"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos

terça-feira, janeiro 08, 2019

Depressão... Uma doença apenas dos adultos ou também das crianças?


Depressão Infantil


Será a depressão uma doença apenas dos adultos ou também das crianças?



Inicialmente, considerava-se que era praticamente insignificante a incidência de perturbações afetivas em idades infantis. Esta situação acontecia pois os fenómenos afetivos nestas idades tornam-se difíceis de identificar, dada a dificuldade em diferenciar os fenómenos físicos, dos fenómenos psicológicos, em crianças que se encontram em desenvolvimento.

Além do mais, nenhum pai ou mãe está à espera que o seu filho adoeça do ponto de vista psicológico. Sabem à partida que o mal-estar físico é praticamente inevitável e adaptam-se facilmente à ideia de ver os filhos com dores de dentes, constipados ou com algum membro fraturado enquanto estavam a brincar na escola. Afligem-se quase sempre, assumem que dariam tudo para livrá-las daquele sofrimento, mas sobrevivem. No entanto, ninguém está preparado para reconhecer que o seu filho, ainda tão pequenino, possa sofrer de uma doença que nos habituámos a atribuir aos adultos.

De facto, muitas das situações afetivas e manifestações depressivas aparecem nas crianças e adolescentes como que mascaradas através destes tais sintomas físicos, como por exemplo, “alterações comportamentais”, de “insucessos escolares”, “crises existenciais”, "perturbações do desenvolvimento”, “consumos”, entre outros. Tais manifestações só chegam a ser diagnosticadas, muitas vezes, como verdadeiras quando, num caso extremo, o jovem ameaça a sua própria vida.

Ao contrário do que sucede na grande maioria das vezes no adolescente e no adulto, em que a depressão tem um carácter inibitório, na criança a depressão aparece com manifestações de angústia ou mesmo de agitação psicomotora, em que a criança precisa de estar em constante movimento.

Para o diagnóstico de uma perturbação afetiva, nos períodos de crescimento e desenvolvimento, deve sempre ter-se em conta uma perspetiva sistémica, como por exemplo, o contexto sóciofamiliar em que a criança e/ou o adolescente se encontram inseridos, pois, muitas vezes, o sintoma da criança é o reflexo de alguma forma de mal-estar familiar, um sinal de que alguma coisa não está bem e é a criança que se assume como a voz do problema.

Embora assuma características menos nítidas que no adulto, algumas depressões podem adquirir na criança uma expressão bastante evidente, sendo que alguns dos sintomas clínicos que nos permitem avaliar a reação depressiva na criança são os seguintes:

  •        Tristeza acentuada e duradoura, com choro fácil;
  •        Insónia ou hipersónia;
  •        Inibição psicomotora ou agitação;
  •        Isolamento e desinteresse mais ou menos aparente, aborrecimento;
  •        Sentimentos de culpabilidade e de abandono. Sentem-se mal amados, rejeitados, e o abandono dos colegas;
  •        Fobias;
  •        Fraca capacidade de encontrar satisfação, fácil desistência;
  •        Incapacidade de receber ajuda e conforto, embora haja pedido explícito;
  •     Grande angústia;
  •        Baixa de rendimento escolar e da capacidade de concentração;
  •        Auto depreciação e fraca autoestima;
  •        Sintomas físicos diversos – trata-se, em regra, de uma forma de depressão mais leve. Na idade pré-escolar, são frequentes a enurese, a encoprese, a anorexia ou bulimia. Na idade escolar, predominam, a insónia, a fadiga, as dores abdominais e a irritabilidade.


Concluindo, pode-se verificar que alguns dos sintomas que caracterizam a depressão do adulto se encontram igualmente na infância e na adolescência. Se reconhece algum destes sintomas no seu filho ou alguém próximo, não hesite em procurar ajuda. As dificuldades são reais, não podem ser atribuídas ao desenvolvimento e precisam de ser, pelo menos, avaliadas por alguém clinicamente experiente.

Uma avaliação rigorosa - realizada por um psicólogo infantil - permite imediatamente que a família se sinta ajudada e que adquira novamente o bem-estar. Se tiver alguma dúvida ou precisar de algum tipo de apoio ou aconselhamento, terei todo o gosto em recebê-lo, ou receber-vos, e ajudar-vos nesta vossa caminhada.

Dr.ª Sara Loios
Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias
Cédula Profissional nº 20837 

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