"É ATRAVÉS DA VIA EMOCIONAL QUE A CRIANÇA APREENDE O MUNDO EXTERIOR, E SE CONSTRÓI ENQUANTO PESSOA"
João dos Santos
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quarta-feira, fevereiro 19, 2020

Orientação Escolar

Orientação Vocacional


- O meu filho está a terminar o 9º ano. 

Que área de estudos deve escolher? - 



O processo de escolha pode ser marcado por ansiedade e medos em relação ao futuro. Neste sentido, a Orientação Vocacional propõe-se a auxiliar os jovens a lidar melhor com esses sentimentos, promovendo o autoconhecimento e reflexão sobre a escolha da área de estudos a seguir. 
A orientação vocacional deve ser compreendida como um processo que envolve diversas atividades e instrumentos de avaliação específicos, com intenção de compreender os interesses profissionais, aptidões, valores e características de personalidade de cada um, facilitando, desta forma, a tomada de decisão em relação ao futuro.

Se o seu filho está indeciso em relação à área de estudos a escolher ou não tem a certeza sobre o percurso a fazer quando terminar o ensino secundário, podemos ajudá-lo neste momento de indecisão, aconselhando-o e direcionando-o no seu percurso pessoal, académico ou profissional.

Se precisar de ajuda, contacte-nos! 


Dr.ª Sara Loios
Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias
Cédula Profissional nº 20837

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Como sobreviver à própria família?

Acontece, por vezes, que existam dificuldades familiares na resolução dos desafios quotidianos, o que pode levar a que surjam conflitos entre os vários membros. Quando esta situação acontece, torna-se importante consultar um profissional para que se evite um agravar da situação. Pode até pensar que com o tempo a situação acabará por acalmar, no entanto, se o problema de base não for corretamente resolvido, mais tarde, o problema acaba por surgir novamente. 

Para se compreender o funcionamento de uma determinada família, devemos ter em consideração que vários foram e são os desafios que esta enfrenta ao longo do seu desenvolvimento. E será, essencialmente, a forma como cada família resolve e enfrenta estes mesmos desafios que irá permitir o seu crescimento e adaptação.

Quando em contexto de consulta uma família nos traz um determinado problema, vários são os pontos aos quais devemos ter atenção, nomeadamente a forma como ocorre a comunicação entre os seus membros, a vinculação, a intimidade e muito importante, os limites que existem entre as diferentes hierarquias de uma família. Essencialmente, o que caracteriza e delimita estas hierarquias são os papéis, funções, normas e estatutos desempenhados por cada elemento - numa família podemos encontrar fundamentalmente quatro pequenos grupos: Individual; Conjugal; Parental e Fraternal.

Em primeiro lugar, antes de membro de uma família, todos nós somos pessoas! Pessoas individuais com papéis e funções nos vários contextos por onde vamos passando no nosso dia-a-dia. Somos o aluno, o trabalhador, o amigo, o colega de trabalho… e obviamente que aquilo que somos em determinado contexto influencia de forma dinâmica todos os outros pelos quais vamos passando.

Num segundo momento temos o casal, composto por marido e mulher. O apoio e a adaptação entre os dois são aspetos essenciais ao seu bom funcionamento. Uma das funções do casal em relação à restante família é exatamente o desenvolvimento de limites e fronteiras que protejam o casal da intrusão de outros elementos (p.e. família de origem de cada um dos elementos do casal ou os filhos).

Num momento posterior, surgem então os Pais! Neste momento o casal começa a assumir funções executivas como a educação e proteção dos seus filhos. É a partir das interações pais-filhos que as crianças aprendem o sentido de autoridade, a forma de negociar e de lidar com o conflito no contexto de uma relação vertical. Embora composto habitualmente pelas mesmas pessoas, importa termos presente que antes de ser pai e mãe, o casal é composto pelo marido e pela mulher e dai a importância do estabelecer de limites entre estas hierarquias.

