"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos
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sábado, fevereiro 20, 2021

Sintomas e Sinais de Alerta da Depressão

A Depressão

                                   - Sintomas e Sinais de Alerta -

A perturbação depressiva pode afetar pessoas de todas as idades, desde crianças e adolescentes, até idosos.

Pensamentos de auto-desvalorização, auto-culpabilização ou rejeição e abandono ocorrem frequentemente, sendo que, os sintomas comportamentais são especialmente visíveis através da apatia e do isolamento social.

Uma pessoa deprimida caracteriza-se fundamentalmente, pela incapacidade perante a vida em geral ou, especificamente, no seu trabalho, ambiente social e familiar. Esta patologia afeta a forma como a pessoa se vê e como vê os outros, podendo interferir também nos hábitos de alimentação e no sono.

Os sinais a que deve prestar atenção:




Em fases mais avançadas, pode ainda acontecer que a pessoa não consiga efetuar as suas atividades quotidianas, manifestando sentimentos de desesperança e pensamentos sobre suicídio.

A depressão não se trata de algo que seja possível ignorar, pelo contrário! É algo a que deve dedicar atenção pois não passará com o tempo, é necessário e essencial procurar ajuda.


Dr.ª Sara Loios

Psicóloga Clínica
Cédula Profissional nº 20837

terça-feira, julho 01, 2014

A DOR NA PERDA DE UM FILHO


A perda de um filho é uma dor, a meu ver e pela minha prática clínica, dificilmente ultrapassável. Diria mesmo que é uma das perdas nas quais não é possível fazer um luto.
O que os pais fazem muitas vezes é encontrar estratégias para funcionar, levar a sua vida (os que o conseguem) mas emocionalmente a ferida continua aberta.

A perda de um filho é uma “ferida impossível de cicatrizar”.
E isto porque a perda de um filho é um acontecimento contra a lei e ordem natural da vida, e os pais que ao conceberem um filho vêem neles a sua continuidade, quando perdem um filho perdem parte de si também!

Importa distinguir, porém, a perda de um filho por morte ou por desaparecimento.

Ambas são perdas inultrapassáveis, porém os mecanismos psicológicos são diferentes numa e noutra perda.

Na morte de um filho, há um fim para aquele que parte. A dor é terrível, mas os pais podem velar, podem chorar, podem fazer a despedida e enfrentar a morte ou a partida do filho. Sabem o que lhe aconteceu, a perda é real, concreta. E Isto dá-lhes a oportunidade, e obriga-os, por mais doloroso que seja a enfrentar a realidade e como tal dá-lhes a possibilidade de fazerem esse luto e transformar essa dor.

Na perda de um filho por desaparecimento, o processo a nível mental é bem mais doloroso, porque aqui não é possível fechar o ciclo, fazer o luto, nem recomeçar uma nova vida. A vida dos pais fica suspensa. Não podem desistir, nem perder a esperança, porque não sabem o que aconteceu, e se a morte é real ou não. Se desistirem é como se estivessem a abandonar o filho, porque existe a hipótese mesmo que remota de que o filho pode estar vivo. Enquanto os pais não puderem “ver o corpo” do filho, e realmente confirmarem a perda, não conseguem parar este processo. Não podem desligar-se de um filho, “enterrá-lo”, fazer o luto, sem a certeza de que está vivo ou morto. Nestes casos, a vida dos pais fica suspensa numa procura permanente e ostensiva do filho. Nestes casos não é mesmo possível ultrapassar a perda.

A ajuda de técnicos especializados, psicólogos, psicoterapeutas, assim como os grupos de apoio com o mesmo tipo de dor, são fundamentais para ajudar os pais a fazer a sua caminhada na dor e a gerir de uma forma mais pacífica as suas emoções evitando desta forma a desorganização total destes pais.

Que tipo de sentimentos desperta esta situação na família?

O tipo de sentimentos que a perda de um filho desperta no seio da família depende de vários factores, tais como: o tipo de morte (morte súbita por acidente, morte por doença prolongada, suicídio, etc), ou desaparecimento; e depende também e obviamente do tipo de relações e proximidade entre os elementos da família.

De qualquer forma, uma forma mais global, a perda de um filho provoca sempre um desequilíbrio no sistema familiar.
A perda de um filho provoca sentimentos de raiva, culpa, tristeza, depressão, desejo de abandono da vida, que cada um dos elementos sente não só dentro de si, como projectam nos outros elementos da família, criando alguma tensão familiar.

Vários estudos apontam que grande percentagem de pais que perdem um filho acaba por se divorciar. Este aspecto pode não só ter a ver com as acusações recíprocas que podem ocorrer, mas também uma forma de fugir daquela realidade, do contexto onde existia um ser que agora não está mais presente. É como se a separação lhes permitisse apagar o passado e recomeçar de novo.

Um dos acontecimentos que se verifica nas famílias, é o silêncio, o vazio, a perda da capacidade de comunicação, não conseguem falar sobre o acontecimento, sobre o que sentem. Este isolamento provoca um grande sentimento de solidão e distanciamento entre os elementos da família numa fase em que mais do que nunca deveriam estar unidos.

Claro que este desligamento não é intencional, mas é muitas vezes uma forma de mostrarem aos restantes elementos da família que estão a conseguir ultrapassar, que não dói, com receio de despertarem a dor um nos outros. O que não é real, porque é inevitável que num processo de luto todos estejam a sofrer e mais saudável do que “abafar a dor” é exteriorizá-la, partilhá-la, porque aí quer pais quer irmãos, sabem que não estão sós na sua dor, que faz parte do processo, e poder-se-ão abrir e receber ajuda uns dos outros.

O desenvolvimento de sentimentos de culpa é inevitável?

Sim. È inevitável que todos se questionem, se ponham em causa, o que poderiam ter feito ou evitado que a situação acontecesse.

E obviamente que dependendo das circunstancias em que aconteceu a culpa é maior ou menor, e a pessoa consegue ou não ultrapassar a situação.

Mais uma vez, também aqui ajuda especializada é fundamental. Pois muitas vezes a interiorização da culpa pode dar origem a processos de auto-destruição: consumo abusivo de álcool, sobre medicação, entre outras.

No caso de uma família que perde um filho, o que acaba por acontecer aos restantes? Existe um desligamento do filho que fica?

Numa família com mais de um filho, a perda de um dos filhos, altera toda a dinâmica familiar e traz obviamente consequências para o filho que fica, porque inevitavelmente, os pais “perdidos na sua dor” acabam por ter pouca disponibilidade afectiva e emocional para dar atenção ao filho que fica.

