça ou vómitos quando se prevê que irá ocorrer uma separação;
- Grande preocupação com medos relacionados a acidentes, doenças ou morte daqueles a quem estão vinculados;
- Dificuldades em adormecer de forma autónoma.

Reforço que estas sensações são manifestações de que a nossa mente pode estar perturbada, devendo-se, assim, procurar a origem e causas dos problemas que “estão invariavelmente ligadas às relações sociais e de vinculação”. Uma avaliação rigorosa da situação e a intervenção por um técnico especializado, permite que a criança comece a perceber melhor as suas sensações e emoções, sendo gradualmente cada vez mais capaz de geri-las de forma autónoma.

Se precisar de ajuda, contacte-nos! 


Dr.ª Sara Loios
Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias
Cédula Profissional nº 20837