"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos
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segunda-feira, fevereiro 13, 2023

Psicoterapia de Grupo | Adolescentes e Jovens Adultos- Mentalization Based Group Therapy- Inicio 9 de Março de 2023

 



É pai ou mãe de um adolescente ou jovem adulto? És adolescente ou Jovem adulto? Tens algum destes Problemas?:
⚡️Problemas Emocionais (alterações graves do humor)-
⚡️Dificuldades nas relações interpessoais (elevada conflitualidade ou medo de te relacionares)
⚡️Problemas no controlo da tua impulsividade
⚡️Problemas do comportamento- autolesivos, suicidários, consumos de substâncias, comportamentos de risco
⚡️Problemas alimentares (anorexia e bulimia)
✅Este Grupo Pode Ajudar-te!
✅A Psicoterapia de grupo baseada na Mentalization Based Group Therapy tem eficácia terapêutica comprovada no tratamento destes problemas.
👉Destinatários: Adolescentes e Jovens adultos (15-25 anos aprox.)

👉Funcionamento dos grupos:
Regularidade Semanal.
Máximo de 9 pessoas / grupo
Preço | 25 Euros por sessão
👉Horários:
Grupos de Adolescentes e jovens adultos 5ª feiras 18h50- 20h15
👉Avaliação Inicial
A entrada no grupo requer uma consulta inicial individual de avaliação prévia para entender quais são as dificuldades e considerar o tratamento mais adequado.
👉Se quiser ser contactada (o) para saber mais informações, submeta o questionário abaixo:
👉 Outras informações :
jesuscandeias@gmail.com
Telemóvel ou Whatsapp 00 351 919918225

👉O que é a Terapia baseada em mentalização (MBT)?

A terapia baseada em mentalização (MBT) é um tipo de psicoterapia psicodinâmica, de longo prazo, fundamentada na teoria da vinculação. Assume que uma vinculação desorganizada promove uma falha na capacidade de mentalização.

Mentalizar, é a capacidade de focar e diferenciar entre seu próprio estado emocional e o dos outros. Entender como o estado mental de alguém influencia o comportamento, é uma função cognitiva normal em todos os humanos e que é a base de todas as relações humanas.

No entanto, esta função cognitiva encontra-se limitada em algumas pessoas, que apresentam maior dificuldade em mentalizar sobre si e sobre os outros. Esta dificuldade em mentalizar, é particularmente afetada quando nos encontramos emocionalmente vulneráreis. Quando vivenciamos situações de stress, ou com grande desregulação emocional.

O aprimoramento da mentalização e a melhoria da regulação emocional e comportamental estão no centro do tratamento MBT.

A MBT Permite que os pacientes alcancem os seus objetivos de vida e desenvolvam relacionamentos mais íntimos e gratificantes.


👉Como funciona? .
A terapia baseada em mentalização ajuda os pacientes a pensar antes de reagir aos seus próprios sentimentos ou aos sentimentos percebidos dos outros. Com uma capacidade aprimorada de mentalizar, os pacientes não apenas processam seus próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos relacionados de maneira diferente, mas também entendem melhor que os pensamentos, sentimentos e comportamentos de outra pessoa podem diferir de sua própria interpretação.

👉A Terapia Baseada na Mentalização (MBT) tem por objectivo:
Desenvolver a consciência dos participantes sobre os estados mentais em si e nos outros, aumentando a sua capacidade de mentalização.
Dentro do contexto do grupo, isso traduz-se na criação de um ambiente no qual os participantes se sintam seguros, de forma a estimular a curiosidade dos adolescentes sobre os seus colegas, sobre motivações subjacentes e factores que inibem as suas capacidades de mentalização, ajudando-os a responderem de forma diferente, aumentando a sua percepção de autoconfiança.
Isso envolve o desenvolvimento de uma consciência de como os processos pré-conscientes (mentalização implícita), que mantêm a força dos padrões relacionais precoces, podem influenciar os nossos pensamentos e comportamento e tornar essas suposições automáticas explícitas. Essa habilidade ajudará o paciente a evitar interpretar mal o significado de outra pessoa e a responder adequadamente a ela.
O grupo visa fomentar uma curiosidade respeitosa e genuína em compreender as conexões entre sentimentos, pensamentos e ações no aqui-e-agora.

