"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

terça-feira

Terapia Familiar



A família é, idealmente, o grupo de pessoas com quem estamos mais próximos, com os quais nos sentimos mais confortável, por quem temos um maior amor e profunda ligação. Idealmente também, uma pessoa sabe que pode sempre contar com a sua família, compartilhar os seus pensamentos e sentimentos e recorrer a eles para o apoio. 

Naturalmente, a realidade de uma família não é nada como o ideal e não há tal coisa como uma família perfeita. Cada família é única, com sua própria combinação de características, qualidades e dificuldades, e problemas existem em todas. O que pode variar é o modo como conseguem lidar ou não com os mesmos. 

Se vivem juntos na mesma casa ou não (mas especialmente se vivem juntos) a dinâmica da família, se não for harmoniosa maior parte do tempo, pode interferir em muito com o funcionamento de cada membro da família e até mesmo alargar-se à família mais extensa. Quando dois membros da família não se dão bem, isso afeta toda a família, se mais de duas pessoas estão em desacordo, rapidamente pode levar a dificuldades duradouras com depressão , ansiedade, dependências, ou até problemas de saúde física . 

A dificuldade de problemas Familiares também é uma força: Nenhuma pessoa é culpada ou responsável pelos problemas da família, embora uma pessoa, possa manifestar-se mais ou evidenciar mais sintomas. O que significa que, muitas vezes, toda a família deve trabalhar e cooperar para que a estabilidade seja encontrada. Apesar de esta cooperação ser por vezes um desafio, é também uma grande oportunidade para fortalecer os laços Familiares e as interações. 

A Terapia Familiar é um tipo de Psicoterapia que ajuda os membros da família melhorar a comunicação e adquirir ferramentas para a resolução dos conflitos. 

Nas sessões de Terapia Familiar existe um aprofundar do conhecimento das relações e dinâmicas Familiares, o que promove na família as competências para lidar com as suas dificuldades, mesmo depois do final da Terapia. 
A Terapia Familiar deve ser realizada por um especialista nesta área. Estes terapeutas têm um grau de especialização associado a Associações ou Sociedades Científicas e só desta forma poderá aceder-se a um trabalho eficaz e sério.



Por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta e Terapeuta Familiar.

sexta-feira

O meu filho não me respeita!




  O que se entende por desrespeitar os pais? Existem limites? Quais?

 É comum que, durante a etapa da adolescência, surjam mudanças significativas nas relações familiares. 
Em muitos casos, essas mudanças fazem-se acompanhar de um aumento de conflitos entre pais e filhos.
A adolescência traz consigo a necessidade de questionar, de descobrir, de redirecionar. Passa a haver a necessidade de rever as regras, os valores e até as crenças familiares.  
Um/a filho/a mais instável e irritado/a pode tão somente estar a manifestar, à sua maneira, a necessidade de diferenciação das figuras parentais, em busca da sua própria identidade.
É comum os jovens manifestarem ataques de raiva, isolarem-se em quartos fechados, buscarem apoio nos avós ou começarem a apresentar comportamentos desafiadores ou de risco.

Os adolescentes desafiam o sistema familiar porque essa é a natureza do desenvolvimento, nem sempre se trata de uma questão de desrespeito! 
Famílias com fronteiras mais flexíveis permitem que o adolescente se vá experimentando em diferentes territórios, aproximando-se quando se sente inseguro e afastando-se quando necessita de testar a sua independência.

Se pelo contrario, os pais, são rígidos e inflexíveis,  não vão facilitando  a separação e autonomia do jovem, os jovens começam a usar meios cada vez mais extremos para tentar impor a sua precária autoridade ou para marcar distâncias, incluindo a utilização de violência tanto com os seus irmãos mais novos como com os seus progenitores.
 A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do      reequilíbrio emocional. 
A clareza das regras e limites é essencial para assegurar estes 3 grandes pilares da vida do adolescente.

Assim, nesta fase, é fundamental que os pais  apostem  num aumento da flexibilidade das fronteiras e nas forma de expressar a sua  autoridade, de forma a manter a harmonia familiar. È essencial distinguir e não confundir entre os pais como autoridade de pais autoritários.