No final da hierarquia, temos os filhos/irmãos. Este pode ser considerado um lugar de socialização e de experimentação de papéis. É neste contexto que as crianças desenvolvem as suas capacidades relacionais, experimentando o apoio mútuo, a competição, o conflito e a negociação.

O facto de cada uma das hierarquias ter funções diferentes, mas ao mesmo tempo se encontrarem intimamente relacionadas, torna essencial que se encontrem definidos limites/fronteiras claras entre elas, como se de linhas divisórias se tratasse. Estes limites são, no fundo, regras que definem quem participa em cada hierarquia e como o faz, tendo como objetivo proteger a diferenciação dos seus membros.

No fundo, evitar que surjam crianças com poder sobre os pais ou até mesmo sobre os irmãos, alianças entre crianças e um dos elementos paternos contra o outro elemento. Pais que desviam sempre o conflito com os filhos para o parceiro, relações excessivas entre um dos pais com os filhos, elementos da família sem qualquer tipo de individualidade, sem espaço para si, influenciando de forma negativa todo o seu comportamento e forma de estar. Todas estas situações são pequenos exemplos de como os limites não se encontram bem definidos entre as hierarquias.

É muito importante que cada um saiba qual o seu papel, tarefas e sobretudo, até onde pode ir. O casal deverá manter um espaço seu, diferente do espaço que tem enquanto pais. A negociação de todas as questões associadas à educação dos filhos deverá ser tida sempre enquanto pais e não enquanto casal.

A maior parte dos conflitos e dificuldades que vão surgido nas famílias encontram-se muitas vezes relacionadas com a fusão destes limites. A família acaba por não ter recursos suficientes para identificar o foco do problema e neste caso, torna-se importante recorrer a ajuda especializada no sentido de reencontrar o equilíbrio familiar, através da Terapia Familiar.

É na família que as crianças aprendem a interagir, podendo-se considerar um espaço onde começam por viver relações afetivas profundas, constituindo-se deste modo uma importante base da vida social. 

Dr.ª Sara Loios
Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Famílias
Cédula Profissional nº 020837

segunda-feira, setembro 18, 2017

Como Lidar com filhos Adolescentes?



(Entrevista cedida pela Dra. Maria de Jesus Candeias à Revista Activa, Junho 2014.) 

Socorro! Tenho um adolescente em casa!

Afinal , o que mais preocupa os pais de adolescentes? É assim tão complicado ter um filho nos ‘teens’? Pedimos a algumas mães que nos expusessem as suas maiores angústias, e a uma psicóloga que respondesse.

A adolescência é a idade dos namoros, das saídas, das respostas parvas, das míni saias... É preciso entrar em pânico ou estamos a fazer um bom trabalho? Maria de Jesus Candeias, psicóloga clínica e diretora da clínica ‘Crescer’, respondeu a várias perguntas e explicou porque é que, neste caso, todas as mães deviam ser... mães adolescentes.

- A adolescência é mesmo uma fase complicada?
Nem sempre. A adolescência é um processo normal, com vários desafios que os jovens precisam de correr, mas não é necessariamente um período perturbado.

- O mundo está mesmo mais perigoso?
Acho que há dois lados: a liberdade dos jovens aumentou o acesso a muitos perigos, mas também noto que há uma grande dramatização da realidade. Há coisas que passam como se fossem realidade mas são apenas situações pontuais. Portanto, temos de ter os cuidados básicos mas sem exagerar.

- 13 anos é demasiado novo para sair à noite?
É. Os pais têm de manter a autoridade até ao limite, e os jovens só são responsáveis por si próprios aos 18 anos. Sei que há muitos jovens a sair com 13 anos, mas para mim é impensável deixar alguém sair antes dos 16. Os pais têm de ter consciência de que estes limites não são impostos por acaso: uma criança com 13 anos ainda não se sabe defender. E os pais têm de perceber que são responsáveis pelos filhos, mesmos que eles protestem. Claro que os adolescentes também protestam mais quando sentem que há margem para isso... Portanto, os pais devem ir estabelecendo metas progressivas de conquista de liberdade e confiança.