👉O que esperar numa sessão de Terapia MBT
A participação de cada membro no grupo é fundamental para o tratamento próprio e dos outros membros. O terapeuta de grupo lidera o grupo e ajuda os membros a desenvolver uma compreensão da mente e da situação pessoal de cada pessoa.
Durante as sessões de terapia baseada em mentalização (MBT), cada um dos participantes concentra-se nas dificuldades da sua vida actual para melhorar a sua compreensão de si mesmo e dos outros. Ao concentrar-se em tentar compreender os seus próprios pensamentos e sentimentos e os de outras pessoas, a MBT pode ajudá-lo a compreender e controlar melhor seus impulsos, emoções e comportamentos. E isso, vai sem dúvida, ajudá-lo a melhorar o seu relacionamento com as outras pessoas.
Durante o grupo, os participantes são expostos a diferentes pontos de vista e têm a oportunidade de aprender com os outros, receber feedback e apoio. Cada indivíduo traz consigo sua história e carácter, o que contribui para qualquer situação de grupo. Entender isso pode reduzir a confusão entre como somos semelhantes e diferentes das outras pessoas.
No entanto, falar e pensar sobre problemas emocionais pode ser difícil. A pessoa pode se sentir ansioso ao falar em grupo. Por esse motivo, algumas pessoas podem sentir-se pior antes de se sentirem melhor. Porém, o terapeuta do grupo vai estar lá, consigo, para o ajudar a gerir essas fortes reações emocionais.
Para algumas pessoas, participar de uma sessão em grupo pode deixá-las com raiva ou piorar os sentimentos de depressão, ou sentir que estão sendo criticadas por outros membros do grupo.
Pode ser doloroso enfrentar o passado e a verdade, mas isso tem seus limites e o terapeuta que lidera o grupo respeita isso. O terapeuta também tem seus limites sobre o que pode entender e ajudar.
Embora um grupo possa parecer um pouco intimidador no início, muitas pessoas descobrem que, depois de superar essa preocupação, elas realmente são beneficiadas ao compartilhar e encontrar-se com outras pessoas.

👉Eficácia
O MBT é recomendado pelo Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (UK) para o tratamento de pessoas com Perturbação de personalidade Borderline, personalidade antissocial, dependências (emocionais ou de substâncias), perturbações alimentares, e depressão.

👉O que é a Mentalização?
Mentalizar, é a capacidade de focar e diferenciar entre seu próprio estado emocional e o dos outros. Entender como o estado mental de alguém influencia o comportamento, é uma função cognitiva normal em todos os humanos e é a base de todas as relações humanas.
No entanto, esta função cognitiva encontra-se limitada em algumas pessoas, que apresentam maior dificuldade em mentalizar sobre si e sobre os outros. Esta dificuldade em mentalizar, é particularmente afetada quando nos encontramos emocionalmente vulneráreis, quando vivenciamos situações de stress, ou quando temos grande desregulação emocional.
As pessoas em geral, e os jovens em particular, com perturbações emocionais e da personalidade apresentam uma variedade de características e comorbilidade associada, no entanto diferem significativamente na forma como pensam, percepcionam, sentem e se relacionam com os outros.
As maiores dificuldades são caracterizadas por oscilações extremas do humor, imprevisibilidade do comportamento, persistentemente instáveis, auto imagem negativa, relações caracterizadas por desconfiança, com grandes dificuldades na regulação emocional que prejudicam a mentalização.
Estas dificuldades levam frequentemente a comportamentos incongruentes e descontrolados (actos autolesivos, violência, e abuso de substâncias) angustiando o próprio e as pessoas que se encontram a volta dela.
A Terapia Baseada na Mentalização (MBT) considera estes comportamentos desadaptativos como o resultado de uma falha de mentalizar o impacto na capacidade da pessoa de regular os afectos e emoções e que tem em parte as transformações neurológicas temporárias que comprometem a capacidade de mentalizar.
Embora também possa haver uma base genética, a incapacidade de mentalizar geralmente decorre de um apego inseguro a um dos pais ou de problemas de abandono no início da vida.
Se a pessoa não compreende os seus próprios sentimentos e os dos outros, pode ter dificuldade em regular as suas próprias emoções e comportamentos problemáticos, bem como, dificuldade em identificar correctamente os pensamentos e os sentimentos dos outros. A não compreensão da intenção por trás do comportamento de outras pessoas pode levar a responder de forma impulsiva e inadequada, podendo comprometer e dificultar os relacionamentos.

