"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

segunda-feira

O que são as Dificuldades de Aprendizagem?




As dificuldades de aprendizagem, podem ocorrer ao longo do percurso escolar da criança e ter origem em fatores emocionais, cognitivos e sociais. 

É importante serem diagnosticadas o mais precocemente possível, porque dessa forma permite adequar eficazmente, as estratégias que estimulem o seu desenvolvimento emocional ou cognitivo, de forma a minimizar as suas limitações.

É necessário que o diagnóstico seja realizado por um profissional qualificado (médicos e psicólogos), para identificar a causa que está na origem dessas dificuldades de aprendizagem. A psicologia é fundamental porque permite percepcionar o mundo interno da criança e compreender quais as suas necessidades específicas.

A observação deve ser realizada, por todos os que acompanham a criança nas suas aprendizagens e perceber se as dificuldades que apresenta são passageiras ou se persistem.

Podem ocorrer dois tipos de dificuldades no processo de aprendizagem:

1- As dificuldades de aprendizagem (learning dificulties), que surgem na altura em que a aprendizagem está a ser efectivada, onde a criança evidência algumas dificuldades, mas que são ultrapassáveis com apoio e intervenção adequada. Assim, podem existir dificuldades ocasionais, em distinguir por exemplo, a direita da esquerda, trocar letras simétricas, dar erros em palavras com grafia ou fonologia similar, na velocidade ou compreensão da leitura, por razões socioculturais ou nos casos em que a criança apresenta um deficit cognitivo que seja explicativo dessas mesmas dificuldades. 

2- As dificuldades de aprendizagem específicas (learning disabilities) onde a causa é sempre neurológica e estas dificuldades persistem durante toda a vida, existem é estratégias para lidar com as mesmas. Estas dificuldades de aprendizagem interferem significativamente no seu rendimento escolar porque exigem capacidades de leitura, escrita ou matemática, são intrínsecos ao indivíduo, presume-se que é devido à disfunção do Sistema Nervoso Central. As crianças têm uma inteligência normal ou superior e não apresentam problemas emocionais ou sociais e não pode ser explicada por um ensino deficiente.
As dificuldades de aprendizagem Especificas são diagnosticadas quando o desempenho da criança em testes de leitura, escrita ou cálculo, sendo específicas nestas tarefas, estão substancialmente abaixo do esperado para a sua idade, nível de escolarização e de inteligência.

Não se pode diagnosticar sem a criança iniciar a aprendizagem da leitura e não apresentam todas as mesmas dificuldades, podem evidenciar-se quatro perturbações - Dislexia, Disgrafia, Discalculia e Disortografia.

Dislexia é uma perturbação da precisão ou fluência da leitura de palavras e uma fraca competência ortográfica, que se manifesta na dificuldade em adquirir o seu mecanismo da aprendizagem da leitura e resulta de um défice na componente fonológica da linguagem.

Disgrafia é uma perturbação do tipo funcional, que afecta a qualidade da escrita, relativamente à grafia ou ao traçado, sendo responsável por uma caligrafia deficiente, com letras ilegíveis.

Discalculia é uma dificuldade nas operações matemáticas básicas, tais como, quantificação, numeração e cálculo aritmético manifesta-se sobretudo em crianças, é de carácter desenvolvimental e não resulta de uma lesão cerebral.

Disortografia é uma perturbação que afecta as aptidões da escrita, onde existem défices na capacidade da criança para organizar as ideias no texto, erros na escrita feitos de forma sistemática e recorrente. 

Existem algumas características que as crianças com dificuldades de aprendizagem específicas apresentam, tais como, ;
  • défice de atenção, 
  • dificuldades de orientação,
  •  hiperactividade, 
  • labilidade emocional, 
  • problemas psicomotores,
  •  impulsividade e 
  • dificuldades na fala, audição, memória/raciocínio.     
Um diagnóstico precoce, por um técnico especializado, como o psicólogo, pode ajudar o seu filho a desenvolver estratégias adequadas para promover as suas competências minimizando desta forma o impacto destas limitações no seu desenvolvimento e consequentemente na sua vida futura. 


