"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos
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segunda-feira, janeiro 04, 2021

Quando a Tristeza se torna um Problema - A Depressão


Vamos Falar de Depressão...


Torna-se cada vez mais comum na nossa sociedade ouvirmos usar o termo “depressão” sempre que alguém se encontra mais triste ou abatido. Não são raras as vezes que, com certeza, ouvirá esta expressão ser aplicada como sinónimo de “chateado”, “dececionado”, “triste”, ou algum termo semelhante que se refira a uma emoção negativa que ocorre após uma experiência negativa.

No entanto, é esta utilização quotidiana e até banalizada desta perturbação que nos leva a sentir a necessidade de esclarecer efetivamente que a depressão, sendo uma perturbação do espetro psicológico, é muito mais do que um estado de humor temporário. 

É um conjunto de experiências de humor, de alterações físicas, cognitivas e comportamentais. É uma doença do organismo como um todo, comprometendo o físico, o humor e, em consequência, a nossa capacidade de pensamento.

Assim, depressão, enquanto termo clínico, refere-se à alteração do estado de humor, sendo a sua gravidade e duração variáveis e englobando uma multiplicidade de sintomas.  

A vulgarmente conhecida depressão constitui na verdade, a perturbação depressiva major, descrita como uma perturbação do humor. 



A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida. Assim, a depressão é uma patologia do foro mental caracterizada por sentimentos de tristeza, perda no interesse pelas atividades outrora vistas como agradáveis, ideação suicida, perda de apetite, alterações no sono, entre outros. É uma doença incapacitante, que conduz ao isolamento. 
 
A par disto, surgem sentimentos de desvalorização pessoal, de baixa autoestima e de inferioridade. A Depressão, é portanto uma doença afetiva ou do humor, não sendo apenas sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço.

As patologias do humor são aquelas que alteram de maneira constante os nossos estados emocionais. Quando uma pessoa apresenta alteração de longa duração, ou seja, mais de duas semanas, em algumas destas dimensões, podemos encará-lo como portador de uma perturbação de humor.

Quando tal estado é alcançado, a solução passa pelo pedido de ajuda. Possuir sentimentos de tristeza é parte integrante do ser humano, porém quando estes se tornam disfuncionais, a intervenção de um técnico devidamente qualificado torna- se essencial. 

          Se precisar de ajuda, contacte-nos! 
Dr.ª Sara Loios
Psicóloga Clínica
Cédula Profissional nº 20837

 

 



quarta-feira, setembro 28, 2011

SAÚDE: Pânico "ataca" mais Geração à Rasca



Estão a aumentar os problemas com ansiedade nos jovens portugueses e os médicos procuram as razões.
O Jornal i exemplifica a crescente preocupação que se instalou na sociedade portuguesa com o caso de Catarina, 19 anos: em seis meses deixou de conseguir fazer a pé os 15 minutos entre a casa e a faculdade.
Tudo por causa dos ataques de pânico acompanhados de taquicardia e dores de cabeça, e de um medo de uma doença mortal que não foi revelada por nenhum exame médico.
«Sei que é psicológico mas acaba por ser limitativo. Vai-se agravando, deixamos de fazer as coisas com medo de que nos dê alguma coisa. Vou no metro sozinha e é aquela sensação de que vou morrer ali, com toda a gente a olhar e ao mesmo tempo ninguém conhecido», afirma a estudante em História citada pelo jornal.
Casos como o de Catarina, não havendo números que digam se estão a aumentar, começam a ser mais visíveis nos consultórios, confirmam psicólogos contactados pelo i.
O momento de entrada na faculdade ou a transição para a vida profissional acabam por desencadear picos de ansiedade e pânico, que revelam quadros de depressão e insegurança que muitas vezes os pais só reconhecem quando são forçados a ir a uma urgência, explica Maria de Jesus Candeias, psicóloga clínica na Crescer, Centro de Psicologia Infantil e Juvenil.
Por detrás da ansiedade, que pode transformar-se em pânico, a psicóloga acredita que está o aumento da exigência dos papéis escolares e profissionais mas também o facto de os jovens crescerem mais sozinhos, com prejuízo para a autoconfiança e redes de segurança.
entrevista cedida por Maria de Jesus Candeias, Psicóloga ao jornal i, em 29/8/2011

domingo, fevereiro 27, 2011

Como enfrentar o divórcio dos pais?

Nunca esquecer que nem a figura do pai nem a da mãe são substituíveis e essa realidade deve ser encarada.

Por vezes o casamento sofre alterações, podendo surgir a ruptura, a separação e o divórcio. Muito comuns hoje em dia, a separação ou o divórcio não devem nunca incluir os papéis de pai e de mãe.
Muitas vezes os pais não têm consciência do processo complexo e dinâmico que está a ser vivido pela criança e da forma como poderão surgir consequências futuras por haver uma mistura entre a separação e a parentalidade. Os pais, mesmo separados, devem manter-se, dentro do possível, unidos como pais da criança e tentarem preservar a imagem um do outro.
 
A imagem dos pais
Na maioria das vezes as crianças ficam com a mãe. O seu papel em todo este processo é muito importante, quer na imagem do pai que é passada à criança, quer na introdução do pai na relação que tem com o filho (no caso de ser um pai que, embora ausente, por vezes está presente).
Uma imagem negativa do pai, que é constantemente reforçada através de comentários e observações, é prejudicial à criança e também à mãe, acabando por influenciar a relação entre ambas. A mãe não deve em nenhum momento vincular o ódio ou a raiva em relação ao pai. Obviamente que o contrário também é válido.
Nem a figura do pai nem a da mãe são substituíveis e essa realidade deve ser encarada. A mãe não tem que ser ao mesmo tempo pai e deve estar consciente de que não o poderá ser para não criar falsas expectativas que só conduzem a sensações de falha e culpabilidades. O mesmo acontece no que se refere à perspectiva do pai.
 
A compensação com as prendas
Um outro aspecto importante diz respeito aos presentes. É essencial não cair no erro de tentar compensar falhas com prendas. Apesar de delicada, esta é uma questão que tem que ser encarada com frontalidade, pois mesmo inconscientemente os pais poderão querer compensar a sua ausência ou despertar uma maior atenção da criança através de presentes mais caros ou maiores.
Este não é um caminho correcto e na maioria das vezes não conduz aos resultados esperados, porque a criança valorizará sempre mais a presença e o amor do que os presentes, apesar de poder ficar muito contente quando os recebe.
 
A responsabilidade de ser pai/mãe
Na realidade, a separação dos pais não deve incluir a parentalidade ou maternalidade, que são uma responsabilidade permanente de ambos. A questão central prende-se com colocar os interesses da criança em primeiro lugar e acima de qualquer discussão ou conflito.
O pai ou a mãe poderão encontrar outra pessoa, com quem desejam formar uma nova família. Trata-se de constituir uma nova família tendo sempre em conta que esse vínculo anterior deixou os seus frutos. É necessário conquistar a estabilidade depois de ultrapassar os primeiros tempos em que se abandonam as antigas maneiras de estar e de lidar com as situações e com as diferenças de opinião.
Também para as crianças este não é um processo fácil. Exige uma adaptação que demora o seu tempo e que poderá ser bastante complicada ao início. A melhor receita para lidar com a situação será sempre a capacidade de se colocarem no lugar da criança, de a respeitarem e compreenderem.

Maria de Jesus Candeias, Psicóloga infantil e Psicoterapeuta