Devo ir buscá-lo à discoteca?
Nas primeiras vezes. Os pais devem assegurar-se de que eles voltam em segurança para casa. Têm de saber como vão, com quem vão, como voltam. Conhecer os amigos é muito importante. É normal que os jovens não gostem que os pais os vão buscar, por isso nas primeiras saídas pode-se combinar com eles algum lugar de encontro, por exemplo. Porque eles dizem que não gostam mas também se sentem protegidos. Depois gradualmente pode-se deixá-los vir pelos seus próprios meios, se se vir que merecem confiança e cumprem os horários de entrada.

- Devem ter mesada?
Acho que sim. A mesada é muito importante no sentido da responsabilização e de ensinar a criança e depois o adolescente a fazer a sua gestão e a tornar-se autónomo, mas a quantia deve variar em função da idade, das possibilidades da família e daquilo que o adolescente precisa de gastar por mês. Dizer ‘dou-lhe 20 euros porque sim’, é irrealista e não vai ensiná-lo a gerir nada. Claro que dar-lhe dinheiro a mais que lhe permita comprar tudo o que quer também não vai ensiná-lo a poupar, a fazer escolhas, a perceber que para ter algumas coisas não pode ter outras.

- As notas da minha filha baixaram muito porque anda demasiado ocupada com os namorados. O que é que posso fazer?
Isso é absolutamente normal. Os pais stressam imenso quando as notas baixam, mas têm de perceber que é uma fase absolutamente natural e que o adolescente tem nessa altura mais com que se preocupar... Os pais não devem dramatizar, porque, se não se fizer um grande drama, há ali um ano ou dois em baixo mas depois as coisas normalizam. Se der demasiada importância à situação, isto pode resultar num problema difícil de resolver.

- Vi a minha filha beijar um rapaz. Devo contar ao meu marido ou não?
Ainda temos muitos preconceitos em relação à sexualidade das raparigas. Se for um rapaz, achamos que faz muito bem e que já está um homenzinho, se é uma rapariga ficamos em pânico. Acho que não há mal nenhum em partilhar com o marido o desenvolvimento de um filho – mas se já se sabe que isso vai criar tensão, a própria mãe tem de gerir isso. Aliás, não há nada que possa fazer...

- Devo levá-la ao ginecologista?
A mãe deve marcar uma consulta e perguntar à filha: queres que a mãe vá contigo ou preferes ir sozinha? É importante explicar-lhe que tal não servirá necessariamente para iniciar a sua vida sexual mas para ver se está tudo bem. Além dos ginecologistas também há consultas de apoio nos centros de saúde com técnicos que falam com eles mais à vontade. Portanto, não precisam de ser os pais a ter estas conversas com os filhos, mas podem encaminhá-los. Se bem que hoje em dia os jovens têm muito mais acesso à informação.

- É possível educá-los para resistir ao bullying?
Educá-los para resistir é difícil, porque as vítimas de bullying têm características muito próprias ligadas à timidez, ao medo, à falta de autoestima, que as levam a estar nestas situações. Não se pode dizer-lhes ‘reajam’ ou ‘não tenham medo’ ou ‘não ligues’, porque é óbvio que a natureza deles não os autoriza a fazê-lo. Portanto, é importante estar atento ao comportamento deles, dizer-lhes que essas situações não acontecem só a eles, e alertá-los para pedirem ajuda se tiverem algum problema, porque o segredo e a vergonha impedem-nos muitas vezes de serem auxiliados.