O respeito e os limites estão ultrapassados quando entramos no campo da violência familiar.

A violência filio-parental, é um tipo de violência familiar e refere-se a comportamentos de violência física (agressões, empurrões, atirar objectos) verbal (insultos repetidos, ameaças) ou não verbal (ameaças de agressão, destruição de objectos apreciados) realizados de maneira repetida em relação a um ou ambos os progenitores, ou aos adultos que ocupam o seu lugar,

Este tipo de violência origina um enorme sofrimento e stress nas famílias, ao mesmo tempo que podem representar o inicio de uma “carreira de agressor” nos jovens que perpetuam este tipo de violência, necessitando por isso de uma resposta específica por parte dos profissionais de saúde mental.

  Que tipos de casos entre mau relacionamente entre pais e filhos costuma receber nas suas consultas?


Existem pedidos muito diversos e que vão desde os pequenos conflitos familiares entre pais filhos, pais que não se sentem respeitados e que não conseguem fazer com que os filhos cumpram as suas regras, muitos pais com dificuldades em lidar com s processos de autonomia na adolescência dos seus filhos, aos casos de violência entre pais e filhos e de referir que são cada vez mais frequentes.

Por que muitos pais não conseguem ganhar respeito dos seus filhos? Quais os quadros familiares associados a este tipo de relação?

As dificuldades dos pais em ganharem o respeito dos filhos estão fortemente associadas a  praticas parentais pouco adequadas às necessidades dos filhos.
Os conflitos, os problemas, e a Violência Filio-Parental são resultado de uma interacção disfuncional entre os diferentes membros do sistema familiar em que a psicopatologia aparece como expressão dessa disfuncionalidade. Esta violência tem um sentido e uma função dentro da família que deve ser entendido e decifrado.
 Podemos apontar os seguintes factores que favorecem o aparecimento da violência filio parental:
·                Experiência familiar prévia de utilização da violência para resolução de conflitos;
·                Violência familiar generalizada: todos contra todos;
·                Pais não normativos “democráticos”, excessivamente permissivos, que gostam dos seus filhos façam estes o que fizerem;
·                Pais superprotectores por razões diversas: filho muito desejado, tardio, frágil ou adoptado, dispostos a satisfazerem todos os desejos dos seus filhos.
·                Relação “passional”, “fusional” entre um dos progenitores e o filho;
·                Violência prévia dos pais entre si ou sobre o filho;
·                Conflito intenso entre os pais;
·                Triangulação do filho.
·                Pais insatisfeitos com os seus papeis ou verbalizações de que as suas vidas são vazias;
·                Inconsistência e desacordo entre os pais na educação dos filhos;
·                Severidade desproporcionada dos castigos e dos actos dos filhos;
·                Excessivo criticismo e intrusão por parte dos pais;
  • Problemas de hierarquia: pais que renunciam ao seu papel e recusam estabelecerem normas;
  • A ausência de uma clara definição hierárquica é a principal característica do funcionamento destas famílias. A dificuldade em estabelecer normas e limites são os pontos mais evidentes nestas famílias quando procuram ajuda.

Nestas famílias é frequente encontrarmos situações em que um ou às vezes os dois progenitores, abdicaram do seu papel parental, tendo deixado de se comportar como pais.
 
 Quais são os pensamentos/sentimentos mais comuns nos pais perante este tipo de problema com os filhos?


A vergonha, a sensação de fracasso enquanto pais, a desilusão e o sentimento de impotência face ao problema são sentimentos comuns nestes pais.

     Como devem reagir os pais quando os filhos os agridem tanto psicologica e/ou fisicamente?


Quando chegamos a este ponto é muito difícil os pais, por si mesmos, resolverem ou reverterem a situação. Muita coisa se danificou dentro de uns e outros, as formas de relacionamento dentro da família estão “doentes”  e a ajuda profissional nestes casos parece-me essencial.
Porém , importa referir que o uso da força pelos pais, ou a restituição  da ordem ou do respeito pelos mesmos meios ( a violência  verbal e física) não é de todo o caminho a seguir.
A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do reequilíbrio emocional. 
O adolescente/criança ainda não é adulto, pelo que necessita de contar ainda com uma família que lhe garanta as necessidades de afecto, de segurança e de estrutura. 
Clarificar e definir regras e limites é essencial para a organização emocional do jovem.

