"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

quinta-feira

Como estimular o pensamento e as emoções do seu filho...



1. As interacções familiares e escolares são fulcrais para o desenvolvimento da inteligência emocional. As crianças aprendem através da observação do comportamento dos educadores, nesse sentido, é necessário dar o exemplo.  

É importante não esquecer que os educadores funcionam como modelos, por isso, devem saber comunicar eficazmente e manter o auto controlo, quando surgem os obstáculos.

As crianças aprendem através da observação do comportamento dos educadores, por isso é necessário dar o exemplo.

Os educadores não devem camuflar os seus sentimentos negativos, as suas dúvidas e, não devem passar a imagem de que sabem tudo ou que sabem resolver de imediato todos os seus problemas. Assim, facilitam a aprendizagem de que é necessário pensar para se poder encontrar a solução para os problemas.

Mudar é difícil, mas se queremos que as crianças mudem, os adultos que lhes servem de modelo, não podem esquecer que têm de dar o primeiro passo e modificar o seu próprio comportamento. 

2. Ensinar competências não é suficiente, educadores e crianças têm que praticar no seu quotidiano. Os educadores têm de ajudar as crianças a centrarem-se ou a chamar a sua atenção para as competências já adquiridas.       

3. Parafrasear, isto é, exprimir a mesma ideia por palavras diferentes. Ajuda as crianças a sentirem-se compreendidas. Ao falar com a criança, se repetir as palavras que ela utilizou, fica com a certeza do que quer dizer e ela sentirá que a compreendeu.

4. As crianças precisam de ser orientadas, muitas vezes temos de os ajudar a analisar as suas decisões. Essa orientação tem de se focalizar em:
a) Identificar os problemas existentes;
b) Verbalizar os problemas;
c) Definir objectivos;
d) Estratégia para os alcançar.

Esta abordagem é mais eficaz se os educadores forem efectuando perguntas e não se limitarem a expor os factos. Desta forma, as crianças são ajudadas a alcançar os objectivos que eles pretendem e, não em direcção ao que os educadores pensam ser o melhor, ou como acontece muitas vezes, pensam erradamente que é aquilo que crianças pretendem.


Exemplos que não ajudam os seus educandos a pensar:

-» Estar sempre sério, mesmo nos momentos lúdicos; 
-» Dizer-lhes sempre o que pensa em todas as situações;
-» Classificar as afirmações de boas ou más, quando a criança acaba de falar;
-» Quando eu tinha a tua idade…
-» Quando as explicações só são dadas uma vez, por pensarem que as crianças devem reter a informação de uma só vez;
-» Dizer - Faz o que eu digo e não o que eu faço;
-» Afirmar - Sou um ser humano perfeito;
-» Quando não os ajudar enfrentar uma desilusão.


Por Dra. Maria Carvalho Pereira, Psicóloga Clínica e Educacional Infantil

terça-feira

O stress parental e seu efeito nos filhos



Existem várias teorias que comprovam que as primeiras impressões do bebé ficam registadas no seu inconsciente. Por esse motivo, as suas experiências iniciais serem tão importantes para os seus comportamentos futuros.

Os cuidados básicos como alimentação e limpeza são indispensáveis para a manutenção da vida do recém-nascido, o toque, a comunicação e os gestos são estímulos necessários para estimular a comunicação entre neurónios (sinapses nervosas), incitando a inteligência e as primeiras interações e percepções do bebé, essenciais para o seu desenvolvimento emocional.

Neste sentido, os primeiros meses de vida são cruciais para estruturar como a criança e os pais irão lidar com os efeitos do stress. Desde os seus primeiros dias de vida que o bebé irá ter contacto com as causas de stress primárias, como fome, estímulos auditivos, tácteis e visuais sentidos pelo bebé como desagradáveis, e iniciar os seus próprios mecanismos de defesa face aos agentes de stress.

Nos momentos em que os seus pais andam stressados, toda a sua ansiedade, tensão e nervosismo, tem grande impacto na criança seja qual for a sua idade, que é extremamente permeável a essas sensações. O que advém é que quando os pais não estão a conseguir lidar com o stress, a sua agitação interna passa para os seus filhos.

No caso de crianças mais pequenas os sintomas psicossomáticos mais comuns, são as suas reacções físicas ao problema psicológico, tais como, comportamentos de oposição, chamadas de atenção frequentes, problemas digestivos ou de sono.

Nessas alturas, o problema pode ser só de um progenitor, mas como o stress afecta todos os que o rodeiam, podem necessitar de acompanhamento psicológico familiar, para salvaguardar a saúde dos seus filhos e a deles próprios.

O afecto dos pais desde a nascença, é o alicerce para a criança a criar laços afectivos e envolvimento com outras pessoas. Além disso, reduz o stress na criança e ainda contribui para o desenvolvimento de habilidades sociais até a fase adulta.

É importante ter-se consciência que quando os adultos estão a passar por uma situação de stress, a sua agitação interna passa sempre para filhos.
E, as crianças de pais mais tranquilos e carinhosos são capazes de lidar com o stress e a ansiedade melhor do que as que receberam menos atenção ou afecto.

A infância é a base para a construção de uma vida afectiva saudável ao longo de todo o seu crescimento, sendo essencial a estabilidade emocional dos pais nesse percurso. É indispensável o estabelecimento de uma relação saudável e afectiva dos pais com o bebé desde o seu nascimento.   

Por Maria Carvalho Pereira, Psicóloga Clínica e Educacional