No caso de desaparecimento de um filho este acontecimento é muito evidente, os pais tão absorvidos pela busca do filho que perderam, todas as suas forças e energias ficam canalizadas para o acontecimento, “esquecendo-se” um pouco das necessidades do filho que fica. E isto deixa muitas vezes marcas nos filhos que ficam, que por vezes sentem que não há espaço para eles no pensamento, nem na vida, nem no coração dos pais, colocam mesmo em causa o que representam para os pais, o que os pais sentem por eles, como se só irmão existisse no pensamento dos pais. Nestes processos, é fundamental que os pais tomem consciência deste facto para que consigam de alguma forma minimizar os seus efeitos. A presença de alguém da família, os avós por exemplo, presente no seio familiar, disponível para este filho que fica, pode também ajudar a minimizar, desta ausência afectiva dos pais.

Que tipo de consequência surgem em pais que perdem um filho?

A dor enorme produzida pela perda de um filho dificilmente ultrapassável conduz muitas vezes, se não houver ajuda de psicólogos ou psicoterapeutas a uma detiorização da saúde mental conduzindo a depressões profundas, a uma desistência da vida e por vezes a uma retirada total da realidade.

Em média quanto tempo poderão demorar a ultrapassar esta situação?

Como já referi a perda de um filho é uma ferida que é para toda a vida, porém é importante que embora emocionalmente a ferida continue por toda a vida, os pais consigam recomeçar a funcionar. NO fundo é importante que passado algum tempo, diria que entre os 6 meses e um ano após o incidente, os pais consigam retomar as suas rotinas diárias, o seu trabalho, a sua vida social.

Se isto não acontecer é importante pedir ajuda, porque significa que não estão a conseguir ultrapassar a dor e correm o risco de ficar “presos” nessa dor. Nestas condições, e se não houver ajuda, começam a surgir condições para que a doença mental se instale, e se inicie um processo de desorganização mental. È a entrada no chamado “Luto Patológico”.

A Esperança acaba por ser um mecanismo psicológico de refúgio?

Não diria que a esperança seja um espaço de refúgio, mas é aquilo que é possível a qualquer pai e a qualquer ser humano fazer quando não tem a certeza do que aconteceu.

Estatisticamente, quando um filho desaparece, a probabilidade de ele estar vivo, num outro qualquer lugar, é tão real e igual ou mesmo superior do que ele estar morto. Como tal, não é coerente internamente para qualquer pai, deixar de acreditar que não é possível encontrar o seu filho ou desistir de procurar, porque isto significa abandonar o seu filho, e este fenómeno vai contra os instintos paternais de protecção da sua cria. No fundo os pais continuam a lutar até chegarem a uma certeza.

Como vêem as crianças o desaparecimento de amigos da mesma idade? Pode criar algum trauma nas crianças?

As crianças têm uma maior flexibilidade na sua organização mental e há coisas de que ainda não têm muita consciência, entre elas a questão da morte.

Claro, que surgem na criança muitas questões, dúvidas, mas a sua capacidade de integração da realidade é relativa e portanto, ficam pensativas, fazem perguntas, ficam tristes, mas passado algum tempo, ultrapassam a situação sem qualquer trauma.

Que impacto têm casos como o desaparecimento de Maddie na sociedade? Que tipo de reacções cria nas pessoas? Nomeadamente medo nas crianças?

Penso que casos como Maddie nos fazem a todos pensar seriamente no assunto, no que sentiríamos enquanto pais na mesma situação, na maldade que existe no mundo, e como é que é possível estas coisas acontecerem. Desperta os nossos medos, traz ao cimo as nossas inseguranças, e faz-nos aumentar as nossas defesas.

As crianças também ouvem e se questionam, mas rapidamente esquecem e ultrapassam a situação. Os medos e as inseguranças só permanecem nas crianças se os adultos à sua volta também insistem em lhe passar a mensagem de um mundo assustador e de adultos que fazem mal às crianças e isto obviamente não é saudável para nenhuma criança. È fundamental que as crianças tenham uma imagem segura e tranquila do mundo à sua volta, e que tenham a certeza de que nada lhes acontece porque têm adultos suficientemente fortes e protectores à sua volta que os protegem das coisas más.

Muitas vezes os adultos tentam proteger as crianças alertando-as para os perigos e falando-lhes das coisas más para que elas tenham atenção e cuidado: Porém o que acontece é que a criança não tem capacidade para gerir estes aspectos internamente e vai desenvolver medos e vai crescer assustada, o que não é nada saudável numa criança.

Maria de Jesus Candeias

Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta

terça-feira, fevereiro 08, 2011

A Criança face ao divórcio dos pais


O divórcio dos pais é sempre um acontecimento doloroso e marcante na vida da criança qualquer que seja a idade.

Em idades precoces, pré – escolares, os efeitos não tardam a surgir, a criança fica agitada, confusa e sente-se muito vulnerável, tendendo a culpar-se “ o pai foi-se embora porque eu sou mau” entre outras coisas que assentam sempre na sua responsabilidade pela separação dos pais.

As crianças pequenas como ainda são muito auto-centradas tendem a culpabilizar-se, assumindo a responsabilidade pelo que aconteceu entre o pai e mãe.


Quando são mais velhas, em idades escolares, sobrevêm a tristeza e a depressão na maioria das situações, transtornos psicossomáticos (dores de cabeça, dores de barriga, vómitos, diarreia etc.), em ambas as situações existe prejuízo para um bom decorrer da adolescência e adulticia.

As figuras parentais são fundamentais para a forma como se vão desenvolver os processos psíquicos da criança após a separação. Digo figuras parentais, porque nem sempre são os pais biológicos a desempenharem esse papel.

Não raras vezes, o que acontece é que na situação de divórcio o casal está muito embrenhado na situação e pouco disponível para os filhos. A  ausência de interacções protectoras e segurizantes decorrentes dessa fase podem resultar em dificuldades  na criança ao nível do relacionamento com amigos, professores, familiares e da própria criança consigo mesma.

O divórcio dos pais quando é mal integrado pela criança, quando a criança se sentiu arma de arremesso entre o casal, quando um dos pais utiliza a criança para denegrir a imagem do outro, faz chantagem, ameaça, agride, entre outras situações, pode comprometer um bom desenvolvimento emocional no futuro.

Ainda que o divórcio seja entre o pai e a mãe, a criança também passa por essa separação, pois tem que separar o que outrora tinha unido dentro de si. A negação e a recusa vão actuar impelindo a criança a fazer tentativas de juntar os dois. É uma perda que aos olhos da criança pode ser reversível, alimentando a esperança e a ilusão que isso vai acontecer.

Durante muito tempo a criança vai dedicar-se a encontrar estratégias de reconciliar os pais e voltar a tê-los de novo perto de si. Nessa fase de tentativa de os aproximar as actividades escolares vão ser deixadas de lado, as notas vão baixar, o interesse pelas brincadeiras diminui, os seus interesses e fantasias vão estar ocupados com essa tarefa.

