"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos
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terça-feira, novembro 20, 2012

Terapia Familiar



A família é, idealmente, o grupo de pessoas com quem estamos mais próximos, com os quais nos sentimos mais confortável, por quem temos um maior amor e profunda ligação. Idealmente também, uma pessoa sabe que pode sempre contar com a sua família, compartilhar os seus pensamentos e sentimentos e recorrer a eles para o apoio. 

Naturalmente, a realidade de uma família não é nada como o ideal e não há tal coisa como uma família perfeita. Cada família é única, com sua própria combinação de características, qualidades e dificuldades, e problemas existem em todas. O que pode variar é o modo como conseguem lidar ou não com os mesmos. 

Se vivem juntos na mesma casa ou não (mas especialmente se vivem juntos) a dinâmica da família, se não for harmoniosa maior parte do tempo, pode interferir em muito com o funcionamento de cada membro da família e até mesmo alargar-se à família mais extensa. Quando dois membros da família não se dão bem, isso afeta toda a família, se mais de duas pessoas estão em desacordo, rapidamente pode levar a dificuldades duradouras com depressão , ansiedade, dependências, ou até problemas de saúde física . 

A dificuldade de problemas Familiares também é uma força: Nenhuma pessoa é culpada ou responsável pelos problemas da família, embora uma pessoa, possa manifestar-se mais ou evidenciar mais sintomas. O que significa que, muitas vezes, toda a família deve trabalhar e cooperar para que a estabilidade seja encontrada. Apesar de esta cooperação ser por vezes um desafio, é também uma grande oportunidade para fortalecer os laços Familiares e as interações. 

A Terapia Familiar é um tipo de Psicoterapia que ajuda os membros da família melhorar a comunicação e adquirir ferramentas para a resolução dos conflitos. 

Nas sessões de Terapia Familiar existe um aprofundar do conhecimento das relações e dinâmicas Familiares, o que promove na família as competências para lidar com as suas dificuldades, mesmo depois do final da Terapia. 
A Terapia Familiar deve ser realizada por um especialista nesta área. Estes terapeutas têm um grau de especialização associado a Associações ou Sociedades Científicas e só desta forma poderá aceder-se a um trabalho eficaz e sério.



Por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta e Terapeuta Familiar.

quarta-feira, novembro 16, 2011

Crise Conjugal... Fim ou Recomeço de uma relação?



A discussão termina todos os dias em gritos e insultos. Um quer sair à noite e o outro não; um chega tarde e o outro zanga-se; há um que gasta demais e outro de menos; ambos querem ir de férias e cada qual escolhe um destino. Tudo serve para subir o tom, para um deles sair do quarto, levar a almofada e dormir no sofá.

As zangas, os medos, os ressentimentos, o silêncio entram no meu consultório e ficam várias semanas a ser dissecados até indicarem uma de duas portas
: - o fim ou o recomeço.

O trabalho vai-se desenvolvendo em torno de reflexões para que os casais consigam perceber quais as razões que desgastam a relação. Os indícios são visíveis a olho nu e muitas vezes estavam lá desde o princípio. Só que a maioria prefere fechar os olhos e mergulhar de cabeça numa paixão. Até ao momento em deixa de ser possível ignorar os problemas que minam um relacionamento: Expectativas defraudadas ou dificuldade em aceitar o outro são algumas das grandes dificuldades identificadas entre os casais.

E deixar de falar é o maior dos erros. Fingir que está tudo bem. Esperar que os problemas desapareçam sem fazer nada para isso é o mesmo que acreditar em milagres. A estratégia tem quase sempre um único resultado: "O casal afasta-se cada vez mais até ao dia em que olham um para o outro e descobrem que já não se reconhecem." 

Ficam sozinhos, sem vontade de conversar e sentem-se perdidos: "É o momento de se sentarem frente-a-frente e forçar o diálogo." Se a estratégia falhar é sempre possível recorrer à terapia de casal.