 De referir porém, que com ajuda especializada, estes problemas resolvem-se e a família pode reaprender a viver em harmonia. 

 Por que muitos pais suportam ser mal tratados pelos seus filhos?

Nas famílias com Violência Filio-Parental a imagem familiar, tanto dos pais como dos filhos encontra-se detiorada.  A sensação de fracasso dos pais na educação dos filhos, a vergonha que implica ser agredido por um filho, impõe a necessidade de protecção da imagem familiar, o que faz com que as famílias afectadas muitas vezes subestimem a agressão e minimizem os seus efeitos, mesmo quando são públicos e evidentes. A deterioração da situação familiar faz com que a família adopte comportamentos de forma a apresentar uma imagem oposta, potenciando assim o Mito da Paz e da Harmonia Familiar, muito frequente nestas famílias, mesmo quando no exterior já se sabe. Para ocultar o que está acontecendo vai-se construindo um segredo familiar: começa a evitar-se determinados temas, a deixar de falar de situações e comportamentos que poderão por em causa o Mito.
A negação da violência filio-parental , por parte dos pais,  é praticamente uma norma e pode chegar a extremos graves: toleram-se níveis elevados de agressividade durante um período prolongado de tempo antes de se tomarem medidas .

Existem muitos filhos que culpam os seus pais pela falta de sucesso na sua vida e consideram que é obrigação dos pais ajudá-los incondicionalmente.
Como devem os pais contrariar esta pressão dos filhos?


Os filhos pedem… cabe aos pais dizer tranquilamente, sem culpas, que não podem! Os filhos fazem pressão, quando sabem que ao fim de algum tempo de pressão conseguem alcançar os seus objectivos. Quando perceberem quer não conseguem nada com pressão, acabam por abandonar essa estratégia. Assim sendo, a consistência e coerência das regras, pelos pais é fundamental! Não podem dizer que não a algo, e depois sim, sem nenhuma razão justificativa para essa mudança de opinião. E não devem sentir-se culpados por dizer não aos filhos! Os pais podem até não ter feito tudo como deviam, mas fizeram aquilo que sabiam e acharam melhor, mas a partir de certa altura são os filhos, agora jovens adultos, que passam a ser responsáveis por si próprios.
A culpa que os pais  possam eventualmente ter, por ter falhado algures, podem admiti-la, mas com a consciência de que não a podem corrigir porque o tempo não volta atrás, e principalmente que não têm de continuar a pagar essa culpa sob  chantagem e  cedências à pressão dos filhos.

A incapacidade de pais e filhos comunicarem, ou porque não falam a mesma linguagem, ou porque não respeitam as crenças uns dos outros, entre outros, podem algum dia ser ultrapassados?

Sim, sem dúvida que se podem ultrapassar essas diferenças. A terapia familiar é fundamental no restabelecimento da harmonia familiar. Numa família, não têm de pensar todos o mesmo, mas têm sobretudo de falar a mesma língua: a do respeito e admiração pela individualidade de cada um.

Entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga clínica e Psicoterapeuta, para o Portal Sapo Saúde , Setembro 2012

Pais ou filhos. Quem tem mais medo do primeiro dia de Escola?


Entrevista cedida e publicada por Por Jornal i, publicado em 25 Ago 2012 - 03:10 | Actualizado há 1 semana 6 dias

Faltam duas semanas para o regresso às aulas. Pais receosos com a adaptação dos filhos às rotinas da escola nada têm a temer. O i perguntou a pediatras, psicólogos e professores o que precisa de saber para enfrentar birras, choros ou ansiedades de crianças e adolescentes. Aqui fica um contributo para começar o ano lectivo com o pé direito

A difícil arte de Educar os filhos...