👉Se quiser ser contactada (o) para saber mais informações, submeta o questionário abaixo:

terça-feira, junho 05, 2018

O meu filho não me respeita!!!


O que se entende por desrespeitar os pais? Existem limites? Quais?
É comum que, durante a etapa da adolescência, surjam mudanças significativas nas relações familiares. 
Em muitos casos, essas mudanças fazem-se acompanhar de um aumento de conflitos entre pais e filhos.
A adolescência traz consigo a necessidade de questionar, de descobrir, de redirecionar. Passa a haver a necessidade de rever as regras, os valores e até as crenças familiares.  
Um/a filho/a mais instável e irritado/a pode tão somente estar a manifestar, à sua maneira, a necessidade de diferenciação das figuras parentais, em busca da sua própria identidade.
É comum os jovens manifestarem ataques de raiva, isolarem-se em quartos fechados, buscarem apoio nos avós ou começarem a apresentar comportamentos desafiadores ou de risco.

Os adolescentes desafiam o sistema familiar porque essa é a natureza do desenvolvimento, nem sempre se trata de uma questão de desrespeito! 
Famílias com fronteiras mais flexíveis permitem que o adolescente se vá experimentando em diferentes territórios, aproximando-se quando se sente inseguro e afastando-se quando necessita de testar a sua independência.

Se pelo contrário, os pais, são rígidos e inflexíveis,  não vão facilitando  a separação e autonomia do jovem, os jovens começam a usar meios cada vez mais extremos para tentar impor a sua precária autoridade ou para marcar distâncias, incluindo a utilização de violência tanto com os seus irmãos mais novos como com os seus progenitores.
A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do      reequilíbrio emocional. 
A clareza das regras e limites é essencial para assegurar estes 3 grandes pilares da vida do adolescente.

Assim, nesta fase, é fundamental que os pais  apostem  num aumento da flexibilidade das fronteiras e nas forma de expressar a sua  autoridade, de forma a manter a harmonia familiar. È essencial distinguir e não confundir entre os pais como autoridade de pais autoritários.

O respeito e os limites estão ultrapassados quando entramos no campo da violência familiar.
A violência filio-parental, é um tipo de violência familiar e refere-se a comportamentos de violência física (agressões, empurrões, atirar objectos) verbal (insultos repetidos, ameaças) ou não verbal (ameaças de agressão, destruição de objectos apreciados) realizados de maneira repetida em relação a um ou ambos os progenitores, ou aos adultos que ocupam o seu lugar,

Este tipo de violência origina um enorme sofrimento e stress nas famílias, ao mesmo tempo que podem representar o inicio de uma “carreira de agressor” nos jovens que perpetuam este tipo de violência, necessitando por isso de uma resposta específica por parte dos profissionais de saúde mental.

Que tipos de casos entre mau relacionamento entre pais e filhos costuma receber nas suas consultas?
Existem pedidos muito diversos e que vão desde os pequenos conflitos familiares entre pais filhos, pais que não se sentem respeitados e que não conseguem fazer com que os filhos cumpram as suas regras, muitos pais com dificuldades em lidar com s processos de autonomia na adolescência dos seus filhos, aos casos de violência entre pais e filhos e de referir que são cada vez mais frequentes.