Por Dra. Maria Carvalho Pereira, Psicologa Infantil e Educacional

sexta-feira

Os bébes também deprimem.


Em Portugal, entre 15 e 20 por cento dos bebés até os três anos que frequentam consultas da primeira infância sofrem de depressão, segundo dados de pedopsiquiatria dos hospitais.

Há a necessidade de os pais estarem atentos aos sinais. Os chamados «sintomas ruidosos», como a inquietude e a hiperactividade, são os mais frequentes da doença, apesar de os pais não os associarem frequentemente à possibilidade de o bebé estar deprimido. O bebé que chora muito sem motivo aparente (não tem fome, frio/calor, dores) poderá estar a dar sinais de depressão.

A depressão nos bebés é provocada por «acontecimentos negativos na sua história relacional, nomeadamente descontinuidades na relação com a mãe, rupturas, perdas, má prestação de cuidados, abandono e indisponibilidade dos prestadores de cuidados terem trocas afectivas positivas com o bebé. Mães ou cuidadores muito deprimidos não tem disponibilidade afectiva para estimular a criança e dar-lhe afecto. O bebé não deprime senão em função da depressão materna muitas vezes deprimida há longo tempo. Tudo o que a relação gera (inclusive a partir da vida uterina) tem uma preponderância essencial no comportamento dos bebés, podendo condicionar as competências inatas do bebé. A mãe interage com o seu filho se tiver competências emocionais para tal, mas, o bebé também estimula a mãe a interagir com ele (Eduardo Sá, 2003). Quando a relação já foi “mortiça” na gravidez então poderá ser mais difícil depois do nascimento. Não é invulgar ouvir mães a queixarem-se que os seus bebés choram muito, que estão desesperadas sem saber o que fazer.
Bebés deprimidos também está longe de ser um problema dos tempos modernos. Hoje os técnicos sabem mais, graças aos estudos feitos ao longo dos anos e, estão mais atentos ao problema e habilitados a reconhecer os sintomas, que podem manifestar-se de formas muito diferentes e, muitas vezes, são confundidos com outras causas e não associados à depressão.

Em situações de depressão do bebé, resta fazer um trabalho psicoterapêutico com a mãe (quase de certeza deprimida também) e com o bebé adequando aos poucos a relação maternal às necessidades do bebé. Quando trabalho não é feito, mais tarde, na infância ou na adolescência, podem surgir vários problemas derivados da depressão. São o caso das crianças distraídas, hiperactivas (sem lesão neurológica) agressivas, predispostas a acidentes, com fracos resultados escolares, e dos adolescentes que cedo começam a consumir drogas e enveredam por uma vida de delinquência. A consulta de psicologia do bebé faz, assim, todo o sentido. Se o seu filho apresenta sinais de desconforto e inquietude, não dorme, mama mal ou rejeita o biberão, chora muito, poderá estar deprimido.

segunda-feira

O que são Dificuldades de Aprendizagem Específicas?



De acordo com vários especialistas, o termo dificuldades de aprendizagem (learning disabilities
serve para descrever uma desordem de origem neurobiológica que tem como fundamento uma estrutura 
ou um funcionamento cerebral diferentes. Esta desordem afecta a forma como a criança processa a
informação, resultando em problemas quanto à sua capacidade de falar, escutar, ler, escrever, raciocinar
, organizar e rechamar informação ou de fazer cálculos matemáticos. 

Esta multiplicidade de problemas não significa que uma criança os apresente todos. Assim sendo,
cada caso é um caso com características específicas (por exemplo, problemas graves na área da leitura,
 ou na da leitura e escrita, ou na da matemática, ou em aptidões sociais), o que faz com que, muitas vezes,
 usemos o termo dificuldades de aprendizagem específicas .
As dificuldades de aprendizagem são uma desordem de carácter permanente, vitalícia portanto, que,
segundo o "National Institutes of Health" americano, afecta cerca de 15% das crianças e adolescentes 
americanos em idade escolar. 
Quanto mais cedo se efectuar a identificação e a avaliação destes alunos (nestes casos, a avaliação
 deve ser muito mais completa, compreensiva, dado que há a necessidade de se elaborarem 
programações educativas individualizadas/PEI), maior oportunidade terão de se tornarem adultos 
bem-sucedidos e produtivos, uma vez que eles possuem um quociente de inteligência na média ou
 acima da média.