Não é fácil educar, certeza que quase todos os pais têm. Há crianças fáceis que dão pouco trabalho, mas há outras que deixam os pais desesperados, logo desde que nascem. É comum os pais dizerem que o outro filho não lhe deu trabalho. Pois bem, apesar de poderem existir vários irmãos filhos dos mesmos pais, eles são pessoas diferentes, logo reagem de diferentes modos requerendo outras formas de educação.
Não há pais perfeitos, nem educação ideal, mas há erros que podem ser evitados. O carinho e as regras são fundamentais na educação de todas as crianças. Muitas vezes pais culpabilizados pelo pouco tempo que passam com os filhos substituem o afecto por brinquedos caros. As crianças devem ser incentivadas a viver para o ser e não para o ter. Uma educação pautada por regras firmes mas justas e impostas com afecto é a garantia de estar a construir um ser humano saudável. Tudo isto utilizando a pedagogia do bom senso.
Alguns erros a evitar:
Compensar as ausências com presentes – O que conta é a qualidade do tempo que os pais passam com o filho. Vale mais uma hora diária (embora seja pouco) em que esteja totalmente com o seu filho do que um dia inteiro em que estejam juntos em casa mas a criança está entregue a si própria e à televisão ou computador. A tendência dos pais é fazerem-se substituir pelos presentes logo a criança passa a medir o afecto pelos presentes que recebe. 

Querer ser amigo em vez de pai ou mãe – os pais não são os melhores amigos dos filhos, esses estão lá fora. Há pais que acreditam que as crianças vão gostar mais deles se tiverem um comportamento de amigo em vez de pai. Nada mais errado. As crianças querem pais que sejam pais, que contenham, que estabeleçam limites. Ser amigo do filho vai levar a que a criança relativize as regras e os conselhos e fique confusa. Pais são pais, não são amigos.

Quebrar as regras impostas – as regras tem que ser explicadas e ser justas para que sejam eficazes. Uma regra aplicada de forma injusta e com autoritarismo é uma regra que deseduca. Dizer não é uma necessidade em educação. Muitas vezes os pais têm medo de dizer não. Se proibiu o seu filho de ver televisão durante um tempo não quebre a regra, o seu filho irá julgar que pode quebrar as regras. A nível social poderá trazer-lhe problemas um dia mais tarde. 

Fazer comparações entre filhos ou com outras crianças – é importante aceitar que as crianças têm ritmos diferentes e tempos de aprendizagem diferentes. Comparar com outro filho dizendo que o outro é ou foi melhor aluno, que o colega é mais inteligente porque tem melhores notas, cria sentimentos de frustração enormes. Deve aceitar o seu filho como ele é sem fazer comparações com os outros. Isso não impede que o incentive a ser uma pessoa melhor e mais bem preparada para a vida. Sem cair em exageros claro.

Fazer pelos filhos em vez de ensinar a fazer – as crianças precisam de experimentar a fazer as coisas. Aprende-se praticando. Errar e voltar a tentar é a única forma de aprender. Por vezes os pais não deixam os filhos falhar e fazem as tarefas por eles. O seu filho tem seis anos e quer tomar banho sozinho? Ainda bem, está a manifestar a sua autonomia e por isso deve ser incentivado.

Impor a perfeição aos filhos – nenhum filho é perfeito. Impor a perfeição sob pena da retirada do afecto ou de castigos é algo que cria um sentimento enorme de inferioridade. Um pai que nunca está satisfeito com as notas do filho (mesmo que o filho tenha tido 92% numa prova) é criar um sentimento de imperfeição e subir os parâmetros para níveis que levam sempre a uma grande insatisfação. Se o seu filho é um aluno médio ajude-o a aproveitar melhor as suas capacidades mas em exigir o impossível.
   
Proteger demasiado – Proteger demasiado uma criança para que não passe por frustrações medos ou fracasso poderá levar ao bloqueio da criança. Deixe-o experimentar e falhar. Ajude-o a lidar com as adversidades da vida e a defender-se. Proteger demasiado inibe a agressividade necessária à sobrevivência. 