Por que muitos pais não conseguem ganhar respeito dos seus filhos? Quais os quadros familiares associados a este tipo de relação?
As dificuldades dos pais em ganharem o respeito dos filhos estão fortemente associadas a  praticas parentais pouco adequadas às necessidades dos filhos.
Os conflitos, os problemas, e a Violência Filio-Parental são resultado de uma interacção disfuncional entre os diferentes membros do sistema familiar em que a psicopatologia aparece como expressão dessa disfuncionalidade. Esta violência tem um sentido e uma função dentro da família que deve ser entendido e decifrado.
Podemos apontar os seguintes factores que favorecem o aparecimento da violência filio parental:

·        Experiência familiar prévia de utilização da violência para resolução de conflitos;
·        Violência familiar generalizada: todos contra todos;
·        Pais não normativos “democráticos”, excessivamente permissivos, que gostam dos seus filhos façam estes o que fizerem;
·   Pais superprotectores por razões diversas: filho muito desejado, tardio, frágil ou adoptado, dispostos a satisfazerem todos os desejos dos seus filhos.
·        Relação “passional”, “fusional” entre um dos progenitores e o filho;
·        Violência prévia dos pais entre si ou sobre o filho;
·        Conflito intenso entre os pais;
·        Triangulação do filho.
·        Pais insatisfeitos com os seus papéis ou verbalizações de que as suas vidas são vazias;
·        Inconsistência e desacordo entre os pais na educação dos filhos;
·        Severidade desproporcionada dos castigos e dos actos dos filhos;
·        Excessivo criticismo e intrusão por parte dos pais;
·        Problemas de hierarquia: pais que renunciam ao seu papel e recusam estabelecerem normas;
A ausência de uma clara definição hierárquica é a principal característica do funcionamento destas famílias. A dificuldade em estabelecer normas e limites são os pontos mais evidentes nestas famílias quando procuram ajuda.

Nestas famílias é frequente encontrarmos situações em que um ou às vezes os dois progenitores, abdicaram do seu papel parental, tendo deixado de se comportar como pais.

Quais são os pensamentos/sentimentos mais comuns nos pais perante este tipo de problema com os filhos?
A vergonha, a sensação de fracasso enquanto pais, a desilusão e o sentimento de impotência face ao problema são sentimentos comuns nestes pais.

Como devem reagir os pais quando os filhos os agridem tanto psicologica e/ou fisicamente?
Quando chegamos a este ponto é muito difícil os pais, por si mesmos, resolverem ou reverterem a situação. Muita coisa se danificou dentro de uns e outros, as formas de relacionamento dentro da família estão “doentes”  e a ajuda profissional nestes casos parece-me essencial.
Porém, importa referir que o uso da força pelos pais, ou a restituição  da ordem ou do respeito pelos mesmos meios (a violência  verbal e física) não é de todo o caminho a seguir.
A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do reequilíbrio emocional. 
O adolescente/criança ainda não é adulto, pelo que necessita de contar ainda com uma família que lhe garanta as necessidades de afecto, de segurança e de estrutura. 
Clarificar e definir regras e limites é essencial para a organização emocional do jovem.
 De referir porém, que com ajuda especializada, estes problemas resolvem-se e a família pode reaprender a viver em harmonia. 

Por que muitos pais suportam ser mal tratados pelos seus filhos?
Nas famílias com Violência Filio-Parental a imagem familiar, tanto dos pais como dos filhos encontra-se detiorada.  A sensação de fracasso dos pais na educação dos filhos, a vergonha que implica ser agredido por um filho, impõe a necessidade de protecção da imagem familiar, o que faz com que as famílias afectadas muitas vezes subestimem a agressão e minimizem os seus efeitos, mesmo quando são públicos e evidentes. A deterioração da situação familiar faz com que a família adopte comportamentos de forma a apresentar uma imagem oposta, potenciando assim o Mito da Paz e da Harmonia Familiar, muito frequente nestas famílias, mesmo quando no exterior já se sabe. Para ocultar o que está acontecendo vai-se construindo um segredo familiar: começa a evitar-se determinados temas, a deixar de falar de situações e comportamentos que poderão por em causa o Mito.
A negação da violência filio-parental , por parte dos pais,  é praticamente uma norma e pode chegar a extremos graves: toleram-se níveis elevados de agressividade durante um período prolongado de tempo antes de se tomarem medidas .