Nem sempre o divórcio é um factor de estabilidade para a criança. O facto de poder estar longe de brigas e agressões que possam existir, faz com que perca na mesma a sua referência da família, e em muitas situações começam as brigas novamente sendo a criança o elo de ligação e o correio entre os pais.

Quando a criança tem 10 -11 anos e mais, um dos sintomas que aparece é começar a apresentar uma maturidade que na realidade não tem. Adopta posições de distância com um controlo excessivo de si mesmo, a fim de negar os sentimentos de vergonha e neutralizar a ansiedade, bem como sondar os limites da situação familiar, face a uma nova realidade. Nessa fase pode ser impelido a experimentar drogas e álcool e a iniciar a vida sexual como forma de arranjar companhia e combater o sentimento de abandono gerado pelo desfazer da família.

Muitas crianças e adolescentes não aceitam a separação e começam a agir essa dor com comportamentos agressivos manifestado hostilidade e desgosto. Com frequência culpam o conjugue como qual vivem, normalmente culpam a mãe por não ser capaz de manter a família unida. Quando visitam o outro conjugue seja o pai ou mãe não se atrevem a manifestar o desgosto com medo de perder mais essa relação e a família com receio de acabar com uma relação já de si insegura.
Porém, mais vale ter uma relação insegura que ser abandonado, sentimento que acompanha sempre a criança. Apontam algumas estatísticas que dois meses depois de decretado o divórcio menos de metade dos pais vê o filho apenas uma vez por semana. Passado um ano mais de metade nem sequer a visita.

O perigo de desequilíbrios psicológicos por causa do divórcio dos pais aumenta se a criança já tem predisposição para ser vulnerável por antecedentes familiares de depressão, pela própria perda ou pelo reavivar na memória de outras perdas mais precoces, como por exemplo uma ausência prolongada da mãe ou do pai sentida como abandónica.

O divórcio não significa um ponto final no confronto entre os pais, por vezes eles estão apenas a começar, o casal reaviva os problemas, não se consegue descentrar dos seus problemas e não consegue gerir em conjunto as coisas do filho mais simples, como comprar roupa, uma saída com amigos, a imposição de um limite. Se um diz não, o outro para ser melhor diz que sim. Assim se vai instalando a confusão mental na criança que se vê quase sempre no meio dos pais em que cada um denigre a imagem do outro a cada dia que passa.

O impacto do divórcio na criança depende sempre da estabilidade do progenitor com quem ficar e da relação saudável ( dentro do possível num contexto de separação) que os pais consigam quer estabelecer entre si, quer com as crianças.

Muitas vezes, a fragilidade afectiva dos pais a seguir ao divórcio faz com que fiquem incapazes de atender as necessidades dos filhos.
 A criança sofre imenso quando é utilizada como instrumento de negociação entre os pais e quando pai ou mãe estão deprimidos e a tentam absorver como busca de companhia e apoio. Desgastam afectivamente a criança/ adolescente que se viu forçada a ser o amparo do progenitor deprimido.

Em situações destas a busca de ajuda especializada poderá evitar graves prejuízos na vida futura da criança.

domingo, fevereiro 06, 2011

Quando dois se tornam três: a mudança que o nascimento de uma criança traz numa relação conjugal.

Quando um casal tem um filho, seja essa criança planeada ou surja de forma ocasional, uma nova família será constituída a partir desse nascimento, ou melhor, podemos dizer que desde a confirmação da gravidez surgem alterações na relação do casal. Mãe e pai deixam de ser apenas parceiros e filhos para passarem a ser pais. A mudança de papéis e funções alteram-se em consequência do nascimento deste primeiro filho.


Esta nova família nuclear que se forma é produto de um casal que vem de famílias diferentes e que transporta consigo a genética, os valores e histórias das suas famílias de origem. Tudo isso é uma enorme influência na configuração da nova família. Cada membro do casal traz para a educação dessa criança tudo aquilo que recolheu da sua própria vivência familiar.

A primeira alteração que surge na dinâmica do casal está relacionada com o estado físico da mulher que a partir de alguns meses de gravidez pode condicionar (dependendo do estado de saúde da mulher), em situações anormais o relacionamento sexual do par. A frequência pode diminuir ou podem mesmo deixar de existir durante alguns meses. Se a relação afectiva entre os dois não for sólida e madura, poderá ser um abanão na relação do casal. Por vezes surgem as infidelidades e a poderá até existir uma ruptura dessa relação. Um dos sinais de que essa relação poderá ser sentida como insegura por parte da mulher tem a ver com o aparecimento dos tão falados enjoos, que não são mais que manifestações somáticas da insegurança afectiva ou muitas vezes da rejeição inconsciente da gravidez por parte da futura mãe. Por vezes desaparecem, quando a vinda da criança é aceite ao nível inconsciente e a mãe se sente mais segura na relação com o marido, ou seja, não vai ser abandonada.

O nascimento do primeiro filho é uma fase de profunda transformação na vida do casal, criando novos papéis, principalmente o de mãe e de pai, o que, de alguma maneira irá ter repercussões na relação conjugal. Além disso, esta etapa do ciclo de vida familiar irá afectar toda a família ampliada, alterando papéis e exigindo uma reorganização de todo o sistema familiar.

Com o nascimento da criança a tensão aumenta no seio da família e entre o casal, é uma tensão dita normativa, e pode ser vivida com maior ou menor ansiedade, variando esse aspecto conforme foi vivido pelas gerações anteriores, ou seja, se o nascimento das crianças foi vivido com calma e serenidade na família dos progenitores decerto esse sentimento e essa vivência será perpetuada, se pelo contrário foi vivido com ansiedade então é provável que volte a acontecer, dificultando a adaptação da criança e dos pais a uma nova situação.

Muitos casais com problemas ao nível do relacionamento idealizam o nascimento da criança como um momento mágico acreditando muitas vezes que ele irá resolver problemas conjugais e familiares. No entanto, embora isso possa acontecer, muitas vezes sucede o contrario, os conflitos e os problemas agudizam-se, pois agora existe mais um membro que durante quase todo o tempo exige a atenção da mãe e do pai, deixando durante muito tempo pouco espaço para o casal. As mudanças na vida conjugal são tão abruptas que muitos casais não resistem a elas. Outros acreditam que com o nascimento vão ficar mais unidos e acabam por se afastar devido a discórdias e discussões que podem levar mesmo à separação.

Alguns casais unem-se, de facto, assumindo o papel quase de missionários, pois muitas vezes esta criança vem cumprir uma função na família.