No nosso país, os alunos com dificuldades de aprendizagem têm sido negligenciados pelo sistema
 educativo (incluo neste sistema os pais), continuando a não terem direito a qualquer tipo de serviço 
que se enquadre no âmbito da educação especial (serviços e apoios especializados). 

Assim sendo, uma grande percentagem destes alunos começarem cedo a sentir o peso dessa 
negligência, traduzida num insucesso escolar marcante, que leva, na maioria dos casos, ao abandono 
escolar.

Uma criança com dificuldades de aprendizagem pode necessitar terá a ver com ajustamentos e/ou 
adaptações curriculares, como, por exemplo, mais tempo para processar a informação, ou equipamento 
electrónico (exemplo, um gravador de som) para tirar apontamentos. As dificuldades de aprendizagem 
podem ser invisíveis, mas são reais.

Estudos revelam que a maioria dos americanos (91%) acreditam que "as crianças com dificuldades de 
aprendizagem processam a informação de uma forma diferente" , identificando correctamente um
conjunto de indicadores de dificuldades de aprendizagem que elas geralmente apresentam:
- inversão de letras e/ou números (79% concordam)
- problemas de leitura (72% concordam)
- problemas na organização de informação (67% concordam)
- problemas de escrita (65% concordam)
- e quociente de inteligência na média ou acima, mas dificuldade em aprender (56% concordam).
Contudo,  uma grande percentagem de crianças com dificuldades de aprendizagem 
podem compensar a sua discapacidade se lhe forem dispensados os apoios adequados.

O facto de não perceberem que a problemática é vitalícia faz com que muitos pais "adoptem uma atitude 
de 'esperar para ver'", especialmente quando se trata de crianças com 3 e 4 anos, ignorando comportamentos
 que podem ser indicadores de dificuldades de aprendizagem como, por exemplo:
- problemas em contrair amizades ou em dar-se bem com os seus pares (só 33% dos pais consideram 
estes problemas sérios);
- problemas em seguir instruções simples ou rotinas (só 27% consideram estes problemas sérios);
- muita agitação e/ou problemas de atenção (só 25% dos pais consideram estes problemas sérios);
- problemas com números, alfabeto e dias da semana (só 20% dos dos pais consideram estes problemas sérios);
- e problemas com rimas (só 16% dos pais consideram estes problemas sérios).

Perante estes factos, Marshall Raskind, director de projectos especiais e de Investigação
 da Fundação Schwab Learning , afirma que "é importante que os pais percebam que as 
crianças com dificuldades de aprendizagem crescem para se tornarem adultos com dificuldades 
de aprendizagem" e que "as dificuldades de aprendizagem não desaparecem como que por 
encanto - elas são uma condição vitalícia."


No entanto, quando se trata de crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 8 anos, 
os pais conseguem identificar indicadores de dificuldades de aprendizagem:

- problemas em segurar um lápis/caneta (67% dos pais considera estes problemas sérios)
cometer constantemente erros na leitura/soletração (60% dos pais considera estes problemas sérios)
- problemas na combinação de letras e sons (58% dos pais considera estes problemas sérios)
- e, problemas na aquisição de novas competências, apoiando-se, em seu lugar, 
na memorização (52% dos pais considera estes problemas sérios)

São estes e muitos outros problemas que tornam esta problemática numa condição séria que, 
se não for devidamente compreendida, pode fazer, e na maioria dos casos faz, com que os 
alunos que a apresentam se sintam ansiosos e frustrados, não vislumbrando qualquer saída que
 não seja o abandono escolar.

Um dos grandes desafios que enfrentamos é o de saber como assegurar sucesso escolar 
aos alunos com dificuldades de aprendizagem", a chave do sucesso estará na 
elaboração de programações educativas individualizadas que considerem ajustamentos
 e adaptações curriculares consentâneas com as suas necessidades.