Existem muitos filhos que culpam os seus pais pela falta de sucesso na sua vida e consideram que é obrigação dos pais ajudá-los incondicionalmente. Como devem os pais contrariar esta pressão dos filhos?
Os filhos pedem… cabe aos pais dizer tranquilamente, sem culpas, que não podem! Os filhos fazem pressão, quando sabem que ao fim de algum tempo de pressão conseguem alcançar os seus objectivos. Quando perceberem quer não conseguem nada com pressão, acabam por abandonar essa estratégia. Assim sendo, a consistência e coerência das regras, pelos pais é fundamental! Não podem dizer que não a algo, e depois sim, sem nenhuma razão justificativa para essa mudança de opinião. E não devem sentir-se culpados por dizer não aos filhos! Os pais podem até não ter feito tudo como deviam, mas fizeram aquilo que sabiam e acharam melhor, mas a partir de certa altura são os filhos, agora jovens adultos, que passam a ser responsáveis por si próprios.
A culpa que os pais  possam eventualmente ter, por ter falhado algures, podem admiti-la, mas com a consciência de que não a podem corrigir porque o tempo não volta atrás, e principalmente que não têm de continuar a pagar essa culpa sob  chantagem e  cedências à pressão dos filhos.

A incapacidade de pais e filhos comunicarem, ou porque não falam a mesma linguagem, ou porque não respeitam as crenças uns dos outros, entre outros, podem algum dia ser ultrapassados?
Sim, sem dúvida que se podem ultrapassar essas diferenças. A terapia familiar é fundamental no restabelecimento da harmonia familiar. Numa família, não têm de pensar todos o mesmo, mas têm sobretudo de falar a mesma língua: a do respeito e admiração pela individualidade de cada um.
Entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga clínica e Psicoterapeuta, para o Portal Sapo Saúde , Setembro 2015

quarta-feira, setembro 20, 2017

O Meu Filho Não me Respeita!!!


Entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga clínica e Psicoterapeuta, para o Portal Sapo Saúde , Setembro 2012


  O que se entende por desrespeitar os pais? Existem limites? Quais?

 É comum que, durante a etapa da adolescência, surjam mudanças significativas nas relações familiares. 
Em muitos casos, essas mudanças fazem-se acompanhar de um aumento de conflitos entre pais e filhos.
A adolescência traz consigo a necessidade de questionar, de descobrir, de redirecionar. Passa a haver a necessidade de rever as regras, os valores e até as crenças familiares.  
Um/a filho/a mais instável e irritado/a pode tão somente estar a manifestar, à sua maneira, a necessidade de diferenciação das figuras parentais, em busca da sua própria identidade.
É comum os jovens manifestarem ataques de raiva, isolarem-se em quartos fechados, buscarem apoio nos avós ou começarem a apresentar comportamentos desafiadores ou de risco.

Os adolescentes desafiam o sistema familiar porque essa é a natureza do desenvolvimento, nem sempre se trata de uma questão de desrespeito! 
Famílias com fronteiras mais flexíveis permitem que o adolescente se vá experimentando em diferentes territórios, aproximando-se quando se sente inseguro e afastando-se quando necessita de testar a sua independência.

Se pelo contrario, os pais, são rígidos e inflexíveis,  não vão facilitando  a separação e autonomia do jovem, os jovens começam a usar meios cada vez mais extremos para tentar impor a sua precária autoridade ou para marcar distâncias, incluindo a utilização de violência tanto com os seus irmãos mais novos como com os seus progenitores.
 A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do      reequilíbrio emocional. 
A clareza das regras e limites é essencial para assegurar estes 3 grandes pilares da vida do adolescente.