Embora a procura da terapia de casal tenha vindo a crescer, ainda há muita resistência em pedir ajuda profissional, não só por falta de divulgação, mas também porque os casais receiam uma invasão da sua  intimidade.

É importante salientar que nem sempre , entrar num consultório e pedir ajuda de um terapeuta, serão suficientes para salvar o casamento. Haverá sempre histórias que terminam em divórcio.

A separação é uma decisão solitária que nunca surge de ânimo leve. É preciso perceber quando vale a pena insistir e quando chegou o momento de desistir.

Muitas vezes não há como restaurar o amor, a confiança e o respeito" – que são a meu ver, os três pilares obrigatórios para manter uma vida em conjunto. No dia em que isso deixar de acontecer, significa que um ou ambos anularam a identidade e deixaram de existir.

O divórcio, é uma "guerra de silêncios". É não fazer as refeições em conjunto, dormir em quartos separados, evitar a intimidade ou não ter vontade de regressar a casa.

É preciso saber terminar uma relação com dignidade, o que acontece poucas vezes." Boa parte dos casais deixa a relação arrastar-se e espera por motivos fortes para tomar uma decisão. Usam a infidelidade, a agressão verbal ou física para justificarem o divórcio, quando os motivos começaram muito antes.

Mesmo que o divórcio seja o caminho, é preciso continuar a falar: "Perceber o que aconteceu, assumir responsabilidades sem atribuir culpas é um processo obrigatório para qualquer casal que opta pela separação". Decifrar todos os passos que conduziram ao fim do casamento é a única saída para não cometer os mesmos erros em futuras relações. "Caso contrário, corre-se o risco de saltar de pessoa em pessoa sem qualquer perspectiva."

O fim é o início de um outro capítulo em que é preciso aprender que o "amor não basta por si só para suportar um casamento." Exige esforço diário, mesmo quando há filhos para cuidar, empregos para assegurar ou resto do quotidiano a consumir tempo e energia. "Pode parecer tarefa quase impossível, mas todos nós nos lembramos da ginástica que fazíamos no começo de uma relação para conseguirmos ficar juntos, nem que fosse por pouco tempo.

Estabelecer prioridades é o principal trunfo para vencer a rotina. E saber que o amor não é eterno é o passaporte para uma relação duradoura.
A última atitude que devemos ter é encarar o outro como uma casa ou um carro que irá continuar a existir enquanto essa for a nossa vontade.

Sempre que a rotina se transformar numa máquina sem travões será necessário inventar pelo menos dez minutos por dia para o casal se encontrar a sós. Namorar, brincar ou conversar são hábitos diários a manter a todo o custo. Um dia por mês deverá ser dedicado a uma curta viagem para partilharem "necessidades e preocupações.
São gestos que funcionam como pilhas de longa duração para um casamento, desde que ninguém se esqueça que qualquer relação fracassa quando "ambos ou apenas um" abdica do seu próprio espaço e afasta o ciclo de amizades, mesmo quando o amor é absorvente e tem dificuldade em dividir o tempo com os outros:

 O casamento não é como subir uma montanha e ficar sentado no topo. São várias montanhas que têm de ser escaladas todos os dias.


Por Maria de Jesus Candeias

terça-feira, maio 10, 2011

TERAPIA FAMILIAR

O que é?

A terapia familiar sistémica, cujas formas mais conhecidas são a terapia familiar e a terapia conjugal, é uma forma de psicoterapia que se centra nas relações e na dinâmica própria de cada unidade familiar.