Estes são alguns aspectos da alteração da dinâmica familiar, no entanto existem outros, específicos de cada família, que não estão aqui mencionados.

A ansiedade desta fase é inevitável, mas nem sempre é geradora de conflitos, no entanto é importante o casal tomar consciência das alterações que a sua vida irá sofrer. Frequentar grupos terapêuticos de aconselhamento (quando existam duvidas e ansiedades) poderá ajudar os membros do casal a desmistificar e a elaborar medos e ansiedades decorrentes dessa nova mudança de papéis.

A Criança e a importância do Brincar




Para qualquer criança, brincar é tão essencial ao seu desenvolvimento como a alimentação e o carinho. Enquanto brinca, a criança organiza a sua forma de pensar e sentir, mostra como vê a realidade e aprende a interagir com os outros e vive as situações de uma forma espontânea e alegre.
Brincar é natural na criança, facilita o seu crescimento harmonioso, desenvolve a relação com o outro, é uma forma de comunicação, ajuda a aprender a resolver conflitos e a lidar com as situações.
Cada idade tem um modo de brincar específico e é em cada uma dessas fases que a criança aprende a diferenciar a realidade da fantasia.
Aprende também a separar o seu espaço do espaço do outro e a dar novos significados à realidade que a rodeia conforme o que assimila durante as brincadeiras.
A forma como a criança brinca revela a sua personalidade e a forma como está estruturada para se relacionar com o mundo, ou seja é claramente visível nos sentimentos que as brincadeiras despertam, como por exemplo os jogos (ganhar e perder).
O brincar tem um papel fundamental no controlo da agressividade e na descoberta de novas formas de estar. Enquanto constroem batalhas com soldados, descarregam a fúria de alguma frustração, e aprendem a controla-la.
Assim o brincar ajuda a descomprimir o dia a dia onde a criança tem que aprender a integrar-se nos diferentes grupos e situações. A sua vida é orientada por regras de comportamento, e é frequentemente sujeita a repreensões e chamadas de atenção.
Assim os saltos e tropelias e os excessos ajudam-na a libertar tensões acumuladas e levam á exaustão – e a uma boa noite de sono.
O papel dos pais é, então, estimular a brincadeira na criança, mostrar-lhe que o jogo, o movimento, o desenho ou até a leitura, podem ser tão divertidos como um game-boy, ou a televisão.
Durante as brincadeiras e jogos a criança desenvolve aspectos importantes para o seu crescimento, tais como: desenvolvimento físico (muscular), raciocínio lógico, percepção sensorial, socialização, comunicação e criatividade.
Quando se encontra uma criança que não brinca, não convive com as outras crianças quando estão juntos, então estamos perante uma criança inibida, que não se desenvolveu ao nível da socialização e do brincar, pode acontecer por diversos motivos:
Pais demasiados proibitivos e culpabilizantes, que não estimulam a brincadeira, e que travam o processo exploratório, pais que punem a agitação motora natural na criança, pais que convivem mal com as tropelias próprias das crianças, em suma pais pouco disponíveis para brincar com os filhos.
É papel dos pais estimular o acto de brincar. Estimular o potencial da criança para que desenvolva uma série de capacidades que lhe são inatas (brincar, correr, saltar). No entanto como em tudo, o excesso de estímulos pode confundir a criança.
Resumindo: brincar estimula os reflexos perceptivos, motores, intelectuais, e sociais da criança, ajuda-a a conhecer-se a si mesma e a explorar as suas emoções. Por outro lado auxilia a criança a tomar noção do “eu” e do “outro”, e desenvolve a linguagem.
Assim, dizemos aos pais, sempre que puder brinque com o seu filho. Desenvolve a confiança da criança em si mesmo, ou seja a sua auto-estima.

O brincar não é apenas uma necessidade biológica para descarregar energia embora sirva essa função também, é mais que isso, é um encontro com as emoções e com a criatividade, é ai que a criança descobre o seu verdadeiro “eu”, como diz Winnicot.
Quando se brinca evoca-se uma relação de domínio entre a realidade psíquica e o mundo real no qual se vive, conferindo harmonia ao pensamento e ás emoções. Por isso quando se brinca organiza-se o mundo interior e abre-se espaço para a aprendizagem.
Uma criança que não brinca não está disponível para a aprendizagem, não sabe ler as emoções, não consegue dar sentido à sua realidade interna. Esse silencio no brincar inibe o pensamento que é uma forma de não perceber os afectos, e a curiosidade que separado do desejo de aprender não consegue cultivar a ideia e partir á descoberta da leitura, da escrita das ciências, da matemática etc.
A criança que não consegue brincar, não consegue representar a sua realidade, está submerso em sofrimento e angústias. Quando uma criança não brinca com outras e as agride sem parar (a agressividade também é normativa) é motivo para pedir ajuda especializada.
Por tudo isto, a todos vós, pais, incentivai as vossas crianças a brincar.

M Jesus Candeias

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta

jesuscandeias@gmail.com

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

HIPERACTIVO OU IRREQUIETO

A Irrequietude Motora designa uma actividade marcada, com uma quantidade excessiva de movimentos, sem ter uma implicação de patologia;
A Hiperactividade, aplica-se a diversos tipos de comportamento mal organizado, onde domina uma combinação de irrequietude e desatenção, inadequada para a idade, com grande intensidade e gravidade dos sintomas. Na Hiperactividade a criança dificilmente conseguirá ter ( mesmo que pequenos) momentos de atenção e concentração, não pára para brincar ou outras actividades, tem problemas graves no sono, e muita dificuldade em parar.
A Criança Irrequieta embora com grande actividade consegue alguns momentos de tranquilidade, consegue descansar, consegue parar quando as actividades lhe interessam.


Como defende João dos Santos, a irrequietude seria uma forma de reacção contra a ansiedade, e surge, muitas vezes de um fundo de depressão.
A criança, incapaz de pensar o sofrimento, utiliza o comportamento como forma de descarga. Age em vez de pensar.
O sintoma psicomotor inicial seria o sinal de uma tentativa de adaptação ao que exigem dela, um pedido de atenção ao seu sofrimento.
A instabilidade tem sempre a ver com uma espécie de fuga para a frente. Há qualquer coisa que leva a criança a não poder estar quieta, calada, silenciosa, a evitar pensar nos fantasmas mais ligados à realidade anterior.
A instabilidade seria, de algum modo, a procura da “estabilidade” de uma idade anterior, “ e, portanto, uma tentativa de “cura” da ansiedade a que conduz a insegurança”(João dos Santos, 2002)
São as marcas desse vivido precoce que perseguem a criança no seu interior, não lhe permitindo qualquer descanso (segurança).
Convém coomo tal e numa primeira intervenção fazer um diagnóstico correcto se Hiperactivo ou Irrequieto.