- Como afastá-los das más influências?
Geralmente, os jovens procuram os seus iguais. Portanto, eles procuram pessoas com as quais se identifiquem e se sintam bem. Ou eles próprios se sentem à margem na família e procuram alguém nas mesmas condições, ou vão escolher amigos com o mesmo tipo de valores. Os jovens procuram-se segundo uma atração pelo mesmo. Se um jovem for muito estruturado, procura pessoas igualmente sólidas. Se está menos estruturado ou tem curiosidade por outro tipo de comportamentos, irá procurar pessoas que depois podem potenciar situações menos saudáveis... Mas ele é que fará a sua escolha.

- A minha filha de 15 anos teima em usar saias mesmo curtas. Faço o quê?
Nada. A adolescência passa por essa exibição do corpo e o assumir da sexualidade. Elas precisam de se sentir desejáveis, e de mostrar que já não são crianças. Novamente, temos dificuldade em lidar com a sexualidade dos jovens, principalmente das raparigas. E novamente, temos de as respeitar e recordar a adolescente que fomos. O problema dos adultos é que muitas vezes se esquecem da sua própria experiência de juventude... Ora os filhos têm de passar pelos mesmos processos, embora os tempos sejam outros. E os pais deviam recordar essa experiência para poderem ser, olhe, pais adolescentes (risos).

- A prevenção funciona, ou por mais que se avise, eles vão sempre fazer o que os amigos fazem, por mais estúpido ou perigoso que seja?
É possível resistir à pressão de grupo, mas essa pressão pode tornar-se bastante pesada. Se o jovem estiver num grupo saudável, terá menos problemas porque as opções de cada um serão respeitadas. Mas grupos mais problemáticos acabam por exercer mais pressão. Os pais podem falar disto com os filhos, e é importante que os ajudem a não ter vergonha de ser quem são. Um jovem com autoestima facilmente ultrapassa estas questões, mas se for mais inseguro pode ter mais dificuldades.

- Com a mania que estão a crescer, cada vez mais se esquivam a um contacto físico, um abraço, um beijo, mesmo o mais básico. Devemos insistir ou esquecer?
Devemos respeitar e dar-lhes espaço. Há um período em que eles precisam de mostrar que já não são bebés e querem demarcar-se dos comportamentos infantis. Durante esse período, não devemos insistir no contacto físico. Quando eles forem – ou se sentirem – mais adultos, voltarão àquilo que são naturalmente: afetuosos ou menos afetuosos...


CAIXA
Como não perder o controlo das vidas deles?
“Mas a ideia é mesmo essa: os filhos não são pertença dos pais...”, nota Maria de Jesus Candeias. “Os filhos têm uma vida própria, uma luta própria, objetivos próprios, não estão cá para fazerem o que nós queremos que eles façam, e isto muitas vezes é confundido com pôr em causa a autoridade dos pais. Muitos pais vivem isto como uma afronta, quando se trata apenas de os filhos terem opiniões diferentes. Ou então, os pais veem como uma traição: agora gostam mais dos amigos do que dos pais... Isto gera muitos mal-entendidos. Mas um jovem que discute com os pais e luta pela sua autonomia é um jovem saudável.”

CAIXA
Se eu lhe contar os erros que cometi, ele fará o mesmo?
“Ele fará o que precisar de fazer. As mães têm de fazer o luto da criança que os filhos foram e perceber que têm em mãos o fantástico desafio de transformar aquelas pessoas em adultos saudáveis. Mas para isso os jovens têm de viver a sua vida e cometer muitos erros. Os pais tentam muitas vezes poupar aos filhos erros que eles próprios fizeram, mas as coisas não funcionam assim. O filho terá de passar por tudo ele mesmo, tem de aprender a viver por conta própria, tem de aprender a pensar sozinho e ganhar um sentido de exigência próprio e interiorizado, sem estar a fazer alguma coisa porque outra pessoa acha que ele deve.”


Entrevista cedida pela Dra. Maria de Jesus Candeias à Revista Activa, Junho 2014