Assim, nesta fase, é fundamental que os pais  apostem  num aumento da flexibilidade das fronteiras e nas forma de expressar a sua  autoridade, de forma a manter a harmonia familiar. È essencial distinguir e não confundir entre os pais como autoridade de pais autoritários.

O respeito e os limites estão ultrapassados quando entramos no campo da violência familiar.

A violência filio-parental, é um tipo de violência familiar e refere-se a comportamentos de violência física (agressões, empurrões, atirar objectos) verbal (insultos repetidos, ameaças) ou não verbal (ameaças de agressão, destruição de objectos apreciados) realizados de maneira repetida em relação a um ou ambos os progenitores, ou aos adultos que ocupam o seu lugar,

Este tipo de violência origina um enorme sofrimento e stress nas famílias, ao mesmo tempo que podem representar o inicio de uma “carreira de agressor” nos jovens que perpetuam este tipo de violência, necessitando por isso de uma resposta específica por parte dos profissionais de saúde mental.

  Que tipos de casos entre mau relacionamente entre pais e filhos costuma receber nas suas consultas?


Existem pedidos muito diversos e que vão desde os pequenos conflitos familiares entre pais filhos, pais que não se sentem respeitados e que não conseguem fazer com que os filhos cumpram as suas regras, muitos pais com dificuldades em lidar com s processos de autonomia na adolescência dos seus filhos, aos casos de violência entre pais e filhos e de referir que são cada vez mais frequentes.

Por que muitos pais não conseguem ganhar respeito dos seus filhos? Quais os quadros familiares associados a este tipo de relação?

As dificuldades dos pais em ganharem o respeito dos filhos estão fortemente associadas a  praticas parentais pouco adequadas às necessidades dos filhos.
Os conflitos, os problemas, e a Violência Filio-Parental são resultado de uma interacção disfuncional entre os diferentes membros do sistema familiar em que a psicopatologia aparece como expressão dessa disfuncionalidade. Esta violência tem um sentido e uma função dentro da família que deve ser entendido e decifrado.
 Podemos apontar os seguintes factores que favorecem o aparecimento da violência filio parental:
·                Experiência familiar prévia de utilização da violência para resolução de conflitos;
·                Violência familiar generalizada: todos contra todos;
·                Pais não normativos “democráticos”, excessivamente permissivos, que gostam dos seus filhos façam estes o que fizerem;
·                Pais superprotectores por razões diversas: filho muito desejado, tardio, frágil ou adoptado, dispostos a satisfazerem todos os desejos dos seus filhos.
·                Relação “passional”, “fusional” entre um dos progenitores e o filho;
·                Violência prévia dos pais entre si ou sobre o filho;
·                Conflito intenso entre os pais;
·                Triangulação do filho.
·                Pais insatisfeitos com os seus papeis ou verbalizações de que as suas vidas são vazias;
·                Inconsistência e desacordo entre os pais na educação dos filhos;
·                Severidade desproporcionada dos castigos e dos actos dos filhos;
·                Excessivo criticismo e intrusão por parte dos pais;
  • Problemas de hierarquia: pais que renunciam ao seu papel e recusam estabelecerem normas;
  • A ausência de uma clara definição hierárquica é a principal característica do funcionamento destas famílias. A dificuldade em estabelecer normas e limites são os pontos mais evidentes nestas famílias quando procuram ajuda.


Nestas famílias é frequente encontrarmos situações em que um ou às vezes os dois progenitores, abdicaram do seu papel parental, tendo deixado de se comportar como pais.

 Quais são os pensamentos/sentimentos mais comuns nos pais perante este tipo de problema com os filhos?


A vergonha, a sensação de fracasso enquanto pais, a desilusão e o sentimento de impotência face ao problema são sentimentos comuns nestes pais.