A terapêutica essencial a instituir nas crianças irrequietas e/ou Hiperactivas deverá consistir numa perspectiva sistémica, ou seja, em todas os sistemas em que a criança se encontra inserida (na criança, na família, e na escola).

A intervenção deve incidir sobretudo na família e escola, que deverão garantir à criança estabilidade e segurança.
Com a família, importa sobretudo modular a relação pais-filhos, tornando-a menos inquieta, ajudando os pais a acalmarem-se e a lidar de forma mais tranquila, que naturalmente os deixa bastante exaustos, ajudando-os na construção de uma relação mais organizadora e afectivamente mais rica e contentora.
A escola deverá ajudar a criança a pensar melhor, criando situações de aprendizagem serenas e interessantes.

O tratamento/ acompanhamento destas crianças deve ser regular, contínuo e a longo prazo.
O tratamento farmacológico na Hiperactividade Infantil????
De acordo com Pedro Strecht assistimos, hoje em dia, a um aumento de crianças desnecessariamente medicadas.
Mais medicadas, não, necessariamente, melhor tratadas, porque ficará por perceber é que a hiperactividade e défice de atenção são meros sinais e sintomas.
Corre-se o risco de tratar sintomas ou doenças e esquecer crianças ou doentes.
A principal tarefa perante uma criança hiperactiva é sempre compreender a origem, o porquê, os significados latentes, desses mesmos sintomas.
Medicar sem compreender é como pôr a chupeta a um bebé sem perceber porque chora.
Não é melhor ver porque chora? Se é fome ou cólicas intestinais?
Voltando à nossa questão: A prescrição da medicação deve ser bastante moderada, devido aos riscos que lhes estão associados.

Taylor ( 1986, cit. por Salgueiro, 2002) num estudo que realizou, com crianças hiperactivas observou que os psicofármacos podem ter efeitos secundários importantes em certas crianças, tais como:
  • Atraso no crescimento e perda de apetite (mais frequentes)
  • Crises convulsivas, taquicardia, hipertensão, agravamento de tiques, estados disfóricos (menos frequentes).
Desta forma,  a medicação pode ser prescrita de forma bem moderada, supervisionada regularmente, nas seguintes condições:
  • Quando a criança corre risco de exclusão escolar ou familiar em virtude do seu comportamento.
  • Quando existe um desafio cognitivo imediato, com risco de retenção para a criança, ou quando esta não consegue aprender devido à falta de atenção.
Porém, sempre, e em simultâneo, a criança deve seguir um tratamento psicoterapêutico.

“Por detrás do que se vê, existe qualquer coisa de mais profundo, menos fácil, um lado lunar, mas infinitamente mais bonito e poético do que a própria vida afinal.
Esquecê-lo é ignorar. Descobri-lo é dar.
Como quem entende os silêncios do que não é dito.
Como quem sabe o que se estrutura para além de uma fachada.
Fala através de ti, com o pedaço de criança que ainda tiveres vivo, e verás o que elas te dizem. Também aí as crianças só falam do que estivermos preparados para ouvir.
Talvez por isto se vejam cada vez mais crianças a quem é colocado o rótulo de hiperactividade com défice de atenção." (Strech, 2005)

AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NA INFÂNCIA


O termo "dificuldades de aprendizagem" (D.A), segundo o National Joint Committee on Learning Disabilities, pode ser definido como um grupo heterogéneo de desordens de diversas índoles, manifestadas por problemas significativos em termos da aquisição e uso das capacidades de fala, escrita, leitura, raciocínio e matemática.


A origem desta problemática pode residir em:

  • Factores emocionais e /ou
  • Factores  neurológicos,
 Que comprometem significativamente o processo de aprendizagem da criança.

 Estas dificuldades de aprendizagem subdividem-se em diversas áreas específicas, nomeadamente:

  • académica (é a mais comum; a criança/jovem pode apresentar dificuldades na área da matemática e/ou da leitura/escrita) e
  •  organizacional (dificuldades em cumprir tarefas com sequência, ou seja, a criança/jovem tem dificuldade em realizar uma tarefa com princípio, meio e fim),
  • socio-emocional (dificuldade no cumprimentos de normas sociais, por exemplo).
  • visuo-espacial (dificuldades na percepção da cor, na leitura de "b/d" e "p/q", realizando reversões, por exemplo),
  • auditivo-linguística (dificuldades na compreensão de instruções, sem comprometimento a nível físico, nomeadamente surdez, que pode ir de um grau ligeiro a um grau severo),
  •  motora (problemas na coordenação global ou fina, por exemplo, a nível da escrita),

Algumas Características das Crianças com Dificuldades de Aprendizagem

  • Problemas perceptivo-motores ;
  • Instabilidade emocional (explosões emocionais súbitas sem causa obvia);
  • Défices gerais de coordenação (trapalhão e coordenação motora pobre)
  • Desordens de atenção (pequenos períodos de atenção, distractibilidade, perseveração) 
  • Impulsividade;
  • Desordens da memória e do pensamento ;
  • Dificuldades de aprendizagem” específicas (leitura, escrita, soletração e aritmética);
  • Desordens da audição e da fala;
  • Sinais neurológicos difusos, como irregularidades electroencefalográficas
  • Agitação Motora excessiva
  • entre outros…
 As Dificuldades de aprendizagem podem dividir-se em :

  
• Primárias ou Naturais
Que tem origem numa Lesão ou mutação congénita, ao nível do Sistema Nervoso Central que impossibilita por si só o acesso e desenvolvimento de estruturas que possibilitam as aprendizagens. Estas lesões ou mutações podem ocorrer na formação do feto durante a gravidez, no parto ou nos primeiros tempos de vida da criança.
• Secundárias ou adquiridas
As que têm Alterações estruturais, mentais, emocionais ou neurológicas que se repercutem nos processos de aquisição, construção e desenvolvimento das funções cognitivas, resultantes de factores ambientais, educacionais, entre outros.

Quanto às Causas das Dificuldades de Aprendizagem elas podem ser de origem :

• Orgânicas,

• Educacionais,

• Ambientais


  •  Causas Orgânicas:
As áreas do cérebro cuja maturação se processa em último lugar são responsáveis pelas capacidades cognitivas e pelo raciocínio académico e são susceptíveis de lesão devido à influência de vários factores durante os períodos da gravidez, parto e infância.

Nesse sentido, as desordens neurológicas interferem com a recepção, integração ou expressão de informação, caracterizando-se, em geral, por uma discrepância acentuada entre o potencial estimado do aluno e a sua realização escolar.