Mostrar as próprias fragilidades à criança – mostrar as preocupações às crianças vai levar a um sentimento de insegurança enorme. Os filhos esperam pais fortes e capazes de os proteger. Mostrar uma imagem de pai ou mãe desvalorizado e pouco competente pode levar a criança a criar sentimentos de culpa. Poderá falar de alguns problemas mas sem sobrecarregar com moralismos ou culpabilidade. 

Desautorizar o pai ou a mãe em frente à criança– quando os pais se desautorizam estão a desvalorizar-se perante a criança. A criança deixa de respeitar ambos os pais. Mesmo que não concordem devem falar em privado e chegar a um consenso. As crianças aprendem a manipular os pais que não estão em sintonia. 

Não conversar com os filhos – para que a criança crie confiança é necessário que a comunicação seja aberta na família. Nunca deixe de responder às questões do seu filho e mantenha o canal de comunicação aberto para que ele recorra sempre que precise. 

Brincar com a criança – há pais que não brincam com os filhos, ou deixam de brincar cedo demais por acharem que isso infantiliza a criança. Brincar com os pais fortalece os laços entre pais e filhos e ensina o verdadeiro valor do afecto: a criança sente-se amada e apoiada. Programar brincadeiras e actividades em família é das coisas mais proveitosas que pode fazer pelo futuro do seu filho. 

Deixar a educação para a escola – na escola não se educa, espera-se que as crianças tragam educação de casa. A educação tem que ser feita pelos pais. A função do professor é ensinar. Os problemas de disciplina estão a aumentar pela demissão dos pais da educação dos filhos. Responsabilize o seu filho pelo seu comportamento na escola e não lhe permita faltas de respeito com os professores. Deixe isso bem claro. Exija do professor que ensine, não que ensine valores morais e de conduta, embora também o possa fazer. Se os pais não cumprirem o papel de educadores, o professor vai ter dificuldade em ensinar por ter que por limites e regras que já deveriam estar adquiridos.   

segunda-feira

O Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)



É uma síndrome que ocorre geralmente na infância é caracterizada por hiperatividade, impulsividade e dificuldades em manter atenção, causando problemas a si próprio e aos outros em pelo menos dois ambientes em casa e na escola. Estima-se que 3% e 6% das crianças em fase escolar apresentam este transtorno.
O TDAH é um transtorno que tem como características a desatenção, a agitação e a impulsividade, podendo originar problemas emocionais, de relacionamento e baixo sucesso escolar entre outros problemas psicológicos.
A criança hiperativa pode em muitos casos apresentar uma inteligência normal ou acima da média, mas é qualificado pelos problemas comportamentais e de aprendizagem. Assim é importante que os educadores da criança hiperativa aprendam a lidar com a impulsividade, a falta de atenção, instabilidade emocional da criança.
A criança com Déficit de Atenção isola-se muitas vezes, por não perceber por que é diferente dos seus pares. Sente-se frustrada com as suas frequentes dificuldades. E por esse motivo pode apresentar baixa auto-estima, stress e tristeza.

Critério de Diagnóstico

É essencial que apresente pelo menos 6 dos sintomas de desatenção e ou 6 dos sintomas de hiperatividade e devem manifestar-se por um período superior a seis meses.

Sinais frequentes:

 

Predomínio de desatenção

1.   Presta pouca atenção a detalhes em tarefas escolares,
2.   Para manter a atenção em atividades lúdicas,
3.   Parece ausente quando falam com ela,
4.   Dificuldade em seguir instruções e termina deveres escolares, mas cuja motivo não é por comportamento de oposição ou inaptidão de compreender instruções,
5.    Problemas na organização de tarefas e atividades,
6.   - Desmotivação em tarefas complexas e demoradas, desmotivantes que exijam esforço mental constante,
1.   Perde materiais necessários para as tarefas ou atividades lúdicas ou escolares,
2.   Distração com qualquer estímulo à sua volta,
3.   Esquece frequentemente atividades diárias.

