"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

sexta-feira

Os bébes também deprimem.


Em Portugal, entre 15 e 20 por cento dos bebés até os três anos que frequentam consultas da primeira infância sofrem de depressão, segundo dados de pedopsiquiatria dos hospitais.

Há a necessidade de os pais estarem atentos aos sinais. Os chamados «sintomas ruidosos», como a inquietude e a hiperactividade, são os mais frequentes da doença, apesar de os pais não os associarem frequentemente à possibilidade de o bebé estar deprimido. O bebé que chora muito sem motivo aparente (não tem fome, frio/calor, dores) poderá estar a dar sinais de depressão.

A depressão nos bebés é provocada por «acontecimentos negativos na sua história relacional, nomeadamente descontinuidades na relação com a mãe, rupturas, perdas, má prestação de cuidados, abandono e indisponibilidade dos prestadores de cuidados terem trocas afectivas positivas com o bebé. Mães ou cuidadores muito deprimidos não tem disponibilidade afectiva para estimular a criança e dar-lhe afecto. O bebé não deprime senão em função da depressão materna muitas vezes deprimida há longo tempo. Tudo o que a relação gera (inclusive a partir da vida uterina) tem uma preponderância essencial no comportamento dos bebés, podendo condicionar as competências inatas do bebé. A mãe interage com o seu filho se tiver competências emocionais para tal, mas, o bebé também estimula a mãe a interagir com ele (Eduardo Sá, 2003). Quando a relação já foi “mortiça” na gravidez então poderá ser mais difícil depois do nascimento. Não é invulgar ouvir mães a queixarem-se que os seus bebés choram muito, que estão desesperadas sem saber o que fazer.
Bebés deprimidos também está longe de ser um problema dos tempos modernos. Hoje os técnicos sabem mais, graças aos estudos feitos ao longo dos anos e, estão mais atentos ao problema e habilitados a reconhecer os sintomas, que podem manifestar-se de formas muito diferentes e, muitas vezes, são confundidos com outras causas e não associados à depressão.

Em situações de depressão do bebé, resta fazer um trabalho psicoterapêutico com a mãe (quase de certeza deprimida também) e com o bebé adequando aos poucos a relação maternal às necessidades do bebé. Quando trabalho não é feito, mais tarde, na infância ou na adolescência, podem surgir vários problemas derivados da depressão. São o caso das crianças distraídas, hiperactivas (sem lesão neurológica) agressivas, predispostas a acidentes, com fracos resultados escolares, e dos adolescentes que cedo começam a consumir drogas e enveredam por uma vida de delinquência. A consulta de psicologia do bebé faz, assim, todo o sentido. Se o seu filho apresenta sinais de desconforto e inquietude, não dorme, mama mal ou rejeita o biberão, chora muito, poderá estar deprimido.

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