  • Causas Educacionais
 Quando reflectem uma incapacidade para a aprendizagem da leitura, da escrita, do cálculo ou para a aquisição de aptidões sociais. No entanto, tal pode acontecer devido a práticas escolares que, ao não se adaptarem às capacidades específicas e aos estilos de aprendizagem da criança, lhe suscitam “bloqueios” que podem criar problemas de aprendizagem.
  •   Causas Ambientais e Emocionais
 Quando há factores ambientais que contribuem para o aparecimento de dificuldades de aprendizagem em crianças tidas como "normais" ou para o agravamento das áreas fracas que elas possuem, considerando-os como " forças, condições ou estímulos externos" que colidem com a criança afectando-lhe a sua capacidade de realização escolar:

  •  Problemas Emocionais
  • Problemas familiares
  •  Intolerância à frustração
  • Carências socio-económic
  • Falta de estimulação
  •  Crises Desenvolvimentais:
                Crianças deprimidas, ansiosas, inseguras;

                Conflitos com alguns colegas, professores ou auxiliares

                Testar limites dos adultos

                Certificar-se dos afectos/sentimentos queos adultos próximos nutrem pela criança.

  

Importa referir que cerca 80 % dos casos de crianças e jovens referenciados com dificuldades de aprendizagem , são de origem Emocional e Educacional e portanto, passiveis de serem trabalhadas e minizados as suas consequências.


 Por vezes os alunos são sinalizados como tendo dificuldades de aprendizagem, porque simplesmente não acompanham o ritmo de aprendizagem dos restantes alunos, destabilizam a aula, são irrequietos, e centram-se em tarefas que muitas vezes são desadequadas.

Por tudo isto, antes de uma criança ou jovem seja referenciada ou “Rotulada” como tendo dificuldades de aprendizagem, o que também pode ter consequências emocionais graves para a criança, é necessária uma avaliação rigorosa por técnicos especializados em avaliação psicológica, concretamente por psicólogos, permitindo, deste modo, averiguar quais são as reais dificuldades da criança, qual a origem deste défice, que tipo de intervenção poderá ser feita para ajudá-la quer na escola quer em casa quer com o terapeuta.


Quanto mais cedo esta avaliação for realizada, maiores as possibilidades de a criança ultrapassar e desenvolver algumas competências que podem estar comprometidas.

Quando precocemente identificadas e trabalhadas, e porque o cérebro da criança ainda é muito maleável, consegue-se facilmente minorar ou até mesmo ultrapassar essas limitações e evitar marcas irreversíveis para o futuro da criança.

Se este é o caso do seu filho, não espere muito mais. Contacte um técnico especializado.

Conte comigo!

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

As Saídas à noite na Adolescência

Um dos problemas mais preocupantes para pais e educadores na educação dos jovens são as saídas à noite.

Como refere o Prof. Eduardo Sá, infelizmente os filhos não vêem com livro de instruções, e também não há receitas, porque cada pai, cada filho e cada relação pai-filho é única e complexa, pelo que educar é uma arte cada vez mais difícil para todos os pais.

Mães e pais vivem preocupados com isso e sem saberem muito bem que atitude tomar: deixo ir, ou não deixo? Marco horas para estar em casa ou não? Tem treze anos e quer sair à noite, deixo? – Claro que estas respostas não são fáceis e temos sempre que analisar situação a situação.

As experiências da noite chegam aos jovens cada vez mais cedo, e quando não existe em casa um ambiente seguro ao nível dos afectos e dos limites então estão criadas as condições para que corram grandes riscos por não se saberem defender.

É cada vez mais frequente vermos jovens que começam a sair aos 11/12 anos e “alguns” adultos adultos a aceitarem isto como normal. Na minha opinião e o que tenho constatado na prática clínica é que os adolescentes entre os 11 e os 15 anos não estão capazes ao nível afectivo e cognitivo de saber enfrentar uma noite cheio de oportunidades de enveredar por comportamentos de risco (álcool, “charros” ou “curtes”).

O álcool, as “ curtes” e os “charros” farão com que possam cair nas mãos de depravados habituados a frequentarem estes ambientes como predadores, pois tratam-se de predadores narcísicos, tipo D. Juan, ou pessoas ainda mais perturbadas ( pedófilos etc.) que podem inclusive molestar fisicamente estes jovens.

Assim , nestas idades, se saírem devem ir acompanhados de alguém de confiança, pais ou outros, mas sempre com adultos e não com irmãos mais velhos.

A noite é símbolo de libertação. Por isso, quase todos os adolescentes sonham com as saídas nocturnas e as noitadas com os amigos chegam cada vez mais cedo.

Grande parte dos pais, infelizmente, não sabe dizer que não com medo de traumatizar a criança, ou porque se projecta no filho e recorda a sua adolescência provavelmente muito castradora, logo deixam fazer aos filhos tudo o que os seus pais não lhe deixaram.

No entanto como se costuma dizer “ nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, devem os pais encontrar um meio-termo se o adolescente já tem 15 ou 16 anos.

Se tem 14 devem deixar sair de vez em quando mas com companhia adulta de confiança. Porque não os pais?

Antes dessa idade então o não deve ser redundante e firme. Podem crer que por mais que os vossos filhos lhes digam que todos saem menos eles, que isso já não se usa, que os tempos são outros, lhe estão a fazer um enorme favor e até aos próprios pais. Um dia o adolescente quando já tiver mais maturidade e mais experiência vai entender.

No entanto estes limites devem sempre ser conversados e explicados.

A “introdução” ao mundo da noite deve ser feita pelos pais. Não sei se o leitor já observou alguma vez um bando (digo bando, porque costumam ser muitos) de adolescentes que não tem mais de 12 anos, na noite a caírem de bêbados e a fazerem distúrbios? É um espectáculo horroroso, parecem órfãos.
Onde estão os pais? Será que dormem descansados? O que vai destas gerações em que divertimento passa por beberem até caírem de bêbados e que é impossível divertirem-se sem beberem. Estas gerações são o futuro. Não será todos assim, obviamente, mas estamos a criar gerações de gente vazia de pensamento.

Para o futuro mundial, não me parece muito bom, especialmente em Portugal que estamos numa crise social e económica grave, ao nível da educação, afectos, e de valores.

São estas crianças que anos mais tarde não conseguem ser interventivas ao nível social, porque o pensamento ficou atrofiado, perpetuando um ciclo que temos que interromper.

Creio que ainda podemos inverter estas situações, especialmente com muito amor e firmeza da parte dos pais, mas tenho consciência que é muito difícil quando o álcool é vendido sem regra e sem consciência, senão como é que se explica que miúdos de onze doze anos caiam de bêbados nos passeios dos bares?

A intervenção de pais, educadores sociais, médicos, psicólogos e professores em acções concertadas seriam desejáveis para que os jovens entendessem que podem divertir-se sem beberem.