Independentemente da origem do problema trazido a consulta, a terapia familiar acredita que o envolvimento da família traz benefícios na sua resolução.
A família é o primeiro contexto social que conhecemos e é nela que iniciamos a aprendizagem da relação com o outro. É a nossa primeira referência em termos de valores e papéis sociais e é dentro dela que se vão tecendo as emoções que nos formam como pessoa. É também nas famílias que germinam alguns dos conflitos, bloqueios e obstáculos mais difíceis de ultrapassar. Por esse motivo, nelas residem as soluções para alguns problemas individuais, familiares e conjugais.
 O conceito de família não se restringe, para um terapeuta familiar, ao modelo “tradicional” (casal, pais e filhos), mas procura abranger as redes de apoio e as relações mais significativas entre as pessoas envolvidas numa dada situação, com ou sem grau de parentesco entre elas.

Como se processa?

Na abordagem da terapia familiar e conjugal, proporciona-se um espaço conjunto de resolução de problemas, gerindo-se o impacto que o processo terapêutico vai implicando no todo familiar/conjugal.
Nos casais trabalha-se a comunicação, o respeito pela individualidade, a etapa da relação e o projecto de vida comum. Na família procuram-se soluções para o crescimento autónomo de cada membro, a par da atenção dada a toda a dinâmica e crescimento emocional da unidade familiar.
A metodologia de intervenção procura encontrar soluções breves e satisfatórias para todos os elementos utilizando os recursos da própria família. As situações de mal-estar ou ruptura vão-se transformando em oportunidades de crescimento conjunto à medida que se vão optimizando as forças, a sabedoria e o apoio do sistema familiar.
Embora a terapia familiar seja eficaz em qualquer situação de sofrimento ou dilema humano, ficam alguns exemplos de situações em que se tem revelado eficaz:

Áreas de Intervenção:

  • Instabilidade Emocional
  • Crises Conjugais
  • Conflitos
  • Infidelidade
  • Apoio Parental
  • Imigração/Adaptação cultural
  • Problemas de comportamento social/escolar
  • Adaptação a situações de doença/condição crónica
  • Situações de Luto
  • Saúde Mental
  • Comportamentos aditivos (álcool, drogas, jogo)
  • Agressividade/Violência
  • Transtornos emocionais como ansiedade e depressão
  • Conflitos com a família de origem
  • Desentendimentos financeiros
  • Mediação familiar em situações de ruptura
  • Divórcio
Por Dora Rebelo. Terapeuta Familiar

terça-feira, fevereiro 08, 2011

A Criança face ao divórcio dos pais


O divórcio dos pais é sempre um acontecimento doloroso e marcante na vida da criança qualquer que seja a idade.

Em idades precoces, pré – escolares, os efeitos não tardam a surgir, a criança fica agitada, confusa e sente-se muito vulnerável, tendendo a culpar-se “ o pai foi-se embora porque eu sou mau” entre outras coisas que assentam sempre na sua responsabilidade pela separação dos pais.

As crianças pequenas como ainda são muito auto-centradas tendem a culpabilizar-se, assumindo a responsabilidade pelo que aconteceu entre o pai e mãe.


Quando são mais velhas, em idades escolares, sobrevêm a tristeza e a depressão na maioria das situações, transtornos psicossomáticos (dores de cabeça, dores de barriga, vómitos, diarreia etc.), em ambas as situações existe prejuízo para um bom decorrer da adolescência e adulticia.

As figuras parentais são fundamentais para a forma como se vão desenvolver os processos psíquicos da criança após a separação. Digo figuras parentais, porque nem sempre são os pais biológicos a desempenharem esse papel.

Não raras vezes, o que acontece é que na situação de divórcio o casal está muito embrenhado na situação e pouco disponível para os filhos. A  ausência de interacções protectoras e segurizantes decorrentes dessa fase podem resultar em dificuldades  na criança ao nível do relacionamento com amigos, professores, familiares e da própria criança consigo mesma.

O divórcio dos pais quando é mal integrado pela criança, quando a criança se sentiu arma de arremesso entre o casal, quando um dos pais utiliza a criança para denegrir a imagem do outro, faz chantagem, ameaça, agride, entre outras situações, pode comprometer um bom desenvolvimento emocional no futuro.