Termino recorrendo à analogia feita por Jane Browning, dizendo apenas que tal como uma criança
 numa cadeira de rodas necessita de uma rampa para contornar escadas, também uma criança
 com dificuldades de aprendizagem necessita de meios específicos que a ajudem a contornar os problemas,
 tantas vezes graves, que encontra no processamento de informação, na memória, na leitura, na escrita,
 no cálculo ou na socialização.

A Psicologia surge como um recurso fundamental que  permite uma aproximação ao mundo interno
 da criança, à compreensão das suas necessidades específicas,  e a elaboração de estratégias adequadas 
que estimulem o desenvolvimento Cognitivo da Criança de forma a minimizar as suas limitações.

Se é o caso do seu filho(a) contacte-nos!

quarta-feira

Síndrome da Alienação Parental: o Bullying nas relações familiares




A Síndrome da Alienação Parental é um tema que vem despertando muita atenção na comunidade jurídica.Trata-se de grave situação que ocorre dentro das relações de família, em que  após o término da vida conjugal, o filho do casal é “programado” por um dos seus progenitores (geralmente pela mãe que detém a guarda da criança) para odiar sem qualquer justificativa o  outro progenitor.
Dominado por um sentimento de vingança, o progenitor e agora ex-cônjuge começa verdadeira empreitada no sentido de destruir a imagem que o filho guarda do outro progenitor.
O grande problema dessa abominável prática é que o “vingador” provoca profundos danos psíquicos na criança, ainda que esta não seja sua intenção, pois, o “alvo” dos ataques, na cabeça do agressor é o ex-cônjuge.
É aí que reside a crueldade: para atingir o (a) ex- companheiro (a) o detentor da guarda da criança, em sua empreitada insana, desferir diversos ataques aptos a colocar a criança sob constante estado de tensão.
Nesta insana empreitada o detentor da guarda assume um controle total colocando o ex-cônjuge aos olhos do filho como um verdadeiro “vilão”, um monstro.
Assim, nesta trajetória, o agressor acaba fazendo duas vítimas: a criança, que é constantemente colocada sob tensão e “programada” para odiar o outro progenitor, sofrendo profundamente durante o processo; e o ex-cônjuge que sofre com os constantes ataques e que ao ter sua imagem completamente destruída perante o filho amarga imenso sofrimento.
A Síndrome da Alienação Parental é uma das várias formas do Bullying. O fenômeno Bullying consiste em agressões repetidas sem qualquer justificativa, que visam colocar a vítima em constante estado de tensão.
Na precisa lição de Lélio Braga Calhau, estudioso e combatente do fenômeno Bullying, o “Bullying é um assédio moral, são atos de desprezar, denegrir, violentar, agredir, destruir a estrutura psíquica de outra pessoa sem motivação alguma e de forma repetida”[1].
Para Cleo Fante citada por Lélio Braga Calhau, o Bullying é “palavra de origem inglesa, adotada em muitos países para definir o desejo consciente e deliberado de maltratar uma outra pessoa e colocá-la sob tensão”[2].
A Síndrome da Alienação Parental é o Bullying Familiar ou Bullying nas Relações Familiares, pois, o agressor acaba colocando o filho e o ex-cônjuge em constante estado de tensão, impingindo terrível sofrimento a ambos. Ainda que o agressor não tenha a intenção de atingir a criança, é inequívoco que nesta prática abominável, a criança é profundamente atingida.
Assim, não temos dúvida em afirmar que o ex- cônjuge e o filho acabam sofrendo muito e ambos tornam-se vítimas desta espécie de Bullying praticada dentro das relações familiares.
O Bullying Familiar ou Bullying nas Relações Familiares (que pode se apresentar sob a forma da Síndrome da Alienação Parental), assim como toda e qualquer espécie de Bullying, deve ser veementemente combatido, rechaçado efetivamente, em razão de ser uma prática atroz e de conseqüências nefastas.