As estatísticas dos bancos de urgência registam largas centenas de jovens em estados de etilismo agudo nas épocas festivas.

Por outro lado, vigiar, controlar, exigir que não saiam de casa, só irá alimentar ainda mais, a rebeldia própria da adolescência.

Na minha opinião o combate ao consumo de álcool e a regulação das saídas à noite não passa tanto por fazer marcação cerrada (embora seja necessária) mas também por apostar na educação (a grande obreira da nações, mas não como está neste momento) e apoio a pais e alunos na área psicológica numa intervenção imediata e no terreno.

Muitas vezes os pais, eles próprios muito frágeis, não sabem e não conseguem actuar com os filhos, mas também não sabem onde se hão-de dirigir para procurar ajuda.

É responsabilidade da família perceber o limite entre o saudável e o patológico nas atitudes dos filhos, e quando perceberem que “algo não está bem” que não estão a conseguir comunicar com os vossos filhos, então pedir ajuda é fundamental.

Os pais precisam de ajudar os filhos a organizar o seu mundo interno.

Procurar uma orientação adequada é um dever dos pais, pois são espelhos fundamentais na educação dos filhos e responsáveis por lhes proporcionar a segurança emocional que necessitam.

Por vezes basta um aconselhamento pedagógico/ terapêutico aos pais para que fiquem mais aptos a lidarem com estas situações. Infelizmente são ainda muito poucos os que procuram ajuda.


A orientação profissional de um psicólogo pode ajudar nesse processo, e se necessário for, encaminhar o próprio adolescente para uma psicoterapia.

A adolescência é um momento difícil para pais e filhos.... as duas partes envolvidas não devem esquecer que: “Todas as pessoas gostam de saber que são amadas e admiradas, apesar dos defeitos que possam ter!”

O respeito e a negociação constituem a base de todos os relacionamentos, e são indispensáveis em qualquer idade. Pense nisso!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Orientação escolar e Vocacional

Escolher um curso e saber qual a profissão que melhor se adapta à vocação pessoal, são decisões fundamentais na nossa vida. Grande parte da nossa realização pessoal está na profissão que vamos exercer na vida adulta.

Assim a Orientação profissional é realizada através da integração de resultados de vários pontos de análise recolhidas a partir de:
  • Realização de Testes de Aptidão Profissional e Inventário de Interesses;
  • Entrevista pessoal baseada no método de Narrativas de Vida em que A orientação profissional é feita com base na realidade interna da pessoa em interacção com os contextos de vida numa perspectiva construtivista;
  • Indicações precisas sobre cursos e estabelecimentos de ensino que ministram as áreas de interesse do cliente.
  • Discussão, integração e análise de resultados.

Psicoterapia com Crianças

Os primeiros anos de vida de uma criança são caracterizados por aquisições, evoluções e desenvolvimentos extremamente rápidos. De um mês para o outro, os pais observam novas competências e estão permanentemente inquietos para descobrir como é o seu filho e como vai ser no futuro. Pequenos atrasos no desenvolvimento ou simplesmente uma certa lentificação do desenvolvimento de certas competências pode gerar ansiedades fortes nos pais que temem que o seu filho "não seja normal".

A psicologia da infância é uma área da psicologia que possuí profundos e sólidos conhecimentos sobre o desenvolvimento das crianças e o psicólogo pode, mediante a observação e interacção com uma criança (brincando com ela), perceber se o seu desenvolvimento se está a processar dentro dos parâmetros esperados, se está lentificado ou pelo contrário acelerado . Para além dos problemas de desenvolvimento as crianças podem apresentar uma série de outras dificuldades que são também facilmente identificadas por um psicólogo devidamente treinado ou até mesmo pelos familiares e/ou professores.
Apresentamos de seguida algumas das dificuldades que podem ser sentidas pelas crianças e devem ser alvo da atenção (e eventualmente psicoterapia) de um psicólogo:
  • Problemas relacionados com a aquisição da fala ou da marcha
  • Lutos e perdas ( morte de familiares, divorcio dos pais..)
  • Problemas relacionados com o controle dos esfíncteres
  • Problemas do sono - pesadelos e insónias
  • Problemas relacionados com o desempenho escolar
  • Problemas relacionados com a alimentação
  • Problemas de comportamento - Agressividade e violência
  • Medos e ansiedade (fobias e ansiedade)
  • Tristeza, apatia e indiferença (depressão)
  • Problemas com a integração num grupo de amigos
Numa fase inicial proceder-se-à a uma avaliação psicológica da criança de forma a fazer uma avaliação das competências cognitivas da criança assim como do seu desenvolvimento e do seu funcionamento mental.
Após esta avaliação será então decidida a terapêutica mais indicada para a criança.

A Ludoterapia é um processo terapêutico indicado para os mais pequeninos. Baseia-se no brincar e tem como objectivo a resolução das dificuldades que estão na origem dos aspectos patológicos que levam ao adoecer psíquico.Pode ser indicada em dificuldades relacionais, problemas de comportamento, enurese e encoprese, ansiedade, fobias, depressão etc.

Psicoterapia de Grupo: Crianças e Adolescentes. ABERTAS AS INSCRIÇÕES


Estão abertas as inscrições para Grupos Terapêuticos, para o tratamento de várias problemáticas:

CRIANÇAS:
  • Dificuldades de relacionamento e inibição social;  
  • Problemas do sono - pesadelos e insónias  
  • Problemas relacionados com o desempenho escolar  
  • Problemas relacionados com a alimentação  
  • Problemas de comportamento - Agressividade e violência  
  • Medos e ansiedade (fobias e ansiedade)  
  • Tristeza, apatia e indiferença (depressão)
 ADOLESCENTES:
  •  Problemas relacionados com o corpo e a imagem corporal 
  • Problemas relacionados com a alimentação 
  • Problemas relacionados com a formação da identidade 
  • Problemas relacionados com a sexualidade 
  • Problemas de comportamento e agressividade 
  • Problemas na vida familiar( relação pais-filhos) 
  • Problemas depressivos e ansiosos e fóbicos 
  • Problemas com a integração num grupo de amigos 
 Os grupos são organizados de acordo com as caracteristicas individuais e semelhanças das problemáticas entre os pacientes.

Os grupos contém entre 5 a 8 elementos, com sessão semanal de 90 minutos, com um custo de 25 euros por sessão.

A escolha da Psicoterapia de Grupo (em vez da Psicoterapia Individual) depende da motivação do paciente e da avaliação que o terapeuta faz das necessidades terapêuticas do paciente.

Há grupos distintos para Crianças, Adolescentes e Adultos.

 COMO FUNCIONA?