Ainda que o divórcio seja entre o pai e a mãe, a criança também passa por essa separação, pois tem que separar o que outrora tinha unido dentro de si. A negação e a recusa vão actuar impelindo a criança a fazer tentativas de juntar os dois. É uma perda que aos olhos da criança pode ser reversível, alimentando a esperança e a ilusão que isso vai acontecer.

Durante muito tempo a criança vai dedicar-se a encontrar estratégias de reconciliar os pais e voltar a tê-los de novo perto de si. Nessa fase de tentativa de os aproximar as actividades escolares vão ser deixadas de lado, as notas vão baixar, o interesse pelas brincadeiras diminui, os seus interesses e fantasias vão estar ocupados com essa tarefa.

Nem sempre o divórcio é um factor de estabilidade para a criança. O facto de poder estar longe de brigas e agressões que possam existir, faz com que perca na mesma a sua referência da família, e em muitas situações começam as brigas novamente sendo a criança o elo de ligação e o correio entre os pais.

Quando a criança tem 10 -11 anos e mais, um dos sintomas que aparece é começar a apresentar uma maturidade que na realidade não tem. Adopta posições de distância com um controlo excessivo de si mesmo, a fim de negar os sentimentos de vergonha e neutralizar a ansiedade, bem como sondar os limites da situação familiar, face a uma nova realidade. Nessa fase pode ser impelido a experimentar drogas e álcool e a iniciar a vida sexual como forma de arranjar companhia e combater o sentimento de abandono gerado pelo desfazer da família.

Muitas crianças e adolescentes não aceitam a separação e começam a agir essa dor com comportamentos agressivos manifestado hostilidade e desgosto. Com frequência culpam o conjugue como qual vivem, normalmente culpam a mãe por não ser capaz de manter a família unida. Quando visitam o outro conjugue seja o pai ou mãe não se atrevem a manifestar o desgosto com medo de perder mais essa relação e a família com receio de acabar com uma relação já de si insegura.
Porém, mais vale ter uma relação insegura que ser abandonado, sentimento que acompanha sempre a criança. Apontam algumas estatísticas que dois meses depois de decretado o divórcio menos de metade dos pais vê o filho apenas uma vez por semana. Passado um ano mais de metade nem sequer a visita.

O perigo de desequilíbrios psicológicos por causa do divórcio dos pais aumenta se a criança já tem predisposição para ser vulnerável por antecedentes familiares de depressão, pela própria perda ou pelo reavivar na memória de outras perdas mais precoces, como por exemplo uma ausência prolongada da mãe ou do pai sentida como abandónica.

O divórcio não significa um ponto final no confronto entre os pais, por vezes eles estão apenas a começar, o casal reaviva os problemas, não se consegue descentrar dos seus problemas e não consegue gerir em conjunto as coisas do filho mais simples, como comprar roupa, uma saída com amigos, a imposição de um limite. Se um diz não, o outro para ser melhor diz que sim. Assim se vai instalando a confusão mental na criança que se vê quase sempre no meio dos pais em que cada um denigre a imagem do outro a cada dia que passa.

O impacto do divórcio na criança depende sempre da estabilidade do progenitor com quem ficar e da relação saudável ( dentro do possível num contexto de separação) que os pais consigam quer estabelecer entre si, quer com as crianças.

Muitas vezes, a fragilidade afectiva dos pais a seguir ao divórcio faz com que fiquem incapazes de atender as necessidades dos filhos.
 A criança sofre imenso quando é utilizada como instrumento de negociação entre os pais e quando pai ou mãe estão deprimidos e a tentam absorver como busca de companhia e apoio. Desgastam afectivamente a criança/ adolescente que se viu forçada a ser o amparo do progenitor deprimido.

Em situações destas a busca de ajuda especializada poderá evitar graves prejuízos na vida futura da criança.