 

Predomínio de Hiperatividade e Impulsividade


Hiperatividade
1.   Agitação das mãos ou pés,
2.   Dificuldade em permanecer muito tempo na mesma posição,
3.   Movimentos frequentes em situações nas quais isto é inapropriado.
Em adolescentes a sensações de inquietação,
4.   Dificuldade em brincar silenciosamente,
5.   Agitação frequente,
6.   Fala em demasia.

Impulsividade
1.   Respostas precipitadas frequentemente,
2.   Impaciência em saber esperar pela sua vez,
3.   Interrompe conversas ou brincadeiras alheias.



Problemas associados às crianças com TDAH:
1.   Colocar ideias em prática,
2.   Organizar e gerir o tempo,
3.   Tendência ao isolamento,
4.   Falta de iniciativa,
5.   Humor instável,
6.   Pouca tolerância à frustração,
7.   Dificuldade em fazer-se entender,
8.   Necessidade incessante de estímulos,
9.   Não aprende com os próprios erros.

Existe muita controvérsia sobre o assunto, alguns especialistas que defendem o uso de medicamentos, outros são da opinião que a criança deve aprender a lidar com TDAH  sem a utilização de medicamentos.

Em nosso atender a medicação deve ser usada com grandes restrições  e só em casos em que se revele imprescindivel.

Por Dra. Maria Carvalho Pereira, Psicologa Clínica Infantil

quinta-feira

Como estimular o pensamento e as emoções do seu filho...



1. As interacções familiares e escolares são fulcrais para o desenvolvimento da inteligência emocional. As crianças aprendem através da observação do comportamento dos educadores, nesse sentido, é necessário dar o exemplo.  

É importante não esquecer que os educadores funcionam como modelos, por isso, devem saber comunicar eficazmente e manter o auto controlo, quando surgem os obstáculos.

As crianças aprendem através da observação do comportamento dos educadores, por isso é necessário dar o exemplo.

Os educadores não devem camuflar os seus sentimentos negativos, as suas dúvidas e, não devem passar a imagem de que sabem tudo ou que sabem resolver de imediato todos os seus problemas. Assim, facilitam a aprendizagem de que é necessário pensar para se poder encontrar a solução para os problemas.

Mudar é difícil, mas se queremos que as crianças mudem, os adultos que lhes servem de modelo, não podem esquecer que têm de dar o primeiro passo e modificar o seu próprio comportamento. 

2. Ensinar competências não é suficiente, educadores e crianças têm que praticar no seu quotidiano. Os educadores têm de ajudar as crianças a centrarem-se ou a chamar a sua atenção para as competências já adquiridas.       

3. Parafrasear, isto é, exprimir a mesma ideia por palavras diferentes. Ajuda as crianças a sentirem-se compreendidas. Ao falar com a criança, se repetir as palavras que ela utilizou, fica com a certeza do que quer dizer e ela sentirá que a compreendeu.

4. As crianças precisam de ser orientadas, muitas vezes temos de os ajudar a analisar as suas decisões. Essa orientação tem de se focalizar em:
a) Identificar os problemas existentes;
b) Verbalizar os problemas;
c) Definir objectivos;
d) Estratégia para os alcançar.

Esta abordagem é mais eficaz se os educadores forem efectuando perguntas e não se limitarem a expor os factos. Desta forma, as crianças são ajudadas a alcançar os objectivos que eles pretendem e, não em direcção ao que os educadores pensam ser o melhor, ou como acontece muitas vezes, pensam erradamente que é aquilo que crianças pretendem.


Exemplos que não ajudam os seus educandos a pensar:

-» Estar sempre sério, mesmo nos momentos lúdicos; 
-» Dizer-lhes sempre o que pensa em todas as situações;
-» Classificar as afirmações de boas ou más, quando a criança acaba de falar;
-» Quando eu tinha a tua idade…
-» Quando as explicações só são dadas uma vez, por pensarem que as crianças devem reter a informação de uma só vez;
-» Dizer - Faz o que eu digo e não o que eu faço;
-» Afirmar - Sou um ser humano perfeito;
-» Quando não os ajudar enfrentar uma desilusão.


Por Dra. Maria Carvalho Pereira, Psicóloga Clínica e Educacional Infantil