Há 3 passos essenciais:
1º é realizada uma primeira consulta: Consulta Inicial de Avaliação – nesta, o terapeuta ouve os motivos e compreende as motivações do paciente, ajuda a organizar os objectivos terapêuticos e avalia (em conjunto com o paciente) se a terapia de grupo é a opção mais adequada para resolver as dificuldades apresentadas.

 2º Realizam-se algumas Sessões de Preparação Individual (caso o terapeuta sinta que há necessidade) o número de sessões é combinado com o terapeuta em função da data previsível de entrada no grupo).
Aqui, são esclarecidas dúvidas, expectativas e receios iniciais; são fornecidas indicações concretas sobre como aproveitar o melhor possível a terapia de grupo; e são estabelecidas regras importantes, entre as quais a regra ética fundamental da confidencialidade (sigilo rigoroso sobre o que cada paciente revela no grupo), a ausência de contacto entre os pacientes fora do grupo, etc.
 3º Início ou entrada no Grupo.  

Importa sublinhar que existem algumas características especiais para que o Tratamento em Grupo seja bem sucedido: algumas delas incluem a necessidade de os elementos do grupo serem desconhecidos entre si antes de entrarem para o grupo, o não poderem estabelecer contactos fora do grupo, etc. Estas e outras características são enunciadas e explicadas pelo terapeuta na primeira sessão.

VANTAGENS DA PSICOTERAPIA DE GRUPO
a) As pesquisas científicas demonstram que a terapia de grupo é, em alguns casos, mais eficaz para melhorar as relações e sintomas associados a certas patologias.
b) Em termos económicos, cada paciente pode pagar menos de metade e ter acesso ao dobro das sessões ( cerca de 25 euros por sessão).

  QUAIS SÃO AS VANTAGENS DE SER EM GRUPO?

Com a ajuda do terapeuta e dos outros participantes, a terapia de grupo permite descobrir, transformar e enriquecer o modo de Relacionamento Interpessoal de cada um dos membros. O grupo de terapia proporciona:

 a) Sentimentos de conforto e amparo através de um ambiente de suporte, respeito e empatia.

b) Uma troca mútua e gratificante de experiências afectivas importantes, permitindo que cada indivíduo se observe, se reconheça e se re-invente na relação com os outros.
3 - A QUEM SE DESTINA? 
A pessoas com Disponibilidade Psicológica – ou seja, com disposição e motivação para:
a) Examinar os seus próprios sentimentos e comportamentos, para ouvir e ser ouvido num contexto de interacção afectiva.
b) E para alterar ou resolver os aspectos de si mesmo que lhe causam diversos graus de sofrimento e incapacidade.

   QUE RESULTADOS ESPERAR?
É legítimo esperar vários resultados significativos:
A) Cada membro do grupo, ao ouvir os outros e ao colocar-se no seu lugar, aprende a descobrir aspectos importantes sobre si mesmo – por exemplo: Como se comporta com os outros (quais os seus pontos fortes e fracos); como os outros o vêem realmente (tenso, afectuoso, indiferente, etc.; porque faz o que faz na relação com os outros (ou seja, entende as suas motivações profundas e verdadeiras).

B) O paciente torna-se uma melhor testemunha do seu próprio comportamento, e logo compreende melhor o impacto desse comportamento sobre os sentimentos e opiniões dos outros.

C) Compreende de que forma ele próprio é o autor e protagonista da sua história de vida e das suas relações com os outros. Sendo o protagonista, o paciente tem o poder de mudar os aspectos que o fazem sofrer.

D) Transforma os comportamentos e relações que lhe causam sofrimento, em novas maneiras de estar com os outros, mais gratificantes, com menos sofrimento e menos sintomas.

E) Gradualmente começa a arriscar essas novas maneiras de estar com os outros, não só no grupo, mas também no exterior: a ansiedade social diminui, aumentam a auto-estima e a confiança nas suas relações presentes e futuras.

Para mais informações, contacte-me!

Psicoterapia com adolescentes


A adolescência é uma fase da vida particularmente difícil.
Na fase inicial da adolescência, o jovem tem de lidar com a passagem da infância para a adolescência propriamente dita.
Na fase final da adolescência, o jovem tem de lidar com a saída da adolescência e a entrada no mundo adulto.
Na fase intermédia há inúmeras situações de grande tensão e conflito psíquico, porque o adolescente tem que aprender a lidar com um corpo e uma personalidade em permanente e rápida mudança.

Muitas vezes os adolescentes não apresentam uma verdadeira psicopatologia ou um quadro clínico bem definido.
O adolescente tem de enfrentar no seu dia-a-dia muitas exigências no que respeita à relação consigo próprio, com o corpo, com os amigos e com a sua família.
Estas exigências funcionam como pressões e fazem com que ele viva sentimentos e emoções extraordinariamente fortes e potencialmente desorganizadoras.

Algumas das dificuldades que podem ser sentidas pelos adolescentes e devem ser alvo de atenção de um psicólogo, podem ser:

 Problemas relacionados com o desempenho escolar
 Problemas relacionados com o corpo e a imagem corporal
 Problemas relacionados com a alimentação
 Problemas relacionados com a formação da identidade
 Problemas relacionados com a sexualidade
 Problemas de comportamento e agressividade
 Problemas na vida familiar
 Problemas depressivos e ansiosos
 Problemas com a integração num grupo de amigos

Se a dificuldade do adolescente foi em primeiro lugar detectada por um dos pais ou alguém da sua família, deve-se inicialmente marcar uma consulta de Aconselhamento Individual ou familiar (com a presença de mais do que um membro da família) onde poderá expor toda a situação e todas as suas dúvidas a um psicólogo clínico.
O psicólogo, com base nas informações fornecidas, irá tentar compreender a situação que lhe foi apresentada e, conjuntamente com o jovem, irá conceber uma estratégia para fazer face ao problema colocado.

Se não existirem dúvidas em relação à presença de uma dificuldade psíquica e o adolescente estiver predisposto a ir a uma consulta de psicologia para perceber o que se passa com ele, então o próprio adolescente deverá marcar uma entrevista inicial. Se o adolescente tiver menos de 16 anos é importante que vá à primeira consulta acompanhado dos pais ou de um adulto da família.

Após esta etapa o psicólogo irá definir com o adolescente e a sua família a melhor forma de o ajudar.

Nos adolescentes a psicoterapia facilita a reflexão sobre o processo de mudança físico-emocional que enfrentam. Ajuda no auto-conhecimento, na gestão dos conflitos, permitindo que tome decisões pessoais e profissionais de forma mais consciente e adulta.

As psicoterapias individuais - Psicoterapia de Apoio e Psicoterapia Psicanalítica Individual - são de grande utilidade na resolução da maioria dos problemas apresentados na adolescência.