     Como devem reagir os pais quando os filhos os agridem tanto psicologica e/ou fisicamente?


Quando chegamos a este ponto é muito difícil os pais, por si mesmos, resolverem ou reverterem a situação. Muita coisa se danificou dentro de uns e outros, as formas de relacionamento dentro da família estão “doentes”  e a ajuda profissional nestes casos parece-me essencial.
Porém , importa referir que o uso da força pelos pais, ou a restituição  da ordem ou do respeito pelos mesmos meios ( a violência  verbal e física) não é de todo o caminho a seguir.
A resposta de que necessitam, por parte dos pais/cuidadores deverá, no entanto, ser promotora do reequilíbrio emocional. 
O adolescente/criança ainda não é adulto, pelo que necessita de contar ainda com uma família que lhe garanta as necessidades de afecto, de segurança e de estrutura. 
Clarificar e definir regras e limites é essencial para a organização emocional do jovem.

 De referir porém, que com ajuda especializada, estes problemas resolvem-se e a família pode reaprender a viver em harmonia. 

 Por que muitos pais suportam ser mal tratados pelos seus filhos?

Nas famílias com Violência Filio-Parental a imagem familiar, tanto dos pais como dos filhos encontra-se detiorada.  A sensação de fracasso dos pais na educação dos filhos, a vergonha que implica ser agredido por um filho, impõe a necessidade de protecção da imagem familiar, o que faz com que as famílias afectadas muitas vezes subestimem a agressão e minimizem os seus efeitos, mesmo quando são públicos e evidentes. A deterioração da situação familiar faz com que a família adopte comportamentos de forma a apresentar uma imagem oposta, potenciando assim o Mito da Paz e da Harmonia Familiar, muito frequente nestas famílias, mesmo quando no exterior já se sabe. Para ocultar o que está acontecendo vai-se construindo um segredo familiar: começa a evitar-se determinados temas, a deixar de falar de situações e comportamentos que poderão por em causa o Mito.
A negação da violência filio-parental , por parte dos pais,  é praticamente uma norma e pode chegar a extremos graves: toleram-se níveis elevados de agressividade durante um período prolongado de tempo antes de se tomarem medidas .

Existem muitos filhos que culpam os seus pais pela falta de sucesso na sua vida e consideram que é obrigação dos pais ajudá-los incondicionalmente.
Como devem os pais contrariar esta pressão dos filhos?


Os filhos pedem… cabe aos pais dizer tranquilamente, sem culpas, que não podem! Os filhos fazem pressão, quando sabem que ao fim de algum tempo de pressão conseguem alcançar os seus objectivos. Quando perceberem quer não conseguem nada com pressão, acabam por abandonar essa estratégia. Assim sendo, a consistência e coerência das regras, pelos pais é fundamental! Não podem dizer que não a algo, e depois sim, sem nenhuma razão justificativa para essa mudança de opinião. E não devem sentir-se culpados por dizer não aos filhos! Os pais podem até não ter feito tudo como deviam, mas fizeram aquilo que sabiam e acharam melhor, mas a partir de certa altura são os filhos, agora jovens adultos, que passam a ser responsáveis por si próprios.
A culpa que os pais  possam eventualmente ter, por ter falhado algures, podem admiti-la, mas com a consciência de que não a podem corrigir porque o tempo não volta atrás, e principalmente que não têm de continuar a pagar essa culpa sob  chantagem e  cedências à pressão dos filhos.

A incapacidade de pais e filhos comunicarem, ou porque não falam a mesma linguagem, ou porque não respeitam as crenças uns dos outros, entre outros, podem algum dia ser ultrapassados?

Sim, sem dúvida que se podem ultrapassar essas diferenças. A terapia familiar é fundamental no restabelecimento da harmonia familiar. Numa família, não têm de pensar todos o mesmo, mas têm sobretudo de falar a mesma língua: a do respeito e admiração pela individualidade de cada um.


Entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga clínica e Psicoterapeuta, para o Portal Sapo Saúde , Setembro 2012